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Instituto das Musas: Conheça Mouseion, a primeira universidade

Casa da histórica Biblioteca de Alexandria, a antiga academia tinha um currículo extenso, com as mais distintas disciplinas

Redação Publicado em 12/09/2021, às 09h00

Representação da Biblioteca de Alexandria, em Mouseion
Representação da Biblioteca de Alexandria, em Mouseion - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

As conquistas de Alexandre, o Grande, no século 4 a.C., mudaram a paisagem política e cultural do mundo antigo. Quem acabaria herdando da decadente Atenas o bastão de centro máximo do conhecimento mundial seria Alexandria, capital do Egito Ptolomaico, dominado pelos gregos, mas herdeiro da tradição dos faraós. Um lugar muito mais cosmopolita e educado que Roma.

A glória desse novo Egito se deve a Ptolomeu Sóter (367-282 a.C.), o general de Alexandre que se tornou o primeiro “faraó” grego. Ele trouxe ao Egito as grandes conquistas culturais da Grécia, e parte desse esforço foi a fundação do Mouseion — o “Instituto das Musas”. A princípio uma escola de artes — essa é a origem da palavra “museu” —, logo evoluiu para o primeiro centro mundial de pesquisas da História.

O Mouseion era o local da famosa Grande Biblioteca de Alexandria, que buscava reunir simplesmente todos os livros do mundo — e cuja perda foi provavelmente o maior desastre científico da História. Mas esse era só um de seus prédios — no Instituto, os acadêmicos pesquisavam arte, astronomia, filosofia, matemática, física, engenharia, medicina... enfim, tudo o que se pudesse estudar.

Dirigido por Alejandro Amenábar, o longa espanhol 'Ágora', de 2009, por exemplo, reproduz o grande instituto, mas de maneira especulativa. Acontece que apenas descrições vagas do Mouseion e da Grande Biblioteca sobreviveram ao passar dos anos, e suas supostas ruínas, encontradas em 2004, também não nos disseram muita coisa.

Fotografia de ruínas em Alexandria / Crédito: Daniel Mayer/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

1. Boa localização

O centro de estudos fi cava perto do porto e do palácio real. Isso facilitava a aquisição de livros, mas tinha um grave inconveniente: era também um ponto estratégico para conquistadores. Foi assim que Júlio César incendiou a biblioteca por acidente, em 48 a.C., no cerco de Alexandria, numa disputa interna entre os romanos, lutando a favor de Cleópatra. Ele incendiou os próprios navios e o fogo se espalhou. Mas ainda não seria o fi m da instituição.


2. Casa, comida, roupa lavada

Os acadêmicos do Mouseion tinham moradia e recebiam servos dos faraós. Diferente das universidades modernas, o acesso era democrático — qualquer um que mostrasse grande conhecimento em uma ou múltiplas áreas podia ser convidado a estudar ali.


3. Bandejão

O prédio principal era um centro de eventos, mas também refeitório, com uma mesa coletiva, onde acadêmicos e estudantes discutiam os assuntos do momento durante as refeições. Essas, como todo o resto, eram pagas pelo governo.


4. Deus padroeiro

Serápis era um deus sincrético que combinava os atributos de Osíris e Ápis numa forma humana — no Egito mais antigo, Osíris era humano, e Ápis, um touro. O deus simbolizava a dinastia ptolomaica e, por ser uma divindade do pós-vida, também os conhecimentos ocultos. Seu templo, o Serapeum, passou a abrigar os livros e, depois, todo o resto, quando o Mouseion sofreu destruições por conquistadores.

Tradução da Bíblia em Alexandria, por Jean-Baptiste de Champagne / Crédito: Domínio Público

 


5. Jardins filosóficos

Assim como na Academia de Platão, que havia sido criada num bosque com o mesmo nome, havia jardins, que serviam tanto para aulas ao ar livre quanto para um momento de reflexões solitárias dos pensadores.


6. Todos os livros

Qualquer viajante que entrasse em Alexandria com um livro tinha seu tomo confi scado até descobrirem se já havia uma cópia na Grande Biblioteca. Se não houvesse, o livro fi cava lá e o dono era indenizado.

Eram provavelmente centenas de milhares de volumes, e incluíam textos em egípcio antigo, persa, sânscrito, hebraico e cartaginês. Não se sabe quem e quando a destruiu — os culpados apontados vão de Júlio César aos conquistadores islâmicos do século 7. No topo do domo havia um observatório astronômico.


7. Escola de medicina

Os gregos, inclusive Hipócrates, o fundador da medicina, jamais faziam autópsias, por um tabu religioso. Os egípcios, que mumifi cavam seus mortos já havia milênios, não tinham esse problema. Na cultura sincrética do Egito ptolomaico, meio egípcia, meio grega, o Mouseion tornou-se o lugar para aprender medicina “pra valer”, com aulas práticas de anatomia.


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