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Múmia de 1.700 anos: A curiosa história da máscara do Homem de Tashtyk

Deformado após levar golpes na cabeça em batalha, o indivíduo passou por procedimentos cirúrgicos mesmo morto, quando uma máscara mortuária de gesso foi aplicada em seu rosto

Isabela Barreiros Publicado em 10/01/2021, às 08h00

A cabeça com máscara analisada (à esq.) e o escaneamento digital (à dir.)
A cabeça com máscara analisada (à esq.) e o escaneamento digital (à dir.) - Divulgação - The State Hermitage Museum

Em 1902, um pastor foi responsável por encontrar uma tumba curiosa no local que acabou sendo identificado como um antigo cemitério, localizado entre as montanhas Oglakhty, na Rússia. Anos depois, em 1969, especialistas visitaram a região, desenterrando um item, no mínimo, peculiar.

Tratava-se de uma máscara de gesso, aplicada na face de uma múmia pertencente à antiga cultura Tashtyk, que habitou a região há cerca de 1.700 anos. Na época em que ela foi descoberta, os pesquisadores não foram capazes de remover a camada externa para a análise do rosto do homem.

Eles tinham receio de acabar destruindo o que estava por trás da máscara e as feições permaneceram escondidas até o ano passado, quando membros do Museu Hermitage, na Rússia, decidiram estudar de fato a descoberta feita há mais de 50 anos. Usando técnicas modernas, eles finalmente conseguiram entender mais sobre a cultura da época.

O crânio passou por um cuidadoso processo de escaneamento digital para a identificação do rosto por trás do objeto funerário. Segundo a equipe responsável pela análise, todo o processo foi feito em um aparelho de tomografia idêntico aos de hospitais e com a digitalização em 3D.

De acordo com Svetlana Pankova, curadora do State Hermitage Museum, e detentora da coleção siberiana de Departamento de Arqueologia, a máscara era impressionantemente “muito parecida com o rosto real".

Visão lateral do escaneamento 3D do crânio analisado / Crédito: Divulgação - The State Hermitage Museum

 

A partir da tomografia, foi possível concluir que o homem tinha cabelo castanho, “penteado em rabo de cavalo que teria sido cortado antes de ele ser enterrado”. Segundo os pesquisadores, mandíbulas robustas e uma grande cicatriz diagonal no rosto, costurada após a morte. Ele também morreu com aproximadamente 25 e 30 anos

Uma das descobertas mais interessantes, porém, foi o fato de que o homem passou por procedimentos quase cirúrgicos mesmo quando já estava morto. Tudo foi feito para refazer o rosto do rapaz, de maneira que fosse possível moldar sua máscara mortuária com perfeição, respeitando seus traços.

Mas o procedimento realizado, que resultou na cicatriz que vai do olho esquerdo do homem até a orelha, não foi o único. Os especialistas identificaram ainda que ele provavelmente levou um segundo golpe na lateral do crânio, o que formou um orifício com aproximadamente 7 centímetros de diâmetro.

Esses ferimentos foram causados pelo artefato grande, podendo ter sido tanto uma lança quanto uma espada, que possivelmente causou sua morte. O Homem de Tashtyk estava com o rosto desconfigurado após falecer, mas ele não seria enterrado dessa maneira, portanto, os especialistas funerários na época reconstruíram sua face para que ela ainda apresentasse semelhança ao rosto antes do golpe.

Pankova explica que o ritual funerário era extremamente importante e tratado com perfeccionismo pela civilização Tashtyk. “Eles não podiam simplesmente colocar uma máscara no rosto desfigurado”, afirmou a especialista.

O homem também não foi o único a ser encontrado no local. Junto dele, estavam uma mulher e uma criança, vestindo casacos de pele, como o indivíduo analisado, e apresentando máscaras similares.

A moça, por exemplo, usava uma máscara que possuía um desenho em espiral, mas ainda não foi investigada a fundo pela equipe.


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