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A Mulher-Gato é bissexual?

Em 2015, a edição da HQ Catwoman #39 mostrou uma teoria que já era proposta por muitos amantes dos quadrinhos

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 09/02/2021, às 17h07

Mulher-Gato em HQ
Mulher-Gato em HQ - Divulgação

Ao longo dos anos, autores estão abrindo novas possibilidades e inserindo personagens LGBTs em narrativas que geralmente mostravam apenas pessoas héteros e cisgêneros. Foi o caso de produções do cinema, literatura e, inclusive, do mundo dos quadrinhos.

Batwoman, Hera Venenosa, Mística, Deadpool e muitos outros heróis foram confirmados como parte da comunidade LGBT por seus escritores ou, muitas vezes, saíram do armário em suas HQs. Uma personagem icônica também foi revelada como tal em 2015: a Mulher-Gato.

A revelação foi feita na edição da HQ “Catwoman #39”, lançada em fevereiro de 2015. Na história, a Mulher-Gato, conhecida como Selina Kyle, está vivendo em um contexto diferente: ela abandonou sua identidade mais conhecida de maneira temporária.

Selina, na trama, está sendo a responsável por comandar um grupo mafioso de Gotham City. Como a grande chefe do crime, ela se junta a uma nova personagem Eiko Hasigawa, uma das herdeiras da família yakuza. Eiko vivia também como a então Mulher-Gato, assumindo a identidade da anti-heroína nas ruas de Gotham

A Mulher-Gato é conhecida por sua relação com Batman, em uma constante mudança entre atração e inimizade. Mas a personagem também já demonstrou interesse em diversas mulheres ao longo de sua história nos quadrinhos, o que geralmente ficava apenas na fala.

Isso mudou na edição #39. Nela, Selina beija Eiko. Em uma cena dramática, as duas falam sobre os conflitos que estão vivendo. Eiko alerta a Mulher-Gato sob disfarce: “Eles vão declarar guerra a você. Tome cuidado. Por favor”. Ela responde apenas que sabe disso e as duas se beijam.

Eiko então questiona: “Isso foi para mim, ou para o uniforme?”, e a resposta é: “Eu não sei. Se nós sobrevivermos a isso, vai ser bom descobrir”. Então, elas se afastam.

Saída do armário?

O beijo / Crédito: Divulgação

 

A escritora Genevieve Valentine, responsável pelo roteiro da HQ Catwoman, falou sobre a “saída do armário” da Mulher-Gato na época em entrevista ao portal Newsarama. Para ela, a ideia apenas foi confirmada por meio da cena, mas já era uma realidade mesmo antes disso. 

"Eu penso que Selina sempre foi escrita como uma personagem sexualmente livre”, explica. “Ela definitivamente flerta com homens e mulheres. Dizer que ela é bissexual nunca foi, para mim, um passo a ser dado — eu acho que o passo era mostrar a intimidade emocional daquele momento".

"Ela não é uma personagem que ama facilmente, como já vimos nas interações dela com Bruce, e ela também não perdoa facilmente, aos outros ou a ela mesma. Definitivamente será uma trama complicada”, comentou. 

Em seu blog, Valentine também escreveu sobre o assunto: “Ela já flerta com essa ideia — literalmente, muitas vezes — há vários anos; para mim, isso é mais uma confirmação que uma revelação”.

Segundo a autora, a personagem é tão complexa quanto outras figuras dos quadrinhos, assim, sua história e sua sexualidade deverão ser desenvolvidas dessa mesma maneira. “Tenho certeza que a ligação de longa data entre Selina para Batman não será esquecida. Não é assim que a bissexualidade (ou humanidade) funciona”, disse.

Representatividade bissexual

Mulher-Gato e Batman / Crédito: Divulgação

 

Na época em que a confirmação da sexualidade da Mulher-Gato veio à público, as reações foram enormes. Em entrevista ao The Guardian, Laura Sneddon, especialista em quadrinhos e autora do blog comicbookgrrrl, comentou como a narrativa é importante para mostrar o desenvolvimento de personagem de Selina.

“Isso é um acontecimento, pois, apesar da Mulher-Gato ter flertado com mulheres no passado, isso sempre fazia parte de uma imagem hipersexualizada da personagem, e não um desenvolvimento significativo de sua personalidade”, explicou. 

O fato de essa ser uma Mulher-Gato que faz parte da narrativa oficial do universo também é muito importante. Ela não é “uma versão de um mundo alternativo ou outra pessoa que veste o uniforme, mas sim a própria Selina Kyle” 

“Esse não é um engano, ou controle mental, ou várias outras artimanhas que já foram usadas para explicar beijos ‘chocantes’ no passado”, afirmou Sneddon. “Isso torna esse acontecimento ainda mais importante para fãs LGBT, principalmente para mulheres bissexuais, que muitas vezes não conseguem encontrar representações não-sensacionalistas na mídia em geral, e nos quadrinhos de super-heróis em particular”.


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