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Munira Abdulla, a mulher que acordou após 27 anos em coma

O caso raro aconteceu nos Emirados Árabes após um grave acidente de carro na década de 90

Alana Sousa Publicado em 25/10/2020, às 15h38

Munira Abdulla fotografada após o coma
Munira Abdulla fotografada após o coma - Divulgação/Khushnum Bhandari

Imagine ficar em coma por 27 anos, paralisado no tempo, sem sentir os dias passarem. O que para alguns seria uma sentença de morte, para Munira Abdulla, foi uma parte crucial de sua vida. Ela que ficou inconsciente por mais de duas décadas acordou em um mundo diferente, e se tornou uma prova de esperança.

Em 1991, Munira, então com 31 anos, morava na cidade de Al Ain, nos Emirados Árabes, quando se envolveu em um acidente que mudou para sempre sua vida. Durante uma tarde, Abdulla tinha ido buscar seu filho Omar Webair na escola. De repente, o veículo se chocou com um ônibus.

O caso foi mais grave para a mulher, que estava no banco de trás com Omar, enquanto seu cunhado assumia a direção do automóvel. Ela sofreu lesões cerebrais e instantaneamente perdeu a consciência.

A demora para que a ambulância chegasse ao local do acidente agravou ainda mais a situação. Omar, que apenas se feriu levemente, contou em entrevista ao jornal local The National a atitude heroica da mãe. “Quando viu que o carro iria bater, ela me abraçou para me proteger do impacto".

Entre a vida e a morte

Murina foi levada para o hospital mais próximo e, em seguida, transferida para Londres. Internada, os médicos disseram para a família que ela era capaz de sentir dor, porém, estava em estado vegetativo- inconsciente.

Anos foram se passando e a saúde da mulher não parecia evoluir. Sua recuperação foi marcada pelas diversas trocas de hospitais, tudo para que, de alguma forma, ela voltasse para a realidade.

Seu filho Omar sempre foi seu maior aliado, ele revelou que no fundo sabia que a mãe retornaria para ele. "Eu nunca desisti dela, porque sempre tive a sensação que um dia ela acordaria”.

Munira Abdulla / Crédito: Divulgação

 

Passando por diferentes hospitais ao longo dos anos, Munira, em coma, foi levada de volta aos Emirados Árabes, para sua cidade natal, na fronteira com Omã. Seu tratamento consistia em uma intensa fisioterapia para que os músculos permanecessem saudáveis na medida do possível, enquanto a alimentação era realizada através de tubos.

Com uma situação grave, mas estável, o caso passou por uma reviravolta em 2017. A família de Abdulla recebeu um benefício da Corte Real, parte do governo de Abu Dhabi, e passou a ser tratada na Alemanha, onde havia remédios e procedimentos ainda mais avançados.

No hospital alemão, ela foi submetida a cirurgias, ao mesmo tempo continuava com os exercícios musculares. Sem uma aparente melhora, um ano depois, em 2018, Omar testemunhou o primeiro sinal de consciência de Murina.

Segundo nascimento

Durante uma discussão entre o jovem e funcionários do local, a mulher começou a fazer barulhos e parecia estar tentando se comunicar de alguma maneira. “Era ela! Ela estava dizendo meu nome. Por anos, eu sonhei com esse momento e o meu nome foi a primeira coisa que ela disse”, contou Omar. “Houve um mal entendido no quarto e ela sentiu que poderia estar em risco, o que causou nela um choque”.

Os médicos, que a princípio não deram a devida atenção para a paciente que estava retomando parte das funções cerebrais, mais tarde atestaram que ela ouvia o que estava acontecendo ao seu redor e, de fato, tentou falar com o filho.

O caso de Abdulla foi melhorando com o passar dos meses, aos poucos conseguia falar palavras e entender sua nova realidade. Até que, em 2019, o filho anunciou que ela tinha acordado. O menino, que na época do acidente tinha 4 anos, já era um homem adulto quando Murina nasceu de novo.

Desde então, ela vive em Abu Dhabi e ainda continua com os tratamentos de reabilitação. Consegue falar sentenças inteiras e sua maior dificuldade é aprender a controlar os membros novamente.

A experiência é considerada rara, já que grande parte dos pacientes que permanecem anos em coma tende a não voltar à vida, ou ainda, apresentar sequelas irreparáveis. A maior lição que a família árabe pode repassar é de nunca perder a esperança. “O meu motivo para compartilhar a história dela é dizer para as pessoas não perderem a esperança. Não considerem que a pessoa que você ama está morta, se ela se encontrar nesse estado”, finaliza Omar.


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