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Morte Branca, o brutal sniper da Guerra de Inverno

Simo Häyhä, conhecido com Morte Branca, faz jus ao apelido e colecionou em sua curta carreira mais de 542 mortes

Caio Tortamano Publicado em 01/12/2019, às 15h31

Simo Häyhä após a guerra
Simo Häyhä após a guerra - Reprodução

Quem visita a pacata cidade de Rautjärvi, na Finlândia, com pouco mais de 3 mil habitantes, não imagina que o município é a terra natal de Morte Branca, um dos soldados mais fatais de todos os tempos. Simo Häyhä tornou-se um dos nomes mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial.

Häyhä nasceu em 1905 e seguiu a profissão de fazendeiro, que já fazia parte de sua família. Em 1925, na Finlândia, cumpriu o ano obrigatório de serviço militar, mas teve que voltar à ativa em 1939, quando foi convocado para lutar na Guerra de Inverno, conflito disputado entre a Finlândia e a União Soviética. A guerra teve início três meses após o começo da Segunda Guerra Mundial, depois que a União Soviética bombardeou a capital finlandesa, Helsinki. 

Se a Finlândia resistiu aos ataques amplamente superiores da União Soviética, foi graças a soldados como Häyhä. O rapaz atuava como franco-atirador na batalha, e acumulou o impressionante número de 542 mortes até o fim do sanguinário conflito.

Uma série de técnicas e fatores tornaram Häyhä uma máquina de morte. Sua baixa estatura — apenas 1,52 — permitia que ele conseguisse se esconder em locais de difícil acesso. Outra tática de combate marcante se deu em usar miras comuns no lugar de telescópicas. A lente de aproximação da mira tradicional poderia refletir o sol e revelar a sua posição.

Simo Häyhä com seu traje camuflado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além disso, o atirador compactava a neve que estava à sua frente para que os seus tiros disparados não revelassem o seu local de ataque. Para que a sua respiração não o atrapalhasse, ele enchia a boca de neve, evitando assim os sinais que poderia aparecer.

Além das mortes realizadas através de seu fatal rifle de longo alcance, Häyhä é creditado por outros 200 abates com uma submetralhadora. Embora não tenha sido confirmado, historiadores acreditam que o número total atingiu 700. 

A capacidade do atirador e o reconhecimento como o mais eficiente franco-atirador da história mundial conferiram a ele o apelido de Morte Branca, especialmente por estar sempre de branco, podendo assim se camuflar na neve.

Simo Häyhä com seu traje camuflado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Esses números revelam uma verdadeira ameaça aos soviéticos, que arquitetaram planos para matá-lo. E quase conseguiram. Em 6 de março de 1940, perto do fim do conflito, Simo foi atingido com um tiro na mandíbula, perdendo mais da metade de sua bochecha.

Socorrido por soldados finlandeses, foi levado ao hospital e ficou inconsciente por uma semana, acordando justamente após o término da guerra e a assinatura do tratado de paz. Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelo líder de sua companhia, sendo a escalada de posto mais rápida da história militar de seu país.

Depois da guerra, ele reconstruiu a bochecha e acabou se recuperando totalmente. Passou o resto da vida trabalhando como caçador de alces e criando cachorros na Finlândia. E os planos dos soviéticos durante a guerra foram em vão. O atirador faleceu somente em 2002, aos 96 anos de idade em uma pequena vila chamada Ruokolahti, na fronteira com a Rússia.


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