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Profissão do Diabo: Mulheres experimentavam as refeições antes de Hitler para impedir um envenenamento

Por exigência do Führer, 15 moças viviam com medo de comerem venenos destinados ao ditador

André Nogueira Publicado em 02/03/2020, às 11h00

O ditador alemão Adolf Hitler se alimentando
O ditador alemão Adolf Hitler se alimentando - Wikimedia Commons

Para Hitler, cada prato podia ser o último: inimigo do mundo, suas três refeições diárias podiam carregar veneno e acabar rapidamente com sua vida. No entanto, o ditador preferiu não arriscar: 15 moças eram responsáveis por provar a comida antes de o Führer. 

Essa foi a realidade vivida nos últimos anos do Reich, quando desespero e paranoia vivam em conjunto na cabeça do ditador que não queria perder o conflito. Hitler exigia que, a cada refeição feita na Toca do Lobo, uma moça provasse antes dele comer. O papel era tratado como uma posição de honra e serviço patriótico.

A existência das moças era desconhecida até 2013, quando Margot Wölk (95 anos na época), decidiu revelar ao mundo a insólita profissão durante uma entrevista à revista alemã Der Spiegel.

Margot, a única sobrevivente entre as provadoras de Hitler / Crédito: Wikimedia Commons

 

No cotidiano de Adolf Hitler, um membro da SS costumava levar a refeição da cozinha até a mesa onde uma ou mais das moças estava, e a observava para ver se alguém passava mal. Caso contrário, a comida era levada até o ditador. No entanto, as moças só podiam sentar e esperar pelo melhor.

Em meio à guerra e à fome, as mulheres faziam três refeições diárias, assim como o fuhrer. Refeições vegetarianas – afinal Hitler evitava comer carne – e balanceadas, com várias iguarias únicas na Alemanha, como frutas exóticas que acompanhavam vegetais, arroz e mais.

Todavia, era plenamente impossível se sentir confortável naquela situação. Aquela deliciosa comida vinha acompanhada com o verdadeiro medo da morte, afinal, o objetivo era usar as moças como escudo para o líder nazista.

os alemães, na época, constumavam comer de um único panelão / Crédito: Wikimedia Commons

 

 "Algumas das meninas caíam no choro quando começavam a comer, porque estavam com muito medo. Tínhamos de comer tudo e esperar por uma hora, e toda vez tínhamos medo. Costumávamos chorar também de felicidade por ter sobrevivido”, relata a sobrevivente do bunker.

Até onde se relata, nenhuma dessas moças pegou uma refeição envenenada. Porém, é muito difícil compreender e elucidar essa história - existem poucos relatos documentados. Nosso único contato com os casos é a história real de Wölk. Nenhuma outra moça, documentos escritos, fotos ou gravações existem nos dias atuais: os relatos foram impedidos de existir, e as moças, provavelmente, acabaram mortas por balas soviéticas.


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