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Musas abandonadas e traídas: a intimidade do pintor Pablo Picasso

O expoente do cubismo foi famoso por se aproveitar de jovens mulheres e depois largá-las sem amparo, partindo para o próximo caso

André Nogueira Publicado em 18/05/2020, às 14h00

Pablo Picasso e Olga Khokhlova
Pablo Picasso e Olga Khokhlova - Wikimedia Commons

Pablo Picasso foi o maior nome da arte cubista, responsável pela disseminação dos ideiais modernistas a partir da Espanha e da França. Porém, para além da vida pública do artista, suas relações íntimas foram marcadas pelo abuso, pelas traições e pela ignorância. Responsável pela infelicidade de diversas mulheres, Picasso utilizou seus casos, inclusive, para criar quadros famosos.

O principal relacionamento do cubista ocorreu com Olga Khokhlova, uma dançarina de ballet da nobreza russa com quem se casou em 1918, além de tê-la como musa e amparo emocional até um término trágico e caótico. O evento ocorreu na Rússia, com a presença de dois amigos artistas do pintor.

O relacionamento entre os dois iniciou muito positivo, com influências artísticas mútuas. Olga era uma musa inspiradora para os quadros de Pablo, enquanto Picasso projetava figurinos e cenários para as apresentações de Khokhlova. Um importante exemplo desses auxílios foi no caso do espetáculo Le Tricorne, em que os dois se auxiliaram numa obra de ballet que se tornou famosa pela Europa, apresentando em Londres, na Espanha e na Casa de Ópera de Paris.

Retrato de Olga por Picasso / Crédito: Wikimedia Commons

 

O relacionamento entre os artistas começou a se deteriorar a partir de 1921, em decorrência da redução das aventuras e do início de um cotidiano conjugal proporcionado pelo nascimento do filho Paul. Picasso afastou-se cada vez mais de Olga, começando um caso em 1927 com uma adolescente e fã francesa.

Os dois teriam se conhecido por acaso, quando saía de um metrô de Paris. Uma jovem bela, loira e de olhos azuis, ela atraiu os olhares do artista, e logo começaram a conversar. Picasso gostava de Marie, principalmente, pois a jovem satisfazia todos os incomuns desejos sexuais do cubista, como sua satisfação com formas de dominação na cama.

A relação adúltera de Pablo com Marie-Thérèse Walter era incialmente desconhecida até que a moça ficasse grávida de Maria de la Concepcion, e, 1935, quando Khokhlova descobriu o caso por meio de uma amiga em comum que a revelou. Isso frustrou e irritou Olga muito fortemente, e a esposa traída decidiu sair de casa, levando o filho.

Walter foi retratada por Picasso em sua obra Mulher Sentada sobre os Cotovelos, numa época em que, ela com 17 e ele com 45, a jovem e inocente moça nem fazia ideia da expressão que ele possuía no mundo artístico. A filha em comum nunca foi reconhecida por Pablo.

Em Femme Assise Accoudée, retratando Marie-Therese / Crédito: Museu Reina Sofia

 

Então, a russa exigiu o divórcio com o excêntrico artista e se mudou para o sul da França, onde criaria Paul. Porém, Picasso se recusou a aceitar uma divisão de bens com a esposa, querendo manter suas posses. Como isso contravertia as leis do país, os dois permaneceram oficialmente casados até o fim da vida de Olga, mesmo que ambos nunca mais se falassem.

O casamento oficialmente acabou em 1955, quando a bailarina morreu por conta de um câncer, na cidade de Cannes, na França. Mesmo antes, Picasso continuou tendo diversos relacionamentos amorosos, marcados pela infidelidade e pela falta de compromisso.

Picasso se dizia um entusiasta das mulheres, e acabou tendo uma agitada vida sexual. Ficou conhecido por ter sete amantes que lhe serviram de inspiração para quadros cubistas. Mas era na cama que ele demonstrava seu maior furor: tinha sua sexualidade fortemente atrelada a um desejo por dominação e posse.

Deixando-as nuas enquanto as modelava em quadros e esculturas, Picasso enlouqueceu algumas mulheres. Ele era bastante animalesco e agitado no sexo, e mantinha-se na cola das moças até que elas se sentissem mal e debilitadas. Então, ele as abandonava, a ponto de levar uma ao suicídio.

Picasso no fim da vida / Crédito: Gatty Images

 

Uma famosa e importante amante de Picasso, no auge de sua vida artística e política, foi Henriette Theodora Markovic, conhecida pelo nome artístico Dora Maar, uma poetisa francesa que cresceu na Argentina. Ela foi não apenas musa do cubista, como também participante ativa na produção de seus quadros, pois era também uma habilidosa pintora.

A obra mais famosa em que Dora Maar contribuiu com Picasso foi Guernica, de 1937, quadro gigantesco em que o pintor denunciava os crimes de guerra realizados pela Falange de Francisco Franco com armamento e apoio da Alemanha Nazista. O período de relacionamento entre os dois foi muito frutífero.

Porém, Dora Maar se sentia profundamente angustiada com os outros relacionamentos escondidos pelo marido, coisa que a teria feito enlouquecer a ponto de ser internada num hospital psiquiátrico. O artista não deixou de se encontrar com outras mulheres por isso, abandonando a amante, que nunca mais se relacionou. Ela ficou famosa pela frase “Depois de Picasso, só Deus”.


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