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'A Mulher na Janela': Conheça a real síndrome retratada em filme da Netflix

Com exclusividade à AH, o neurocientista Fabiano de Abreu explica a curiosa agorafobia e quais são os sintomas da condição

Pamela Malva Publicado em 18/05/2021, às 15h00

Amy Adams no longa 'A mulher na janela'
Amy Adams no longa 'A mulher na janela' - Divulgação/Netflix

Desde que foi adicionado ao catálogo da Netflix no dia 14 de maio, o longa ‘A Mulher na Janela’ tem conquistado o topo das paradas na plataforma. Dirigida por Joe Wright, a narrativa inspirada em um livro mistura elementos de mistério, drama e suspense.

No papel de Anna Fox, a atriz Amy Adams representa uma personagem que sofre de agorafobia, característica que chamou atenção dos espectadores. A condição, então, começou a ser citada nas redes sociais e tornou-se tema de diversas discussões.

Com exclusividade para o site Aventuras na História, o neuropsicólogo Fabiano de Abreu analisou o filme e traçou um paralelo entre a doença representada no longa e a realidade. Ainda mais, o especialista explicou como funciona a curiosa agorafobia.

Cena do filme 'A mulher na janela' / Crédito: Divulgação/Netflix

 

Um transtorno constante

Na recente produção, Anna Fox observa a cidade através da janela de sua mansão, até que testemunha um crime que acaba agravando seu transtorno. Com isso, a trama se desenvolve e, dessa forma, prende o telespectador do início ao fim da narrativa.

"Agorafobia é um tipo de ansiedade comum, mas cujo facilitador está na ocorrência de alguns episódios de ataques de pânico”, explicou Fabiano de Abreu. “Um indivíduo que apresenta tal distúrbio, tende a ficar dentro de casa, pois tem medo de sair, já que em sua mente tudo é perigoso, mesmo não sendo.”

Sendo assim, na opinião do neurocientista e PhD, o filme apresenta a problemática de forma interessante, trazendo o medo e a reclusão como resultados de um trauma relacionado à perda. A reclusão, nesse sentido, se dá através do medo de lugares ou situações que possam desencadear ataques de pânico ou constrangimentos.

De fora para dentro

De acordo com Fabiano, no entanto, a agorafobia pode se manifestar de diversas outras maneiras. Pessoas diagnosticadas com o transtorno, portanto, ainda sentem uma grande angústia e bastante medo quando têm de enfrentar multidões, filas, lugares fechados, transportes públicos, espaços abertos e solidão.

"As situações são antecipadas no imaginário e são desencadeadas por um simples medo do que poderia acontecer ou não”, explicou o neurocientista. “A pessoa faz uma projeção de uma realidade que, na maioria das vezes, não vai acontecer."

O grande problema é que a agorafobia é uma doença crônica que pode durar anos, ou até mesmo a vida toda do paciente. Segundo Fabiano, entre 30% e 50% das pessoas que são diagnosticadas com o transtorno também sofrem com uma intensa síndrome de pânico, sendo que as mulheres são mais afetadas pela doença do que os homens.

Fotografia meramente ilustrativa de uma garota encarando espelho partido / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

A maioria dos casos surgem antes dos 35 anos de idade e o diagnóstico é feito por um período de 6 meses ou mais. Durante esse tempo, o médico ou psicólogo acompanha o paciente, avaliando o nível do medo e da ansiedade manifestados.

Caso os sintomas não diminuam após o diagnóstico, inicia-se um tratamento. Depois disso, de acordo com Fabiano, o processo é desafiador, pois é realizado por meio de terapia de exposição, no qual o indivíduo é auxiliado a pensar, aprender novas habilidades e se comportar de outra maneira diante de situações que originam o medo.

Por fim, Fabiano pontua que, como parte do tratamento, os especialistas também podem indicar uma terapia cognitivo-comportamental, podendo ser necessário o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs). O resultado esperado, no entanto, é o mesmo: uma vida menos afetada pelo transtorno.


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