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Neste dia, em 1945, moradores de Demmin tiravam a própria vida após a queda do Reich

Uma dos episódios de maior número de vidas alemães perdidas em um curto período de tempo foi perpetrado pelos próprios alemães

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/05/2021, às 08h00

Fotografia mostrando cidade de Demmin em ruínas após invasão inimiga
Fotografia mostrando cidade de Demmin em ruínas após invasão inimiga - Divulgação / Statt-Museum Demmin

Era 1945, e um batalhão russo estava para invadir Demmin a qualquer momento. Não havia sentido em resistir - os civis alemães do local estavam cercados por soldados altamente armados, e a guerra havia terminado com a derrota da Alemanha. Aquele era o fim. 

Embora essa situação desfavorável pudesse levar outros a pedirem por trégua, todavia, não foi o que aconteceu ali. Isso pois Demmin não era qualquer cidade alemã: sua população era particularmente dedicada à ideologia nazista, e um dos mais evidentes efeitos dessas crenças irredutíveis ocorreu no fim da Segunda Guerra Mundial, quando eles empreenderam um avassalador suicídio em massa. 

Demmin antes de ser devastada pelo conflito / Crédito: Divulgação/  Statt-Museum Demmin 

 

Futuro assustador 

Segundo documentado pelo livro “Promise Me You Shoot Yourself: The Downfall Of Ordinary Germans” (Ou, em tradução livre, “Prometa-me Que Você Vai Se Matar: A Queda Dos Alemães Ordinários”), escrito por Florian Huber, o suicídio em massa ocorrido em Demmin não foi um caso isolado - diversos alemães por todo o país tiraram suas próprias vidas. É a escala em que o fenômeno se manifestou nessa cidade em específico que impressiona. 

Houve diversos motivos que levaram a população alemã em geral e a população de Demmin em particular a selarem seus destinos de maneira tão violenta. Um deles é que a derrota no conflito internacional sem dúvida iria ter grandes impactos na vida dali para frente, e para alguns isso era demais para suportar, com a morte sendo preferível ao futuro incerto como nação perdedora. 

“Muitas pessoas se sentiram culpadas e enredadas. Eles estavam com medo do que poderia vir a seguir. Muitos não podiam sequer imaginar como seria o mundo após esses doze anos em estado de emergência. Essa sensação de estar condenado prevaleceu em todo o país...Famílias inteiras cometeram suicídio em toda a Alemanha”, relatou Huber, de acordo com o que foi repercutido pelo site escocês The National Scot em uma matéria de 2020. 

O medo do Exército Vermelho 

Outra preocupação, mais imediata, diz respeito ao próprio Exército Vermelho. O Ministério da Propaganda do Terceiro Reich, que era liderado pelo habilidoso Joseph Goebbels, vinha fazendo uma verdadeira campanha de demonização do inimigo, procurando convencer as pessoas que os soldados russos iriam mutilar, torturar e estuprar todos os civis em seu caminho (histórias que, embora sejam de fato condizentes com os horrores praticados durante uma guerra, eram aumentadas consideravelmente pela propaganda do período). 

Ainda de acordo com o livro de Huber, a semeadura do medo tinha por objetivo motivar os alemães a resistirem com mais ferocidade aos batalhões que invadiam o país. Quando a notícia do suicídio de Hitler em 30 de abril disseminou-se, contudo, ficou claro que não havia mais esperança de uma vitória, e que o Exército Vermelho iria tomar conta da Alemanha. 

Nesse cenário, é possível entender como uma porção da população da nação derrotada decidiu que era melhor morrer enquanto ainda tinha controle do próprio destino do que esperar para ver o que o inimigo russo iria fazer com eles.

Além disso, para aqueles fiéis ao Partido Nazista, ainda havia o estímulo adicional de seguir os passos de seu líder, o Führer. 

Cenas de horror

Outra fotografia mostrando ruínas de Demmin após a invasão russa / Crédito: Divulgação/  Statt-Museum Demmin 

 

Assim, voltando a Demmin, quando os soldados da nação comandada na época por Stalin adentraram a região, não demoraram para encontrar corpos desfalecidos por todos os lados. 

Eles haviam realizado sua invasão na noite de 30 de abril, e em 1 de maio, quando a população local ficou sabendo sobre sua chegada, os cadáveres começaram a acumular-se. Ainda segundo o The National Scot, foram cerca de 1.000 vítimas em uma cidade de 15 mil habitantes. 

Os moradores haviam se suicidado como conseguiam: alguns envenenaram-se com cianeto e outras substâncias tóxicas que tinham à mão, outros cortaram veias importantes do corpo, enrolaram cordas no pescoço ou então pularam no rio da cidade para afogar-se. 

Esse acabou sendo um dos episódios em que mais alemães morreram de uma vez só durante a Segunda Guerra, todavia, ao contrário da maioria das tragédias de guerra, que tiveram baixas causadas pelos países inimigos, foram os próprios alemães os perpetradores das mortes.


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