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A múmia de Elmer McCurdy: a atração que, durante 60 anos, enganou o público

Os observadores do cadáver colocavam moedas e ingressos dentro de sua boca, num bizarro ritual

Isabela Barreiros Publicado em 11/02/2020, às 08h00

O cadáver de Elmer McCurdy
O cadáver de Elmer McCurdy - Domínio Público

Elmer McCurdy viajou mais quando morto do que em vida. Seu cadáver foi vítima de uma história absolutamente bizarra — onde ele até mesmo chegou a ser confundido com um boneco de cera, de tão desconfigurado que estava seu corpo, que não encontrava a paz eterna esperada após a morte.

Tratava-se de um ladrão estadunidense. Ele roubava bancos e trens, mas quase sempre não era bem sucedido em suas operações, o que lhe rendia uma reputação de fracassado. Uma dessas missões fracassadas até mesmo lhe custou a vida.

Ele era conhecido como “o bandido que nunca desistia”, principalmente devido ao fato de muitas das suas trapaças não se concretizarem, e ele ainda assim continuar tentando a vida de bandido nos Estados Unidos do século 20.

Em uma dessas, McCurdy juntou-se a um grupo de ladrões para tentar atacar um trem que eles acreditavam carregar um cofre que valeria uma fortuna. No entanto, como era esperado para a irônica trajetória do bandido, isso não era verdade. Acontece que o transporte era apenas um trem de passageiros.

Assim, quando perceberam tal falha, todos começaram a fugir. McCurdy se escondeu dentro de um celeiro, mas não conseguiu escapar totalmente da polícia local. Pouco tempo depois, o xerife da cidade o encontrou e o baleou, causando sua morte. Isso aconteceu em 7 de outubro de 1911, no estado de Oklahoma, nos EUA.

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Crédito: Wikimedia Commons

No entanto, está errado quem pensa que a trajetória do bandido acabaria por aí. Na verdade, ela estava praticamente começando. 

Como o corpo não foi reivindicado por nenhum familiar próximo do fora da lei, o agente funerário responsável por ele embalsamou-o e le passou a exibir a múmia por um preço aos curiosos que quisessem observá-lo. Mas a história fica mais bizarra ainda. Os observadores, nesse momento, passaram a praticar um ritual, no mínimo, estranho: eles passaram a colocar moedas e seus próprios ingressos dentro da boca do cadáver.

Com a fama chegando ao corpo embalsamado, um homem que alegava ser o irmão da vítima reivindicou-o, dizendo que gostaria de dar ao parente um enterro digno. Mas isso não iria acontecer —  pelo contrário, ele não foi enterrado, e sim cada vez mais exposto ao público.

O desconhecido viu no cadáver um grande potencial para ganhar dinheiro. Durante 60 anos, o corpo de McCurdy viajou pelos Estados Unidos em exibições públicas como museus de cera, carnavais e até mesmo em feiras de diversões. Por muito tempo, as pessoas imaginavam que realmente se tratava de uma figura de cera. Até que algo revelou a verdadeira origem da bizarra atração.

Foi apenas em 1976 que a farsa chegou ao fim. Enquanto estavam organizando os “manequins”, os responsáveis pelo cenário da série O Homem de Seis Milhões de Dólares quebraram um dos braços do bandido sem querer. Quando perceberam que havia um osso ali, apressadamente chamaram as autoridades.

Depois da autópsia, foi revelada a verdade sobre a “figura de gesso”. O examinador conseguiu encontrar uma moeda datada de 1924 dentro da boca do bizarro cadáver e um ingresso. As posteriores investigações revelaram que o corpo era de Elmer McCurdy. Ele foi finalmente enterrado somente em 1977. 


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