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Neste dia, em 1919, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht eram brutalmente torturados e executados em Berlim

Os líderes do movimento marxista na Alemanha foram mortos por um grupo paramilitar que não aceitava a derrota do país na Primeira Guerra

Caio Tortamano Publicado em 15/01/2020, às 11h04

Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo
Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo - Getty Images

Temendo que o momento pós Primeira Guerra Mundial tornasse a decadente Alemanha em um projeto socialista como a Rússia, o governo de Friedrich Ebert passou a assassinar as lideranças de esquerda no país como forma de controlar a crescente popularidade do movimento.

Duas das vítimas foram Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. Luxemburgo era uma pacifista que passou os quatro anos do conflito internacional presa após organizar um comício em Frankfurt pedindo para que os soldados boicotassem o combate e que os operários organizassem greves em suas fábricas.

Já Liebknecht, fundou o Partido Comunista da Alemanha e foi o único parlamentar que votou contra o financiamento de guerra, tentando evitar a todo custo que a Alemanha ingressasse na Primeira Guerra Mundial.

Em 1918, os dois fizeram parte da liderança da Liga Espartaquista, uma das frentes que ajudaram na Revolução Alemã. Essa revolução derrubou o imperador Guilherme II e culminou na entrada dos sociais democratas ao poder.

O protagonismo dos militantes enfureceu o grupo paramilitar dos Freikorps, indignados com a república recém-estabelecida, mas que odiavam ainda mais o marxismo pregado por Rosa e o avanço dos ideais comunistas.

Freikorps, paramilitares que surgiram na Alemanha depois da derrota do país na Primeira Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 15 de janeiro de 1919 tanto Luxemburgo como Karl foram levados para um interrogatório no hotel Eden, em Berlim. Depois de terem coletado informações o suficiente — ou, talvez, nenhuma relevante — os veteranos de guerra espancaram os dois rigorosamente.

Liebknecht seria levado para uma prisão após levar dois fortes chutes de um membro dos Freikorps, deixando-o atordoado. Depois de ser colocado dentro de um carro, os militares já sabiam o trágico fim que Karl teria.

O local de assassinato foi o Tiergarten, o grande parque de Berlim. Chegando lá, o parlamentar morreu com tiros a sangue frio e foi abandonado sozinho. Ao ser encontrado, noticiaram a sua morte como a resposta de uma suposta tentativa de fuga que nunca existiu.

Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, ambos tiveram uma terrível morte / Crédito: Getty Images

 

Luxemburgo teve uma morte ainda mais brutal. Seu crânio foi esmagado com diversos pontapés e socos desferidos pelos Freikorps, mas não demoraram tanto para dar fim à sua vida com um tiro na nuca.

Seu cadáver foi colocado dentro de um saco amarrado com algumas pedras, tornando mais difícil que fosse encontrado tão rapidamente. Como consequência, os restos só foram encontrados em junho, depois de terem sido jogados no rio. A nota oficial afirmou que sua morte foi decorrente de um linchamento.

O assassinato representou o início de uma era sombria e de distúrbio na Alemanha, que viria a durar até a queda do muro de Berlim, como um dos marcos do final da Guerra Fria, em 1989.


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