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Nazis na América: O projeto Guiana em 5 curiosidades

Após expedição pelo Amapá, alemães criaram um plano para invadir as Três Guianas, mas tudo isso não acabou saindo do papel. Entenda as motivações e a causa do insucesso!

Fabio Previdelli Publicado em 15/05/2021, às 10h00

Hitler fazendo saudação nazista
Hitler fazendo saudação nazista - Montagem/ Getty Images/Pìxabay

Com a chegada dos nazistas ao poder, iniciou-se também uma fase de exploração alemã por diversas partes do globo. Como conta matéria da Superinteressante, Heinrich Himmler, um dos principais líderes do Partido Nazista da Alemanha, adorava excursões peculiares, ainda mais se elas pudessem “provar” a superioridade da “raça ariana”. 

Para se ter uma ideia de sua insanidade, Himmler acreditava que a cidade perdida de Atlântida existia e estava realmente só ‘perdida’ por aí, além disso, o martelo de Thor também era um artefato mitológico que estava guardado pelo mundo, bastava os pesquisadores certos para encontrá-los. 

Por essas e por outras, o chefe da SS autorizou excursões pelo Tibete, pela região do Cáucaso, pela Antártida e, pasmem, até mesmo pelo Brasil, mais precisamente pelo Amapá. 

O reichsführer Heinrich Himmler/ Crédito: Getty Images

 

O encarregado pela chamada Expedição Jari, segundo aponta a Super, era o geógrafo, escritor e produtor de filmes Otto Schulz-Kampfhenkel, que se destacou por escrever um livro de sucesso sobre sua jornada na Libéria. 

Junto dele estavam alguns outros alemães, como os pilotos Gerd Kahle e Gerhard Krause. Juntos, o grupo passou cerca de 17 meses explorando o afluente do Amazonas, onde colheram informações para um plano de invasão e colonização da Amazônia. 

Conheça a Expedição Jari em 5 curiosidades. 

1. “A sensacional expedição ao Jari” 

A empreitada dos nazis por terras tupiniquins começou em 1935. Como explica matéria da Super, eles chegaram ao Rio de Janeiro em junho, onde ficaram por cerca de dois meses resolvendo problemas burocráticos.  

Apesar disso, o grupo contava com a simpatia governo, já que naquela época Vargas demonstrava certa admiração pelo caminho que a Alemanha estava tomando. Por aqui, eles se encontraram com outro alemão, Joseph Greiner, encarregado pelas bagagens e logística dos nazis, e que tem um ponto interessante nessa história. 

Para se ter uma ideia de como os germânicos foram saudados quando chegaram aqui, o jornal Gazeta de Notícias, do Rio, publicou uma matéria exaltando “a sensacional expedição ao Jari”, que era digna dos "mais francos aplausos". Além disso, Otto era visto como “uma expressão brilhante da moderna geração que ora está surgindo cheia de vida e coragem, disposta a derrubar os obstáculos que entravam a marcha da civilização”.


2. Inimigo: Natureza 

O destino final dos alemães era a fronteira com a Guiana Francesa, só que para isso eles precisariam percorrer um longo caminho a pé, principalmente pelo fato do avião deles ter parado de funcionar. Assim, eles tiveram que contar com a ajuda de tribos locais. 

Porém, a selva que já era perigosa para os nativos, se tornou um predador nato dos mais aventureiros. A malária afetou a todos. Já Schulz-Kampfhenkel teve difteria. Com menos sorte, Greiner teve uma febre misteriosa e acabou não suportando os sintomas.  

Ele foi sepultado em um cemitério isolado, embaixo de uma cruz de madeira de três metros de altura com uma suástica no topo. Abaixo do símbolo havia uma placa com os dizeres: “Joseph Greiner faleceu aqui em 2-1-36 de morte febril em serviço de exploração para a Alemanha. Expedição Jari, 1935-1937”. Foi por conta de seu enterro, aliás, que descobriu-se mais detalhes sobre a expedição anos depois.


3. Material recolhido 

Apesar da baixa, os alemães tiveram um saldo positivo da viagem. Em 1937, quando retornaram para a Europa, levaram na bagagem diversos répteis e anfíbios, trouxeram também a pele de 500 mamíferos e mais de 1.500 artefatos considerados por eles “arqueológicos”, mas que na verdade eram objetos fraudados para corroborar com a tentativa nazista de reescrever a história, como explica a Super. 

Otto também aproveitou a viagem para tirar milhares de fotografias e gravar mais de 2.700 metros de filme. Com os registros foi produzido o documentário Rätsel der Urwaldhölle (ou “Enigma da Selva Infernal”, em tradução livre). 

O filme foi lançado em 1938, junto a um livro escrito pelo nazi. Assim como sua outra obra, o escrito se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares.


4. Conquista das Guianas 

Além de tudo isso, a expedição também rendeu um plano de dominação nazista. Para Otto, que neste ponto já era filiado à SS, o Amapá seria a ponta de entrada para a dominação das 'Três Guianas': a Francesa; a Britânica, hoje apenas Guiana; e a Holandesa, atual Suriname.  

Para Schulz-Kampfhenkel, “a tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões políticoestratégicas e coloniais”. Detalhes da invasão são registradas no livro Das Guayana-Projekt – Ein deutsches Abenteuer am Amazonas, (ou “O Projeto Guiana – Uma Aventura Alemã no Amazonas”). 

Tudo começaria com cerca de 150 homens partindo do Jari em direção a capital da Guiana Francesa, a cidade de Caiena. Paralelamente, embarcações e submarinos invadiriam a costa da Guiana Britânica. A Holandesa seria dominada logo em seguida. 

Avião usado para sobrevoar a região/ Crédito: Rede Amazônica

 

Após isso, uma base nazista seria montada para atacar, no futuro, o Japão, por meio do Canal do Panamá. O livro diz que Otto tratava o plano como “romântico, mas factível”. Além do mais, ele tinha o sonho de governar a futura Guiana Alemã.


5. Dominação por tabela 

O plano ficou adormecido por um tempo, mas voltou a brilhar o olhos de alguns nazis em 3 de abril de 1940, quando o oficial Heinrich Peskoller endereçou uma carta para Himmler sugerindo que Hitler tomasse a região. 

“Na Guiana Britânica, a extração de ouro e diamante é mantida em baixa para não atrapalhar o mercado sul-africano [também sob domínio dos britânicos]. Nas mãos do Führer, cada metro quadrado de solo poderia ser em pouco tempo explorado pela grande Alemanha”, disse Peskoller

“O empenho e a técnica alemã poderiam domar as inúmeras cachoeiras na forma de usinas hidrelétricas colossais. Todo o país teria bondes, navegação fluvial, produção de madeiras nobres, pontes, aeroportos, escolas e hospitais. A comparação entre antes e depois da tomada dos alemães contaria pontos para o Führer”, completou. 

Porém, apesar do clamor, o plano não seguiu, já que os nazistas, naquele ponto, já haviam ocupado a Holanda e a França e, por consequência, julgavam que a suas colônias na América também estavam sob sua posse. Para os alemães, assim que eles ganhassem a guerra, bastava apenas vir reivindicar seus territórios. Porém, a vitória alemã no front jamais veio. 


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