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No século 19, Nova York era a capital mundial da prostituição

A balada cidade já teve uma realidade bem diferente e era conhecida por suas prostitutas e bordéis

Caio Tortamano Publicado em 12/02/2020, às 17h12

Cena de prostíbulo em Nova York
Cena de prostíbulo em Nova York - Domínio Público

Profissões como a prostituição contam com poucos registros formais e categóricos. Porém, acredita-se que, durante o século 19, de 3 a 10 mil prostitutas trabalhavam em bordéis, esquinas e até em sacadas de teatros chiques — apesar da ilegalidade.

A prostituição era lucrativa, as profissionais de pontos mais requintados conseguiam 50 dólares por semana, totalizando 300.000 dólares  por ano. As que trabalhavam em piores condições conseguiam 50 centavos com masturbações rápidas, ou até mesmo mais de 100 dólares com penetração.

Apesar do considerável retorno financeiro, a profissão era — e ainda é — muito desgastante, com mulheres do final do século 18 fazendo sexo, em média, com 19 homens por dia. Algumas mais jovens tinham uma jornada de três horas com 20 clientes diferentes.

A carreira delas era muito curta, profissionais que começavam por volta dos 20 anos geralmente paravam aos 30 por conta da aparência. Frequentadores assíduos dos bordéis acabavam enjoando das mulheres, e acabavam optando por novos corpos.

Além disso, muitas delas saíam da “vida” para ter uma rotina normal, constituir uma família e casar. Coisas impossíveis de se fazer em um lugar insalubre e com má fama. Em compensação, as cafetinas raramente se aposentavam, por serem geralmente muito ricas.

As proxenetas dos prostíbulos de maior classe faturavam 1 milhão de dólares sem reverter nada para o imposto de renda, por ser uma atividade ilegal. A notória cafetina “Princesa” Julia Brown era inserida, inclusive, na alta classe nova iorquina, participando de festas e reuniões. Além disso, Brown era uma das maiores contribuintes dos centros religiosos da cidade.

Ilustração de baile de Julia Brown / Crédito: Wikimedia Commons

 

As oportunidades presentes na cidade eram tamanhas, que mulheres iam para Nova York durante o verão somente para alugar quartos e se prostituir por um ou dois meses, depois voltavam para suas localidades originais com bastante dinheiro acumulado.

Muitas mulheres casadas entravam para a prostituição. Isso porque tamanho era o retorno financeiro que a atividade movia. Esposas, principalmente durante a Guerra Civil, entravam nesse mundo porque enxergavam uma forma de sustentar a casa na ausência dos maridos — que estavam na guerra. Outras vezes, os próprios esposos incentivavam suas parceiras a se prostituirem, alugando quartos de hotel e de pensões.

Os donos desses comércios não se incomodavam com o movimento, muito pelo contrário, os gerentes de hotéis luxuosos consideravam bom para seus estabelecimentos que houvesse atividade de prostitutas na área. Quando algum empresário de fora da cidade queria esse tipo de diversão, os funcionários do hotel tinham aonde recorrer para prover aos seus clientes a companhia de alguma das moças que cumpriam com as vontades dos endinheirados.

 Sem alguma novidade, os policiais sabiam de toda essa atividade e faziam vista grossa para as prostitutas se os proxenetas oferecessem propinas aos oficiais da lei. Quando estavam dando grandes festas nos casarões, as prostitutas eram ignoradas pelos policias, que simplesmente faziam sinais para que a barulheira desse uma diminuída, para não incomodar os vizinhos.

A prostituição chegava a ser tão inserida no cotidiano do americanos que jornais tinham sessões inteiras dedicadas a divulgar, descrever e até avaliar as casas para “homens em busca de prazer”. As transferências de uma prostituta de um bordel para outro eram anunciadas como hoje se anunciam trocas no mundo futebolístico, e reportagens sobre bailes de gala em bordéis eram frequentes.

A vida de uma prostituta era, acima de tudo, envolta em violência, muitas delas eram violentadas e agredidas por clientes — ocasionalmente por ordem dos cafetões ou cafetinas como forma de educar elas — e muitas vezes as profissionais do sexo iam atrás de justiça por meio dos tribunais.

À medida que a prostituição cresceu, as ocorrências violentas aumentaram, e a busca das prostitutas por medidas legais contra seus agressores. Frequentemente, as meninas eram acompanhadas por advogados pagos com seus próprios bolsos.

As sessões nos tribunais demoravam muito, e poucas vezes foram efetivas, por isso, foram inúmeras as vezes que as prostitutas reagiram na mesma altura aos ataques sofridos por abusadores. Certa vez, uma prostituta foi empurrada das escadarias de um hotel por um de seus clientes, e, humilhada com a situação, tirou uma faca de seu vestido e a cravou no peito do homem.

Prostituição era criminalizada, e a pena recorrente para mulheres pegas nessas condições era de dois meses. Esse período era utilizado como uma escola de prostitutas, as mais novas e não reincidentes na cadeia aprendiam com as veteranas como aumentar seu lucro com o sexo, dando dicas de desempenho.


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