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Morto pela própria invenção: a trágica experiência de Otto Lilienthal

Considerado o pioneiro da aviação, o engenheiro teve sua vida interrompida após um fatídico acidente

Victória Gearini Publicado em 20/06/2020, às 09h00

Engenheiro Otto Lilienthal, o pai da aviação
Engenheiro Otto Lilienthal, o pai da aviação - Wikimedia Commons

Otto Lilienthal, mais conhecido como "o homem voador", foi o pioneiro da aviação alemã. Este aviador foi a primeira pessoa a fazer voos bem-sucedidos, sendo de extrema importância para a evolução de práticas de aviação ao longo dos anos, até a sua trágica morte em 1896.

Nascido no dia 23 de maio de 1848 em Anklam, na província de Pomerania — um reino alemão da Prússia — Otto Lilienthal veio de uma família de classe média, o que lhe possibilitou os melhores ensinos e aperfeiçoamentos na área da aviação.

Encantado pela ideia do voo tripulado, Lilienthal passou a frequentar uma escola técnica regional, em Potsdam, e posteriormente, treinou na Schwarzkopf Company. Mais tarde estudou na Royal Technical Academy, em Berlim, e tornou-se engenheiro de design.

No início de sua carreira, ele atuou como engenheiro em várias empresas, recebendo sua primeira patente por montar uma máquina de mineração. Cinco anos mais tarde, Lilienthal fundou sua própria empresa, que fabricava caldeiras e motores a vapor. Já em 1889, publicou sua obra mais famosa, intitulada Birdflight, considerada a base da aviação. 

Já em sua vida pessoal, Lilienthal casou-se com Agnes Fischer, em 6 de junho de 1878, com quem teve quatro filhos: Otto, Anna, Fritz e Frida. O casal era apaixonado pela música, e tinha o costume de cantar juntos, uma vez que Lilienthal tinha voz de tenor. 

Pioneirismo na aviação 

A contribuição de Lilienthal é inestimável, sendo o responsável por desenvolver voos mais pesados ​​que o ar, a partir de uma colina artificial que construiu perto de Berlim. Ao lado de seu irmão, Lilienthal fez mais de 2.000 voos, sendo o primeiro em 1891. Atualmente, as estruturas de controle que ele criou são utilizadas para asa-delta e aeronaves ultraleves.

Ao longo de sua carreira, embora tenha sido curta, Lilienthal desenvolveu inúmeros projetos que foram capazes de inovar as técnicas de aviação convencionais. Além disso, ele fez uma pesquisa aprofundada para descrever com precisão o voo de cegonhas, e a partir disso, descrever a aerodinâmica de suas asas, a fim de, reunir dados aeronáuticos confiáveis.

Lilienthal durante voo, em 1895 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além de pesquisador, Lilienthal também era inventor e criou um pequeno motor que funcionava a base de um sistema de caldeiras tubulares. Na época, sua intenção era considerada a mais segura e isto permitiu uma maior liberdade financeira e ascensão neste ramo. No entanto, a carreira de Lilienthal foi brutalmente interrompida após um trágico acidente. 

Voo da morte

Seus voos foram amplamente noticiados pelos veículos e fotografados, aparecendo em diversas publicações científicas e regionais. Logo essa fama lhe rendeu o título de "pai do voo", pois ele controlava, com êxito, a aeronave mais pesada da época. Entretanto, no dia 9 de agosto de 1896, tudo mudou. 

Como de costume, Lilienthal dirigiu-se para as colinas de Rhinow, com o intuito de treinar suas técnicas. Os primeiros voos ocorreram tranquilamente, até que no quarto, o avião deslizou sobre a colina, descendo rapidamente. A essa altura, Lilienthal teve dificuldades de recuperar o controle da nave e após várias tentativas falharem, ele caiu de uma altura de cerca de 15 metros. 

Medalha de bronze em homenagem a Lilienthal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após o acidente, Paul Beylich, o mecânico de planadores que havia acompanhado Lilienthal, o colocou dentro de uma carruagem e o levou até um médico. Lilienthal, por sua vez, tinha sofrido uma fratura na terceira vértebra cervical, motivo pelo o qual estava inconsciente. Naquele mesmo dia, o aviador foi transportado em um trem para a clínica de Ernst von Bergmann, a fim de ser operado às pressas. 

Após 36 horas do acidente, Lilienthal veio a falecer. Seus restos estão enterrados no cemitério público de Lankwitz, em Berlim, e em sua lápide há a seguinte frase: "Opfer müssen gebracht werden" ("Sacrifícios devem ser feitos", em tradução livre).

Segundo o Museu Otto Lilienthal, há diferentes teorias se o engenheiro tenha realmente dito esta frase em seu leito de morte, no entanto, o que se sabe, é que ele faleceu fazendo o que mais amava: voando.


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