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Nascimento dentro do túmulo: Mulher medieval pariu bebê depois de enterrada

Em 2018, foi revelada uma sepultura na Itália com um macabro parto

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 05/09/2021, às 09h00 - Atualizado às 14h23

Fotografia do esqueleto com o feto entre as pernas
Fotografia do esqueleto com o feto entre as pernas - Divulgação/ World Neurosurgery

Em 2018, foi publicado o estudo a respeito de uma descoberta arqueológica única que havia sido feita na Itália. Se tratava de um túmulo de pedra datado do período entre o século 7 e o 8 que continha os esqueletos de uma mulher e seu bebê.

O estudo que examinou a excêntrica sepultura foi publicado no periódico científico World Neurosurgery e repercutido pela revista Forbes. 

Um detalhe curioso é que, através da análise do posicionamento dos ossos do feto, era possível perceber que ele havia nascido após o enterro de sua mãe. Vale destacar, no entanto, que já veio ao mundo morto. 

Ele teve um parto somente parcial, de forma que sua parte superior emergiu, porém suas pernas estavam dentro do corpo da mãe. 

Os pesquisadores descobriram que quando o cadáver foi enterrado, a gravidez já era avançada, tendo alcançado 38 semanas, ou o equivalente a 8,7 meses. Essa conclusão foi constatada ao verificar-se o comprimento dos ossos da coxa do bebê. 

Parto post mortem

A ginecologista e obstetra Jen Gunter, de São Francisco, buscou explicar como ocorreria um nascimento dentro de um túmulo, após a morte da mãe.

“O colo do útero não deve relaxar com a morte após o desaparecimento do rigor mortis. Suspeito que o que aconteceu é que a pressão do gás aumenta e o feto morto é liberado por meio de uma ruptura - basicamente abre um buraco através do útero para a vagina, já que a vagina é muito mais fina que o colo do útero", disse ela. 

Episódios como esse, todavia, ainda não foram muito estudados pelo campo médico, devido à sua raridade.

Foto próxima da localização dos ossos do feto / Crédito: Divulgação/  World Surgery

 

Cirurgia craniana 

Isso, porém, não foi tudo que os arqueólogos encontraram: o crânio da mulher também  trazia uma lesão na região da testa característica de um procedimento de cirurgia craniana medieval conhecido como "trepanação".

Esta é uma operação cerebral que fazia furos na cabeça do paciente. No caso do esqueleto citado, havia um buraco de 5 milímetros de diâmetro. 

Exemplo meramente ilustrativo de crânios perfurados pelo procedimento / Crédito: Divulgação/ Wikimedia Commons

 

Assim, a equipe de especialistas envolvida no estudo do conteúdo da sepultura também buscou relacionar o ferimento que o esqueleto adulto trazia na cabeça com sua morte. 

“Como a trepanação já foi usada com frequência no tratamento da hipertensão para reduzir a pressão arterial no crânio, teorizamos que essa lesão poderia estar associada ao tratamento de um distúrbio hipertensivo da gravidez”, escreveram os autores na pesquisa publicada. 

Existe ainda uma condição específica de gestantes chamada eclampsia, que provoca pressão arterial elevada, febre, dor de cabeça, e, mais tarde, gera inclusive convulsões. Os pesquisadores teorizaram que a mulher enterrada poderia ter sofrido dessa complicação. 

A tentativa de salvá-la com a cirurgia craniana não foi bem-sucedida, porém, e ela teria vivido por cerca de uma semana após o procedimento. 

De forma geral, esse achado arqueológico traz informações importantes a respeito da medicina da época e também da mortalidade materna e infantil, configurando um exemplo único de esqueleto de uma mulher grávida que passou por uma cirurgia invasiva no crânio e depois deu à luz em seu túmulo. 


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