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Na Era Vitoriana, existiam regras insólitas para viver o luto

Naquela época, as pessoas temiam e respeitavam a morte e, por isso, seguiam diversas normas durante o período de luto

Pamela Malva Publicado em 13/12/2019, às 08h00

Pintura Memories, de Frederic Leighton
Pintura Memories, de Frederic Leighton - Getty Images

A Era Vitoriana ficou marcada na história do Reino Unido como um período de paz e prosperidade. Ao mesmo tempo, enquanto a Revolução Industrial atingia seu auge e trazia lucro para o Estado britânico, o país passava por moralismos sociais e sexuais, costumes rígidos e um fundamentalismo religioso.

O rigor e a formalidade faziam parte do dia a dia do povo e muitas regras eram aplicadas aos seus vários rituais. Um deles era o luto. Durante toda essa Era, as pessoas temiam a morte e sentiam que, para honrar aqueles que morreram, deveriam estar em luto em qualquer lugar, seja quais fossem as situações.

A primeira regra básica do luto vitoriano era o uso indiscutível do preto. Entretanto, diferente da forma como fazemos hoje, as roupas pretas deveriam ser usadas por um longo período, que dependia da sua relação com o morto. Quanto mais próximos eram, mais tempo a pessoa deveria ficar vestida de preto.

A Rainha Victoria em suas roupas de luto após a morte de seu marido, Príncipe Albert / Crédito: Getty Images

 

Amigos, empregados e conhecidos não precisavam se vestir de preto por muito tempo, mas irmãos, por exemplo, deveriam usar as roupas de luto (as mourning clothes) por seis meses. No caso dos pais do falecido, o período de luto poderia durar quanto eles sentissem que fosse necessário.

Por outro lado, as viúvas deveriam vestir as roupas de luto todos os dias por até quatro anos depois da morte e seus maridos — podendo, ainda, escolher usar preto pelo resto da vida. Deixar de usar o traje era considerado desrespeitoso com o falecido e, caso a viúva fosse jovem e atraente, sugeria promiscuidade sexual.

Durante todo o período, nenhum homem ou mulher poderia participar de eventos sociais. Criados deveriam usar braçadeiras pretas, sinalizando um falecimento na casa onde trabalhavam. Um acessório igual era usado pelos militares em descanso — para aqueles em exercício de suas funções, um uniforme específico entrava em ação.

Mulher posando com suas roupas de luto em 1880 / Crédito: Getty Images

 

Para as mulheres, as roupas de luto eram compostas por vestido pretos pesados e volumosos, junto de véus, chapéus e jóias especiais. Algumas dessas jóias poderiam até mesmo ser feitas a partir do cabelo do falecido. Nesse sentido, os ricos costumavam usar medalhões presos às vestes para segurar uma mecha do cabelo do falecido.

Homens deveriam usar ternos, calças, casacos e coletes pretos, todos combinando. Muitas vezes, as roupas de luto masculinas eram uma versão preta das vestes usadas em casamentos e outras ocasiões formais.

Com o tempo, no entanto, homens e mulheres poderiam voltar a introduzir cores aos seus visuais. Essa reintrodução acontecia durante o período conhecidos como meio luto e cores suaves como lilás, cinza e lavanda eram as mais usadas.

A Rainha Guilhermina da Holanda e sua mãe, Rainha Emma, ​​usam seus vestidos de luto / Crédito: Getty Images

 

Em contextos gerais, outras regras existiam. Ao encontrar uma procissão fúnebre, era preciso virar de costas — caso não fosse possível, a pessoa deveria segurar um botão até que o cortejo passasse —, já que tais rituais davam má sorte. No caso de funerais, não era permitido apenas comparecer à cerimônia, era necessário receber um convite formal por escrito antes.

Além dessas, outras superstições eram muito comuns e consideradas verdadeiras, por mais absurdas que fossem. Por exemplo, as pessoas costumavam prender a respiração enquanto passavam por um cemitério, caso contrário, acreditavam que não seriam enterradas. O universo de tais costumes era muito vasto e todos deveriam fazê-los, de plebeus a reis e rainhas.


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