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Ng Chhaidy, a jovem que se perdeu na selva de Myanmar por décadas

A angústia da família já era quase nula quando receberam a notícia de que a filha, sumida desde 1974, poderia estar em outro país

Wallacy Ferrari Publicado em 08/08/2020, às 09h00

Fotografia de Chhaidy em 2015
Fotografia de Chhaidy em 2015 - Divulgação/Megazinos

Em 1974, a jovem Ng Chhaidy brincava nos campos de um pequeno vilarejo com cerca de 150 famílias, localizado em Saiha. O distrito, ao sul de Mizoram — fronteira indiana com Myanmar — abrigava a jovem garota, com quatro anos de idade na época, e sua prima Beirakhu. Ao lado da aldeia, um grande matagal era palco das atividades recreativas das duas crianças.

Em certa ocasião, as crianças desapareceram, movimentando toda a aldeia para reencontrá-los. Um dia depois, no entanto, um forte temporal acometeu a região, chegando a derrubar árvores e diminuir a crença popular de que as meninas poderiam estar vivas, visto que crianças jamais sobreviveram sozinhas em uma situação tão desastrosa.

A esperança, no entanto, surgiu com Beirakhu sendo encontrada à beira de um riacho. Apesar de machucada, estava com vida e afirmou que foi ajudada por uma mulher na floresta. A prima Chhaidy, no entanto, se perdeu; nem a tal mulher nem a garota foram encontradas. Nem mesmo vestígios de vestimentas ou pegadas. Para a família, essa teria sido a última história de Chhaidy nos próximos 38 anos.

Velho conhecido

Em 2012, a mãe de Chhaidy, Ngola, organizou um jantar com parentes na mesma aldeia. Entre os convidados, uma familiar que, há alguns anos, residia em Myanmar. Durante o festejo, a convidada revelou que, na cidade que residia, havia a história de uma garota que surgiu da floresta selvagem com características semelhantes às de sua filha.

De acordo com a visitante, a moça selvagem foi encontrada sem roupas e com graves problemas de saúde em um cemitério. Khaila, o pai da garota, decidiu ir mais longe, perguntando onde a garota poderia estar. Descobriu que havia sido adotada há quatro anos, mas aguardava reivindicação de familiares. Sabendo disso, os pais de Chhaidy contaram a história do desaparecimento para a convidada, revelando que a mesma poderia ser sua filha.

A mesma apontou o local e orientou que o casal fizesse uma viagem de confirmação. Ainda no mesmo ano, Khaila vendeu diversos itens de sua casa para pagar a viagem. Quando chegou a Myanmar, o reconhecimento foi simples; a filha tinha a mesma marca de nascença e pontos onde teve piercings instalados. Também era canhota e semelhante às feições de Ngola. Chhaidy havia sido encontrada aos 42 anos, mas não conseguia se lembrar de sua infância.

Chhaidy revisita o matagal que desapareceu, em 2015 / Crédito: Divulgação/Megazinos

 

Onde esteve Chhaidy?

Falando poucas palavras, a mulher se comportava como um primata; forçando uma postura reta, tinha unhas grandes, mas não externava agressividade. Gostava de brincar, independentemente da idade do parceiro de brincadeira. Por anos, não teve assistência médica ou psicológica, demonstrando dificuldades de aprendizado e dezenas de lesões pelo corpo.

No dia seguinte a descoberta do pai, conseguiu pronunciar a palavra “ippa”, que significa ‘pai’ na língua birmanesa. A conferência externa foi suficiente para que as autoridades permitissem seu retorno à Índia. Por lá, pronunciou a palavra “inna”, assim que viu a mãe. Desde então, passou a aprender atividades cotidianas gradativamente, embora tenha uma adaptação lenta.

De acordo com o Daily Mail, até 2012 ela auxiliava a mãe em atividades domésticas. Também completava sentenças e já reconhecia familiares, incluindo a prima Beirakhu. Porém, não conseguiu explicar por onde esteve durante 38 anos, alegando, em poucas palavras, que sentiu fome, frio e dor. Todavia, a redação da Aventuras não encontrou informações sobre o atual estado de Ng. 


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