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Nova análise genética pode finalmente revelar a identidade de Jack, o Estripador?

Faz 131 anos desde que o estripador matou cruelmente cinco mulheres em Londres. Quem ele foi ainda é um mistério!

Alana Sousa Publicado em 19/03/2019, às 17h00

Cena do filme 'Jack, o Estripador', 1959
Getty Images

Em 2014, Russell Edwards, um entusiasta da história do assassino Jack, o Estripador, publicou resultados em seu livro Naming Jack the Ripper, no qual afirmava saber a identidade do famoso criminoso. A peça chave para a “solução” do mistério seria um suposto xale da quarta vítima do Estripador, Catherine Eddowes. O xale foi adquirido por Edwards em 2007 e no tecido foi testado evidências de DNA. O resultado apontou para Aaron Kosminski, um barbeiro polonês de 23 anos, que morava em Londres.

Kosminski foi um dos primeiros suspeitos identificados pela polícia londrina na série de assassinatos, que ocorreram em 1888. O fato de Edwards manter em sigilo quais técnicas foram usadas para alcançar tal resultado chamou a atenção das autoridades, que começaram a questionar a veracidade da afirmação.

Agora, os bioquímicos que realizaram tais testes, Jari Louhelainen, da Universidade John Moores, em Liverpool, e David Miller, da Universidade de Leeds, publicaram, pela primeira vez, os dados originais no Journal of Forensic Sciences.

“Todos os dados coletados apóiam a hipótese de que o xale contém material biológico de Catherine Eddowes e que as sequências de tDNA obtidas de manchas de sêmen coincidem com as sequências de um dos principais suspeitos da polícia, Aaron Kosminski”, escrevem os pesquisadores.

O artigo, porém, não apresenta os resultados do estudo, apenas gráficos que ilustram a hipótese.

A análise do xale foi baseada em imagens infravermelhas e testes espectrofotométricos. As manchas foram submetidas à inspeção por microscópio sob luz ultravioleta para determinar o que as havia causado. Por mais minucioso que tenha sido os testes, geneticistas afirmam que não é o suficiente para definir a identidade de Jack.

Walther Parson, cientista forense do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Innsbruck, na Áustria, escreveu que a partir do texto publicado o leitor não pode fazer nenhum julgamento: “Eu me pergunto para onde a ciência e a pesquisa estão indo quando começamos a evitar mostrar resultados, mas em vez disso apresentamos caixas coloridas”.

Hansi Weissensteiner, especialista em DNA mitocondrial também em Innsbruck, afirmou que “com base no DNA mitocondrial, só se pode excluir um suspeito". Ou seja, o DNA mitocondrial do xale pode ser de Kosminski, como também pode ter vindo de milhares de pessoas que moravam em Londres na época.

Há ainda críticos que contestam a origem do xale, dizendo que não estava presente na cena do crime em 1888 -- ou até mesmo que seja forjado. O tecido foi datado do período eduardiano, de 1901 a 1910, bem como do início do século 19, e poderia vir de qualquer lugar da Europa.

Ao que tudo indica, não estamos nem perto de saber quem foi Jack, o Estripador, mesmo 131 anos depois dos acontecimentos.