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Matérias / A Mulher da Casa Abandonada

‘A Mulher da Casa Abandonada’: Quanto custa o casarão de Margarida Bonetti?

Com cerca de 500 metros quadrados e por volta de 20 cômodos, mansão 'abandonada' de Margarida Bonetti fica em um dos bairros mais nobres de São Paulo

Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 23/07/2022, às 12h01

Fachada da Casa Abandonada - Equipe Aventuras na História/ Isabella Bisordi
Fachada da Casa Abandonada - Equipe Aventuras na História/ Isabella Bisordi

A história de Margarida Bonetti, ou “A Mulher da Casa Abandonada”, se tornou um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas após a publicação do podcast do jornalista Chico Felitti

E não é para menos, afinal, se um casarão abandonado em um dos bairros mais nobres da capital paulista já seria alvo de curiosidade, tudo se torna ainda maior quando descobrimos o passado escravagista de Bonetti.

Na década de 1970, a excêntrica mulher da elite paulistana se mudou para os Estados Unidos com seu marido Renê Bonetti, com quem havia se casado recentemente. Junto deles partiu uma empregada doméstica, brasileira e analfabeta, que foi mantida em condições análogas à escravidão até meados dos anos 2000.

Margarida Bonetti dentro da mansão, hoje abandonada/ Crédito: Arquivo pessoal

Após a situação ser denunciada às autoridades norte-americanas, Renê foi condenado pelos crimes e Margarida fugiu para o Brasil antes de enfrentar a Justiça. Desde então, ela passou a morar no casarão, uma herança deixada por sua família, e há 20 anos é procurada pelo FBI. 

A Casa Abandonada

Além de seus personagens, o imóvel também é outro ponto que chama a atenção. Conforme noticiado pela equipe do site do Aventuras na História, um processo que envolve a herança de Margarida Bonetti virou alvo de curiosidade após a publicação do podcast. 

O documento, que é público, possui mais de 2.300 páginas de autos. E logo no início da pasta é possível observar diversas imagens do interior da mansão; sendo algumas das imagens com o registro de Margarida

Cozinha da casa - Foto: Divulgação / Arquivo

Por essas e outras, o local passou a se tornar um ponto de interesse no bairro, de não só pessoas que querem tirar fotos com o imóvel como cenário, mas também de ‘justiceiros’, que passaram a hostilizar a mulher. 

Mas uma questão sobre tudo isso ainda gera dúvidas: a mansão abandonada possui cerca de 500 metros quadrados e estima-se que o espaço comporte cerca de 20 cômodos — tudo isso, ressaltando, em um dos bairros mais nobres de São Paulo. Sendo assim, quanto o casarão vale? 

Sabendo que o metro quadrado na região de Higienópolis custa por volta de 20 mil reais, um imóvel desse tamanho poderia ser vendido ‘facilmente’ por R$20 milhões. Mas alguns fatores fazem a residência ter um valor diferente. 

A Casa Abandonada foi alvo de ação policial nesta semana/ Crédito: Equipe Aventuras na História/ Victória Gearini

Em entrevista ao UOL, Felipe Tzung, diretor comercial da Livar (uma startup especializada em imóveis), aponta que seria pouco provável alguém comprar o imóvel em tal estado para morar. "O que tem valor é o terreno, está numa região muito boa. As incorporadoras preferem comprar a casa para construir apartamentos de altíssimo padrão, que geram muito mais retorno.".

Dessa forma, explica, o casarão poderia ser vendido por alguns milhões, mas só se estivesse em condições melhores. Mesmo assim, é difícil precificar um valor exato — principalmente sem se ter conhecimento do que há por dentro da mansão. 

Um fator que pode ajudar nessa variável também seria o interesse que o podcast gerou pelo imóvel. A teoria diz que isso poderia fazê-lo ganhar um pouco de valor. Mas Tzung não vê exatamente assim; apontando que, para isso, seu novo proprietário teria que estar disposto a explorar a história do local, embora acredite que enredos assim perdem interesse com o passar do tempo. 

A nível histórico, a mansão se destaca por ser uma representação fiel da elite paulistana do início do século 20. Para Octavio Pontedura, engenheiro civil e sócio da imobiliária Refúgios Urbanos, a arquitetura do local deixa isso bem claro. 

Parte lateral da Casa Abandonada/ Crédito: Equipe Aventuras na História/ Victória Gearini

Ele destaca que a mansão possui elementos característicos da época, como solidez na arquitetura e referências clássicas, como é o exemplo das colunas na varanda da frente. Além do friso que fica abaixo do telhado, algo muito comum na arquitetura florentina, que estava em evidência no fim do século 19. 

Sendo assim, se outros casarões ainda estivessem de pé em Higienópolis, eles seriam muito parecidos com o de Margarida Bonetti. A pergunta que fica, porém, é a seguinte: será que é realmente necessário explorar um imóvel ligado à alguém com o passado como o de Bonetti ou seria melhor modernizar o local apesar de sua importância histórica?