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Na calada da noite: O esquecido massacre de índios de Sand Creek

Em 1864, uma batalha entre militares americanos e nativos resultou em um ataque cruel — que vitimou, em maioria, mulheres e crianças

Wallacy Ferrari Publicado em 04/02/2021, às 15h33

Ilustração do massacre
Ilustração do massacre - Domínio Público

Em 8 de fevereiro de 1864, as tribos Cheyenne e Arapahoe fizeram um acordo com o governo dos Estados Unidos para garantir o conforto e segurança das gerações seguintes cedendo a maior parte de suas terras em troca de uma reserva somada a pagamentos anuais do governo.

Apesar de criticado por parte da comunidade indígena norte-americana — deixando de ser aceito por povos com condições de barganha — o Tratado de Fort Wise passou a ser respeitado pelos meses seguintes, esfriando a relação acalorada entre os anglos e nativos de maneira pacífica.

Porém, a ascendente Guerra Civil resultou em novos conflitos; em agosto do mesmo ano, John Evans, então governador do Colorado, decidiu forjar um novo tratado de paz, cedendo acampamento próximo de fortes militares e garantindo a proteção dos nativos — contudo, o tratado serviu um ponto final para o governante, dando origem a um dos episódios mais sangrentos da história americana.

Ilustração de militares cercando acampamento indígena para ataque / Crédito: Divulgação / National Park Service

 

Massacre

Após meses acostumados no abrigo seguro, um ato de traição por parte das tropas resultou em uma movimentação na madrugada do dia 28 para 29 de novembro de 1864; sem avisar os índios, 425 combatentes ordenados pelo coronel John Chivington atacaram homens, mulheres e crianças das duas tribos.

Sem a preparação de artilharia, a correria foi ineficaz, visto que os militares cercaram as tendas montados em cavalos, perseguindo qualquer nativo que ousasse fugir.

O número de mortos nunca foi contabilizado oficialmente, mas John estimava um número entre 500 a 600 nativos, sem nenhuma morte militar.

Na versão do capitão, todos eram guerreiros indígenas — o que é contestado pela versão da testemunha branca John S. Smith, que aponta cerca de 80 nativos mortos, mas cerca de 30 sendo guerreiros.

O historiador Alan Brinkley foi mais à fundo no livro “American History: A Survey”, estimando 133 mortes, sendo 105 de mulheres e crianças.

Memorial no local onde ocorreu o Massacre de Sand Creek / Crédito: Wikimedia Commons

 

Legado sangrento

De acordo com o portal History, o massacre inicialmente teve uma recepção popular positiva, visto que as negociações tomavam um rumo que colocavam a sociedade em risco nos meses anteriores.

Contudo, no decorrer da investigação, as circunstâncias do ocorrido se tornaram públicas gradativamente, tornando o coronel Chivington um símbolo de uma chacina.

A figura pública do militar passou a ser arruinada a ponto de desistir de seguir carreina política e abandonar o cargo militar.

Os poucos nativos sobreviventes foram levados para outra reserva, já dentro do território indígena demarcado, além receberem os direitos do Tratado Arkansas Little, que prometeu reparações em dinheiro e permitiu o livre acesso as áreas cedidas anteriormente.

No entanto, o tratado foi revogado pelo governo federal menos de dois anos depois, reduzindo o território demarcado em 90% e, posteriormente, deixando os nativos desamparados.

O que resta do local de Sand Creek é um memorial inaugurado em 2007, 141 anos após a tragédia, sendo preservado pelo National Park Service.


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