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Mosteiro Capuchin: o excêntrico monastério que coleciona mais de 8.000 múmias

Localizado em Palermo, a coleção conta com cadáveres de até 421 anos, que surpreendem os visitantes pelo ótimo estado de preservação

Daniela Bazi Publicado em 12/02/2020, às 08h00

Múmias do Mosteiro Capuchin
Múmias do Mosteiro Capuchin - Juan Antonio F. Segal

A cidade de Palermo, na Sicília, uma mórbida atração turística chama a atenção de visitantes do mundo inteiro. Se trata do Mosteiro Capuchin que, por trás de suas portas, abriga cerca de 8.000 múmias, que ficam penduradas nas paredes, deitadas em caixões abertos ou sentadas em bancos e prateleiras.

Todas estão vestidas com roupas que representam claramente a época no qual morreram e seus costumes, indo de ex-soldados com seus uniformes a virgens com coroas de flores em suas cabeças. Alguns dos cadáveres, inclusive, morreram com a boca aberta em formato de grito, mas o antropólogo biológico Dario Piombino-Mascali garante que eles estão assim apenas como um efeito natural do tempo.

Os corpos são separados no Mosteiro por salas, onde figuras religiosas ficam separadas daqueles que eram filiados ao mosteiro, assim como médicos, mulheres, virgens e bebês. A múmia mais antiga da coleção era um frade chamado Silvestro da Gubbio, que morreu em 1599.

Silvestro está no Mosteiro a 421 anos / Crédito: Juan Antonio F. Segal

 

Por outro lado, a mais recente foi embalsamada em 2002, e é o corpo de uma criança de dois anos de idade chamada Rosalia Lombardo, que faleceu no ano de 1920. O processo de embalsamento foi tão bem sucedido que ela permanece até hoje bem preservada e passou a ser apelidada de “Bela Adormecida”.

O mosteiro que ainda atua como um local religioso, tornou-se também um centro de pesquisa, devido a sua bizarra coleção. O cientista Piombino-Mascali foi o primeiro a conseguir convencer os frades a estudar os restos. Segundo o pesquisador, “Queria fazer algo pelo lugar onde nasci e também porque temos muitos. Eu pensei que era hora de estudá-los adequadamente e obter informações em primeira mão sobre eles”.

Piombino faz parte do projeto Sicily Mummy, que teve início em 2007, e desde então examina múmias espalhadas pela ilha. Através de seus estudos nos corpos do Mosteiro, eles conseguiram descobrir como viviam os antigos fiéis.

Múmias do Mosteiro Capuchin / Crédito: Juan Antonio F. Segal

 

A equipe do pesquisador também acredita que a preservação dos corpos se dá a atmosfera seca do local. No início da coleção, os padres tinham o costume de deixar os cadáveres pendurados para que os fluidos corporais pingassem e, após um ano, com o cadáver ressecado, os restos eram lavados com vinagre e vestidos com suas roupas para serem levados a sua sala específica e, finalmente, descansarem pela eternidade.

Durante os estudos, Mascali faz questão que sua equipe tome todo o cuidado possível, já que alguns dos corpos estão em um avançado estado de degradação. Através da retirada de amostras de músculo, pele, ossos, cabelos e até das roupas, foi possível encontrar bactérias e fungos que estariam deteriorando os cadáveres.

As múmias do Mosteiro Capuchin continuam abertas para a visitação do público e também serão liberadas para novos estudos de outros pesquisadores.


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