Matérias » Aviação

Nose Art: Conheça a curiosa decoração de aviões de combate

O hábito, que já foi perseguido pelo oficialato, é tão antigo quanto a própria aviação militar

Fabio Marton Publicado em 02/03/2019, às 11h00

Boca de tubarão pintada em um avião militar
Boca de tubarão pintada em um avião militar - Getty Images

O grande clássico

A boca de tubarão, aqui vista num P-51Mustang, foi a primeira “arte de nariz”. Durante a Primeira Guerra, alemães pintaram seus aviões para se diferenciarem dos adversários e parecerem mais intimidadores. A função prática logo se perdeu: os ingleses adoraram e copiaram.

Amada nave

Uma das inspirações favoritas para batizar aviões era o nome das amadas, pretendidas ou meras prostitutas visitadas pelos pilotos. O Little Jeanne era um P-40 Warhawk, o terceiro caça americano mais produzido, usado extensivamente nas campanhas do norte da África, e também o primeiro a ganhar pintura – inicialmente a boca de tubarão, mas depois os pilotos ficaram mais criativos.

Talento variável

O bombardeiro pesado B-24 “Bruxaria” demonstra que a imaginação não tinha limites,
mas o talento para pintura variava muito. As marcas são testemunhas de seu imenso
sucesso: cada bomba é uma viagem cumprida e sobrevivida, e o avião está aí até hoje para ser fotografado, se mais prova fosse preciso.

O vagão do destino

Talvez seja um mérito para a nose art que os bombardeiros atômicos, ambos B-29 com
a modificação Silverplate, não tiveram decorações particularmente inspiradas. O Enola Gay, que despejou a bomba Little Boy sobre Hiroshima, tinha apenas o nome escrito.
Era uma homenagem a Enola Gay Tibbets, mãe do comandante Paul Tibbets. Gesto não só de gosto duvidoso mas que irritou profundamente o copiloto. Quanto ao Bockscar,
bombardeiro que derrubou a bomba Fat Man em Nagasaki, o nome vem também de seu
comandante, Frederick Bock – o “carro de Bock”, que faz um trocadilho com “boxcar”, vagão, daí a imagem. Os vários homens gordos desenhados acima são uma referência óbvia ao nome da bomba. Só o vermelho é a Fat Man. Os outros são bombas convencionais com o mesmo formato, usadas como teste.

Lobo mau

O bombardeiro hiperpesado Avro Lancaster lançou a arma não nuclear mais poderosa da guerra: a bomba terremoto Grand Slam, que, pesando 10 toneladas (duas vezes mais que a Fat Man), ainda é a mais massiva já usada em combate. O Velho Fred, ao lado,
pertenceu ao 467º Esquadrão da Royal Air Force, formado por neozelandeses e australianos (daí as bandeiras). O Lobão da Disney traz outra das tendências favoritas
na Segunda Guerra – não só os pilotos usaram desenhos como os desenhos começaram a retratar as ações da guerra.

Mickey nazista

Adolf Galland foi um dos maiores ases da Luftwaffe. Tirado do ar quatro vezes, sobreviveu a todas, e terminou a Segunda Guerra com 104 inimigos abatidos. Com seu bigodão, fumando charutos (dentro do avião) e vez ou outra pilotando em calção de banho, cultivava uma imagem algo excêntrica, terminou sua carreira num motim fracassado contra Goering e, finda a guerra, fez amigos entre os pilotos do outro lado. O Mickey alucinado, fumando charuto como ele, foi sua marca registrada. Por quê? “Gosto de Mickey e charutos”, foi sua resposta.