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Morto em 1642, o dedo de Galileu Galilei não encontrou o descanso eterno

Durante seu segundo sepultamento, na Basílica de Santa Croce, a Igreja removeu partes do corpo do físico

Daniela Bazi Publicado em 22/12/2019, às 08h00

Dedo do meio da mão direita de Galileu Galilei que está exposto no Museu Galilei
Dedo do meio da mão direita de Galileu Galilei que está exposto no Museu Galilei - Getty Images

Morto em 1642, em Arcetri, na Itália, julgado como herege durante o período de inquisição, o físico, matemático, astrônomo e filósofo Galileu Galilei não teve um funeral digno. Como consequência, partes de seu corpo foram expostas em um museu que leva o seu nome, na cidade de Florença.

Devido a suas descobertas científicas, Galileu acabou tornando-se um inimigo da igreja, principalmente após divulgar sua teoria de que a Terra girava em torno do Sol, e não ao contrário, contrariando os ensinamentos cristãos.

A igreja forçou que ele renunciasse o que havia sido propagado. Em seguida, Galileu foi obrigado a cumprir prisão domiciliar até o dia de sua morte e colocou sua obra no Índice dos Livros Proibidos, uma lista feita pela Igreja Católica que revelava as obras que seriam engavetadas.

Livro Índice dos Livros Proibidos, ou Index Librorum Prohibitorum, lançado pela Igreja Católica / Créditos: Getty Images

 

Meio século depois, com as comprovações de Isaac Newton através da Lei Universal da Gravidade e das Leis do Movimento, de que a teoria de Galilei estaria realmente certa, a igreja reconheceu o erro e retirou o estudioso da lista no ano de 1718.

Foi apenas no ano de 1737 que a Igreja Católica permitiu que o corpo de Galileu fosse exumado do pequeno túmulo sem identificação no qual estava, para ser enterrado apropriadamente na Basílica de Santa Croce. Entretanto, durante seu enterro, alguns de seus admiradores decidiram manter algumas partes de seu corpo como relíquias.

Galileu é até hoje considerado como o pai da ciência / Créditos: Getty Images

 

Assim, foram retirados de Galilei três dedos, um dente e uma vértebra. Os admiradores também gostariam de retirar seu crânio por considerarem o osso protetor de um cérebro brilhante, mas acabaram sendo contidos. Essas partes acabaram sendo reverenciadas como se fossem os restos mortais de um santo, mesmo na época Galileu ser considerado um dos maiores hereges.

Sua vértebra foi parar na Universidade de Pádua, onde lecionou por diversos anos. Já as demais partes acabaram sendo guardadas por colecionadores, até desaparecerem em 1905.

No ano de 2009, mais de um século depois, elas surgiram curiosamente durante um leilão, armazenados em um vaso de vidro do século 18, que estavam dentro de uma caixa de madeira com o rosto do cientista. Os itens foram comprados por um colecionador de arte de Florença chamado Alberto Bruschi, junto de sua filha.

Partes do corpo de Galileu que estão expostas no Museu Galilei, em Florença / Créditos: Wikimedia Commons

 

Ao identificarem que o rosto na caixa era de Galileu Galilei, e encontrarem informações de que partes de seu corpo haviam sido retiradas durante seu enterro, eles levaram os restos do estudioso para as autoridades. Pesquisas mais detalhadas foram realizadas e comprovaram a autenticidade das partes, que foram levadas para o Museu Galilei, em Florença, e foram expostas para os visitantes.


+Saiba mais sobre Galileu Galilei com as obras abaixo:

Galileu e o sistema solar em 90 minutos (Cientistas em 90 Minutos), Paul Strathern (1999)

Galileu Galilei: A curiosa vida de um dos maiores gênios da história, Peter Scott (2019)

Galileu Galilei: Um revolucionário e seu tempo, Atle Naess (2015)

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