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Nepotismo, execuções e um filho ilegítimo: o controverso Papa Sérgio III

Responsável pelo papado entre 904 e 911, o clérigo se manteve no centro de diversas polêmicas e foi responsável por medidas questionáveis

Pamela Malva Publicado em 13/05/2020, às 17h00 - Atualizado às 17h18

Ilustração do papa Sérgio III
Ilustração do papa Sérgio III - Wikimedia Commons

Entre todos os papas já eleitos na Igreja Católica, diversos nomes ficaram marcados em polêmicas mundiais. O papa Pio XII, por exemplo, tinha total conhecimento dos horrores ocorridos no holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

Assim, não é difícil de imaginar que outras entidades papais tenham gerado escândalos enquanto estavam no cargo pontifical. Em meados de 900 d.C. foi Sérgio III quem virou a igreja de cabeça para baixo com suas atitudes contraditórias.

De origens nebulosas, o homem passou por uma trajetória religiosa bastante sinuosa, com traições, exílios e muitas mortes. Por diversas vezes, no entanto, tais situações trágicas eram motivadas pelo próprio Sérgio III.

Ilustração do papa Sérgio III / Crédito: Wikimedia Commons

Odiado pelo papa

Apesar da infância do religioso ser desconhecida, acredita-se que ele tenha nascido em uma família nobre, em Roma. Biógrafos, todavia, afirmam que Sérgio III, na verdade, foi da família de Teofilato I, de Túsculo, por seu título de Conde.

Enquanto a vida pessoal do homem foi mantida a sete chaves em grande parte de sua vida, é sabido que, durante o pontificado do papa Formosus, Sérgio III foi aliado do imperador Lambert. Naquela época, portanto, ele era oponente direto do pontífice.

Em meados de seu pontificado, que durou entre 891 e 896, Formosus percebeu o forte oponente e decidiu tomar algumas precauções. Assim, consagrou Sérgio III como bispo de Caere para forçá-lo a sair de Roma, em 893.

Foi apenas com a morte de Formosus que o religioso conseguiu retornar para sua cidade natal e buscar pelo cargo de pontífice. Nesse meio tempo, Sérgio III ainda participou do julgamento póstumo de Formosus, que contava com o cadáver do papa falecido na cadeira dos acusados.

As eleições da sua vida

Em meados de 898, Sérgio III aliou-se aos seus poucos seguidores da nobreza romana e tentou conquistar o papado, indo contra os desejos do imperador. Nas eleições, então, ele foi escolhido como papa — mas as coisas estavam longe de acabar.

Com o apoio da coroa e do imperador, João IX, o rival de Sérgio III, era o preferido na corrida pelo cargo religioso. Assim, em uma eleição manipulada pelos desejos do governante, João IX foi escolhido o mais novo papa da Igreja Católica.

Uma vez no poder, o primeiro ato do novo pontífice foi convocar um conselho e julgar Sérgio III e seus seguidores. Sem qualquer amparo, o religioso romano foi considerado incapaz de manter em seus cargos religiosos e, assim, foi excomungado e exilado.

Ilustração do papa Sérgio III / Crédito: Wikimedia Commons

 

O começo da corrida

Em 903, o antipapa Cristóvão tentou aplicar um golpe no pontificado. Nesse momento, uma parcela da nobreza pediu que Sérgio III retornasse para acabar com os planos do traidor e se tornar papa de uma vez por todas.

Atendendo aos pedidos, o religioso retornou à Roma e foi consagrado papa em 29 de janeiro de 904. O novo pontífice, então, aliou-se a Teofilato, que se tornou o principal oficial no topo do mecenato papal. 

Agora pontífice, Sérgio III estava livre para dar início à sua enorme lista de decisões questionáveis. A primeira delas foi a execução do papa Leão V e do antipapa Cristóvão por estrangulamento, em 904 — ordem que pode, ou não, ter partido de Teofilato.

Um papa problemático

Durante todo o seu pontificado, Sérgio III ainda praticou nepotismo, colocando sua família e membros de seu partido em cargos de autoridade na igreja, e exigiu que cada bispo de Formosus fosse deposto. Todos os seus atos, é claro, eram acompanhados por ameaças de exílio, violências e subornos.

Como se as agressões e corrupções não fossem o suficiente, Sérgio III também manteve um relacionamento adúltero e secreto com Marozia, a filha de Teofilato. Com a jovem, o papa supostamente teve um filho, que cresceu para se tornar o papa João XI.

A vida polêmica de Sérgio acabou apenas em abril de 911, quando um dos papas mais escandalosos da história morreu. Sérgio, então, foi sucedido por Anastácio III e seu corpo foi enterrado na Igreja de São Pedro. 


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