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Morte que abalou Hollywood: Documentário investigará caso da atriz Brittany Murphy

Atriz morreu em 2009, aos 32 anos, em cenário controverso; Relembre o caso!

Fabio Previdelli Publicado em 23/03/2021, às 16h53

A atriz Brittany Murphy em cena de Sin City (2005)
A atriz Brittany Murphy em cena de Sin City (2005) - Divulgação

Segundo informações do Daily Mirror, em breve o canal HBO lançará um documentário sobre a enigmática morte da atriz Brittany Murphy. Conhecida por seus papéis em "As Patricinhas de Beverly Hills" (1995), "8 Mile - Rua das ilusões" (2002) e "Sin City - A Cidade do Pecado" (2005); ela morreu sob circunstâncias misteriosas em 2009, quando tinha apenas 32 anos.  

“Serão explorada as circunstâncias misteriosas em torno de sua morte trágica”, disseram os produtores ao tabloide diário britânico. Eles também prometeram “ir além das teorias da conspiração e manchetes” que cercaram o caso e oferecerem um “retrato íntimo e profundo do personagem”. Relembre o caso! 

A ligação de emergência 

Já era por volta das 8 horas, do dia 20 de dezembro de 2009, quando o Corpo de Bombeiros de Los Angeles recebeu uma ligação solicitando “um pedido médico”, segundo relata o The New York Times. A ligação partiu da casa compartilhada da atriz Brittany Murphy e de seu marido Simon Monjack

Além dos dois, a residência também abrigava a mãe de Brittany, Sharon Kathleen Murphy. Foi ela, inclusive, que se deparou com a atriz inconsciente no chuveiro. Na ocasião, Sharon disse que a filha havia passado o dia anterior inteiro indo no banheiro para vomitar. 

Brittany Murphy durante cerimônia / Crédito: Getty Images

 

Ela também disse que Brittany achava que estava mais magra do que deveria estar, porém, descartou qualquer relação da morte da filha com uma overdose de remédios que a atriz tinha dependência, segundo explica o NYT. 

Ainda na residência, os bombeiros fizeram um trabalho de reanimação antes de transportá-la até o Centro Médico Cedars-Sinai. Porém, minutos depois de chegar ao centro médico, ela foi declarada morta, às 10h04, após sofrer uma parada cardiorrespiratória, diz o Los Angeles Times. 

De acordo com a BBC, a causa primária da morte de Murphy foi uma pneumonia que teve agravante por uma anemia causada pela falta de ferro no corpo. Na época, Rose McGowan, atriz e amiga de Brittany, prestou suas condolências aos amigos e familiares de Murphy. "Brittany era como champanhe — brilhante e borbulhante. Sempre que eu via, eram sempre muitas risadas. Felizmente, seu sorriso estará sempre preservado nos filmes". 

O velório e as investigações e uma nova morte 

Quatro dias após a morte misteriosa da atriz, em 24 de dezembro de 2009, ela foi velada e enterrada no Forest Lawn Memorial Park (Hollywood Hills), segundo noticiou o portal americano Daily News. 

Até aquele ponto o caso já era enigmático por si só, porém, outro acontecimento lançou ares muito mais incompreensíveis. Tudo porque, em 23 de maio de 2010, cinco meses após a morte de BrittanyMonjack, o víuvo da atriz, também apareceu morto na mesma casa em condições semelhantes a ela.  

Segundo a CNN, Simon, com 40 anos na época, faleceu devido a um quadro de pneumonia aguda, que foi agravada por uma anemia profunda. Na época, o Departamento de Saúde do Condado de Los Angeles considerou que um mofo tóxico presente na casa pudesse ser o responsável pelos óbitos.  

No entanto, como aponta matéria da People, a possibilidade foi rejeitada pelo legista assistente de Los Angeles Ed Winter, que afirmou que "não havia nenhum indicador" que o fizesse chegar a essa conclusão.  

Homenagem feita a Brittany Murphy no 16º Annual Screen Actors Guild Awards, em 23 de janeiro de 2010 / Crédito: Getty Images

 

Sharon, em primeiro momento, segundo a revista americana, corroborou com a fala e disse que essa hipótese era um “absurdo” e ainda informou que a inspeção de mofo na casa nunca foi solicitada pelo Departamento de Saúde.  

Porém, em dezembro de 2011, Sharon Murphy mudou sua postura, anunciando que o mofo tóxico foi o que, de fato, matou sua filha e seu genro, o que a fez entrar com uma ação contra os advogados que a representavam em um processo anterior contra os construtores da casa. 

Novas investigações e uma nova teoria 

Após anos do mistério, em 18 de novembro de 2013, um laudo do The Carlson Company, que havia sido contratado por Angelo Bertolotti, pai de Brittany, apontou que o resultado laboral com material genético da atriz mostrou que seu corpo tinha níveis muito acima do normal para dez metais pesados — incluindo antimônio e bário, como mostra matéria do The Guardian. 

O mesmo se confirmou em uma análise feita em Monjack. Isso poderia supor que os dois foram envenenados. Anos depois, em 2020, o canal Investigação Discovery estreou um documentário mostrando as circunstâncias da morte de Brittany, que ganhou o nome de ‘Brittany Murphy: An Id Mystey’ (ou, ‘Brittany Murphy: Uma Identidade Misteriosa’, em tradução livre). 

Borat (Sacha Baron Cohen) ao lado de Brittany Murphy em cerimônia do 12th annual MTV Europe Music Awards, em 2005/ Crédito: Getty Images

 

O programa mostra um depoimento de Angelo — que havia falecido um ano antes, em 2019, vítima de uma enfermidade de longa data —, dizendo que sempre acreditou que sua ex-esposa estava envolvida nas duas mortes.  

Morte não foi esclarecida, segundo legista 

Entre os entrevistados da produção está o médico legista Cyril Wecht, que foi contrata pelos familiares de Brittany para tentar ajudar em uma solução para a morte da atriz.  

Apesar dos registros oficiais, ele diz que a causa da morte de Murphy são controversas. “O que chama atenção para mim é o fato de ser uma jovem mulher de 32 anos. Como ela pode ter chegado a um estado tão intenso de pneumonia e a tamanha deficiência de ferro?  Por que ela não recebeu os devidos tratamentos médicos? Isso tudo é intrigante para mim”, questiona.  

Brittany Murphy ao lado do ator Ashton Kutcher, com quem ela namorou por um curto período de tempo, em uma partida de basquete, em 2003/ Crédito: Wikimedia Commons

 

“Ela tinha todos os recursos financeiros possíveis para ir a um médico e estava fazendo uso de medicamentos muito pesados. É algo que me deixa perplexo”, completa.

Outro ponto debatido por ele é a quantidade excessiva de medicamentos encontrados em seu organismo.

“Não é possível descartar nenhuma possibilidade, é preciso responder algumas perguntas que parecem não terem sido realmente respondidas”, concluiu Cyril Wecht.


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