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A morte do excêntrico imperador de Roma: há 1979 anos, Calígula era assassinado com mais de 30 golpes de facas

Suas extravagancias e crueldades provocaram a ira dos romanos, que arquitetaram seu fim — no entanto, seu óbito só serviu para gerar mais revolta

Fabio Previdelli Publicado em 24/01/2020, às 11h37

Busto de Calígula reconstruído em 3D
Busto de Calígula reconstruído em 3D - Getty Images

Poucos meses depois de se tornar um imperador, Calígula ficou gravemente ferido. Na época, muitos acreditavam que ele poderia ter sido envenenado. Embora tenha se recuperado da misteriosa enfermidade, foi justamente nesse momento que ele começou a mostrar os primeiros indícios de sua insanidade mental.

Ele começou a ordenar o exílio de pessoas próximas a ele e, em casos mais extremos, chegou a determinar a morte delas. Um exemplo disso foi a execução de Tibério Gêmelo, primo e filho adotivo de Calígula. Ele foi morto, pois, supostamente, teria rezado para que o imperador não se recuperasse de sua grave doença.

A avó de Calígula se mostrou bastante indignada com a morte de Tibério, e acabou morrendo pouco tempo depois. O motivo da morte gerou muita discordância, alguns diziam que ela havia se suicidado. Já outros juram de pé junto que ela foi envenenada pelo imperador. De qualquer forma, a morte dela só serviu para reforçar a máxima que Calígula adorava repetir: "Lembre-se de que tenho o direito de fazer qualquer coisa com qualquer pessoa”.

Estátua de Calígula / Crédito: Getty Images

 

Um dos atos mais notório — e esquizofrênicos — de Calígula foi quando ele se autodeclarou um deus vivo. Assim, ele ordenou a construção de uma ponte entre o palácio e o templo de Júpiter, para que ele pudesse conversar com uma divindade.

A partir daí, ele também começou a aparecer em público vestido como vários deuses e semideuses, como Hércules, Mercúrio, Vênus e Apolo. Documentos públicos de reuniões políticas passaram a referi-lo como Júpiter. Além disso, as cabeças de várias estátuas de deuses foram removidas e substituídas pelas de Calígula.

Outro exemplo famoso da excentricidade de Calígula é a relação dele com seu cavalo: Incitato. Dizem que o imperador gostava tanto do animal que lhe ofertou uma de suas próprias casas — que incluía, além de outras coisas, uma tenda de mármore e uma manjedoura de marfim. A parte mais estranha dessa história toda é que Calígula, aparentemente, planeja fazer de Incitato um cônsul.

À medida que as ações de Calígula se tornaram mais ultrajantes, o povo de Roma começou a odiá-lo e desejou retirá-lo do poder. Em certa altura dessa história, o imperador declarou ao Senado que deixaria Roma e se mudaria para o Egito — onde seria adorado como um deus vivo.

Neste mesmo período, Cássio Quereia, da Guarda Pretoriana, começou a planejar o desaparecimento de Calígula. Em 24 de janeiro de 41, há exatos 1979 anos, um grupo de guardas o atacou após as celebrações dos Jogos Palatinos.

Busto de Calígula / Crédito: Getty Images

 

Diz-se que o primeiro a desferir um golpe de faca contra Calígula foi Quereia, no entanto, a única coisa que se ter certeza, é de que o imperador foi esfaqueado mais de 30 vezes — morrendo no local do atentado. Posteriormente, ele foi jogado em uma cova rasa. Sua família teve o mesmo destino.

Após sua morte, o Senado pressionou para que Calígula fosse apagado da história romana, ordenando a destruição de suas estátuas e movendo-se rapidamente para restaurar a República.

Em uma reviravolta inesperada, o povo de Roma ficou com raiva e exigiu vingança contra aqueles que assassinaram seu imperador. O tio de Calígula, Cláudio, tornou-se o próximo imperador romano e ordenou a morte de Cássio e de qualquer outra pessoa envolvida na morte de Calígula.


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