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Movimento Armorial: a proposta cultural criada por Ariano Suassuna que uniu o erudito ao popular

Conheça a mobilização feita por artistas que buscavam unir expressões populares e eruditas, criando uma nova forma de fazer arte

Giovanna Gomes Publicado em 22/11/2020, às 10h00

Ariano Suassuna
Ariano Suassuna - Divulgação

Criado em 1970, o Movimento Armorial foi um grande marco na história da cultura brasileira. Idealizado pelo dramaturgo e escritor paraibano Ariano Suassuna, o movimento propunha a produção das mais variadas formas de arte a partir da mistura do erudito e do popular, sempre exaltando a cultura brasileira, em especial a nordestina.

Uma nova forma de se fazer a arte

Inicialmente, a ideia do dramaturgo era criar um programa de extensão da universidade, por meio do qual difundiria a cultura popular do nordeste. Porém, com o apoio da prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, o movimento tornou-se um grande marco na história da arte brasileira.

Oficialmente, a organização surgiu em 18 de outubro de 1970, em um concerto da Orquestra Armorial de Câmara chamado Três séculos de música nordestina: do barroco ao armorial. Segundo o próprio Suassuna, em declaração dada em 1974, foram necessários 25 anos de pesquisas até que a ideia fosse posta em prática.

Xilogravura de Yolanda Carvalho / Crédito: Wikimedia Commons

 

Naquele memorável dia, Suassuna e os demais artistas fundadores fizeram a leitura do manifesto armorial. Tendo sido realizado na Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife, o evento também contou com a abertura de uma exposição de arte nordestina com xilogravuras, pinturas e esculturas.

Significado do nome

O termo “armorial”, vem do francês “armoiries” ou “armes” (armas), no sentido da heráldica, ou seja, referente aos brasões de famílias. Assim, o movimento, que possui forte presença da cultura de cordéis, xilogravuras e da música nordestina, por exemplo, metaforicamente representaria uma “heráldica nordestina”. No entanto, ele não se limita a uma única região do país. 

Em entrevista ao El País, Antônio Nóbrega, um dos mais importantes artistas armorialistas e que ainda segue difundindo o movimento declarou: “Meu recorte armorial é mais um recorte urbano que propriamente rural ou sertanejo. O sertão para mim é uma paisagem longínqua, ela não faz parte das minhas vísceras culturais.” 

O Quinteto Armorial

Membros do Quinteto Armorial / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Nóbrega foi convidado por Suassuna para integrar o grupo musical Quinteto Armorial no ano que sucedeu a criação do movimento. O grupo que também era composto pelos músicos Antônio Madureira, Egildo Nascimento, Fernando Barbosa e Edilson Cabral, criava canções baseadas na cultura popular e utilizava tanto instrumentos tradicionais como pífanos, rabecas e zabumbas quanto violinos, flautas transversais e violas.

Em atividade até os anos 80, o Quinteto Armorial lançou quatro álbuns durante o período. O primeiro deles, chamado Do Romance ao Galope Nordestino, foi lançado no ano de 1974 e recebeu um prêmio APCA como o "Melhor Conjunto Instrumental do ano". 

Cinquenta anos depois, o movimento ainda segue vivo

Ariano dizia que a cultura popular era a cultura do Brasil real. E ele queria que olhassem para o Brasil real. Queria construir essas pontes entre o erudito e o popular e ele não fazia distinção de hierarquia entre elas”, disse o professor da Universidade Federal de Pernambuco, ex-aluno e amigo de Suassuna, Carlos Newton Júnior, também em entrevista ao El País.

Ariano Suassuna / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para ele, mesmo após cinco décadas de sua fundação, o Movimento Armorial ainda segue vivo, não só por meio de importantes artistas como a ceramista cearense Socorro Torquato, que se considera armorialista, mas também pelas influências deixadas em outras formas de arte. Um exemplo é o balé popular do Recife, o qual funde a técnica da dança clássica ao gestual das danças populares.


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