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Entenda a importância do debate racial no Big Brother Brasil

A última semana no reality show da Rede Globo parou o país e gerou polêmica nas redes sociais

Alana Sousa Publicado em 10/04/2021, às 07h00

Montagem de João Luiz ao lado de Rodolffo
Montagem de João Luiz ao lado de Rodolffo - Divulgação

Era uma terça-feira comum para o telespectador do Big Brother Brasil. Liga-se a televisão com a expectativa de ver quem será o eliminado da semana no reality show de maior audiência do Brasil. Desta vez, entretanto, um dos emparedados estava envolvido em uma polêmica sobre racismo; diferente de outras edições, o apresentador interferiu e o país parou para ouvir.

Tiago Leifert avisou ao público que daria uma pausa no jogo e falaria como um “amigo” dos participantes. Após um comentário infeliz e controverso de Rodolffo, cantor sertanejo, sobre o cabelo black power de seu colega de confinamento, João Luiz, a internet se revoltou apontando mais uma fala racista e pedindo uma resposta da rede televisiva.

Ao comparar o cabelo de João a uma peruca que representava um homem da Idade da Pedra, o músico virou a principal pauta nas redes sociais. O próprio João se mostrou incomodado, chorou escondido e disse que se machucou profundamente.

Rodolffo utilizando a peruca que foi centro da polêmica / Crédito: Divulgação

 

Enquanto isso, Rodolffo continuava sua rotina normalmente na casa, até que durante uma dinâmica no programa ao vivo, na segunda-feira, 5, o professor explodiu e falou tudo aquilo que estava engasgado há dias.

Grande parte dos internautas se emocionou com a atitude do participante, com importantes comentários de pessoas pretas que sentiam na pele aquela dor desde que haviam nascido. Assim, Leifert — não se sabe se por vontade própria ou pressão dos patrocinadores do BBB — fez um discurso histórico.

Enfatizando que ele era apenas um homem branco e tinha consciência de que aquele não era seu local de fala, Tiago deu uma breve aula para Rodolffo: “Um cabelo black power não é um penteado. É mais do que um penteado. É um símbolo de luta, resistência, foi o que os pretos americanos usaram como símbolo antirracista, eles vestiam o black power para mostrar que eles se amavam”.

Alguns participantes choraram ao ouvir o discurso, fora da casa, críticas e elogios. Ainda assim, não foi possível ignorar a quantidade de pessoas que chamaram a dor de João de “mimimi”, uma maneira grotesca de invalidar o sofrimento de um homem machucado.

Tiago Leifert durante seu discurso / Crédito: Divulgação/Youtube

 

As causas sociais e o Big Brother Brasil

Embora tenha acontecido episódios racistas no passado, como na edição de 2019, na qual Paula von Sperling frequentemente demonstrava seu pensamento controverso. Um exemplo polêmico foi quando afirmou ser contra cota em universidades: “é uma forma de racismo do Estado”, disse a advogada que chegou a ganhar o prêmio final.

Dois anos mais tarde, a situação está sendo outra. O debate racial cresce cada vez mais, tornando inadmissível que cenas racistas passem batido. O problema maior foi dos telespectadores, muitos deles jovens, que alegavam que a pauta não deveria ser debatida no programa da Rede Globo.

Vale então refletir: se não podemos debater sobre o racismo no programa que foi assistido por 43,7 milhões de pessoas em sua estreia, e que tem uma média de audiência diária de 39,9 milhões de brasileiros, segundo o PNT, qual é o lugar ideal para discutirmos o tema?

João chorando durante a dinâmica ao vivo / Crédito: Divulgação/Youtube

 

A televisão continua sendo o principal meio de informação de muitos moradores em áreas remotas do Brasil que não possuem acesso à internet, como alcançar essas pessoas senão trazendo o debate para a TV aberta?

É retrógrado pensar que a questão racial não pertence ao grande público, restringindo-se apenas ao nicho jovem e presente no mundo cibernético. Mais do que nunca, é hora de repreender pensamentos tais como o de Rodolffo que, segundo ele, foi apenas uma brincadeira sem intenção de machucar.

Há um limite entre dinâmicas, provas e votações de um programa recreativo e a relação interpessoal entre seus jogadores, que está sujeita a falhas que devem ser corrigidas. Assim como fora dos estúdios Globo estes comentários não são meras brincadeiras que podem ser relevadas, em frente às câmeras uma regra deve ser clara: racismo não é entretenimento.


**A análise não representa, necessariamente, a opinião do site Aventuras na História.


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