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O czar desastrado: Há 125 anos, Nicolau II assumia o trono da Rússia

Marcado por inúmeras tragédias, o seu mandato criaria o cenário perfeito para a Revolução de 1917

André Nogueira Publicado em 01/11/2019, às 08h00

O czar culto, mas incompetente
O czar culto, mas incompetente - Klimbim

Nascido em 18 de maio de 1868, Nicolau Aleksandrovich Romanov, declarado Nicolau II, czar do Império Russo em 1894, foi uma figura incomum. Muitos que o conheceram falavam sobre a facilidade em confundi-lo com um nobre inglês.

Filho do czar Alexandre III, responsável por um governo extremamente conservador que destruiu as reformas liberais anteriores, Nicolau teve uma educação de primeira linha e foi obrigado desde cedo a aprender a se comportar e pensar em seu futuro governo.

Coroa de Nicolau II / Crédito: Reprodução

 

Em 1881, quando se tornou sucessor do trono — czarevich —, Nicolau passou a morar no Palácio de Gatchina, fora do centro de São Petersburgo, e foi submetido a uma educação rígida. Lá, foi introduzido aos costumes da burguesia inglesa, como quartos minimalistas, banhos frios e mingau, e se viu rodeado de ícones religiosos. Lá, teve aulas de língua inglesa, francesa e alemã, geografia, valsa, guerra e outros temas.

Nicolau falava as três línguas fluentemente, a ponto de já ter enganado um professor universitário de Oxford passando por cidadão inglês.

Nicolau II / Crédito: Reprodução

 

Em 1890, Nicolau e o irmão saíram em uma viagem financiada pelo pai, passando pela Índia, Egito e Japão, com o objetivo de obter educação através do contato com diferentes culturas e novos ambientes. Durante a viagem, Nicolau sobreviveu a uma tentativa de assassinato.

Nicolau tinha personalidade calma e tímida. Gostando mais da vida doméstica, adorava dançar, caçar e cavalgar - práticas comuns entre os ingleses, mas não entre os russos. Era famoso por não ter um comportamento considerado padrão, por tomar decisões de maneira atrapalhada e por tentar conciliar opinião pessoal e obrigações políticas. Nessa linha, contrariando seus pais, Nicolau casou-se com Alice de Hesse-Darmstadt (Alexandra Feodorovna), filha do Grão-Duque de Hesse.

Quando, em 1894, o czar Alexandre III morreu, Nicolau II assumiu o governo da Rússia. Sua formação pessoal o fazia um nobre elegante e ilustrado, mas não o estrategista de mão-firme que seria necessário para manter um Império.

Durante sua coroação oficial, em 1896, foi organizada uma festa popular em sua homenagem no campo de Khodynka, arredores de Moscou. O czar estava na Catedral do Kremlin quando uma histeria coletiva em confronto com o Exército levou a um massacre de mais de mil pessoas. O massacre de Khodynka foi o pé esquerdo com o qual Nicolau começou seu governo.

Nicolau II tinha um péssimo senso político. Em seu governo, ocorreram situações inconcebíveis para muitos monarcas. Aos poucos, foi sendo criada uma imagem negativa da Família Real, com seu filho hemofílico tratado pelo místico religioso Grigoryi Rasputin.

Família Real Russa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em seu reinado, Nicolau se queimou pelo Massacre de Khodynka, pelo Domingo Sangrento de 1905, pela decadência econômica da Rússia, pelas revoltas camponesas, pela perseguição aos judeus (pogroms de 1903 a1906), por entrar em guerra com o Japão, pela proibição do álcool (que gerou revolta generalizada), pela tentativa de dissolução da DUMA, o Parlamento, e, finalmente, pela entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Nicolau, família e guarda cossaca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Todos esses passos corroeram a legitimidade do czar. Ele e sua cúpula de generais esperavam que, com a guerra (que seria rápida e vitoriosa) fosse disseminado um sentimento nacionalista e em defesa da Rússia, que reuniria o povo em volta do czar novamente. No entanto, não só a guerra foi demorada e custosa, como também levou ao fim de seu governo.

Em fevereiro de 1917, estourou uma revolução que prendeu a família imperial. Nicolau abdica o poder, passando-o para o irmão Miguel que, por pressões diversas, não assume e convoca uma Assembleia Constituinte. Em 17 de julho de 1918, Nicolau e sua família foram executados pelos bolcheviques. Com isso, seu governo ficou marcado como o último respiro do czarismo antes da abolição da monarquia russa e o fim da Era dos Romanov.


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