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O assassinato de Sylvia Likens: O maior crime de tortura dos EUA

A garota de 16 anos foi humilhada, agredida e torturada até a morte por Gertrude Baniszewski e seus filhos

Letícia Yazbek Publicado em 10/10/2019, às 15h47

Sylvia Likens
Sylvia Likens - Crédito: Wikimedia Commons

A jovem americana Sylvia Likens, de apenas 16 anos, foi vítima de um dos maiores crimes da História dos Estados Unidos. A garota foi torturada até a morte por Gertrude Baniszewski, seus filhos e outras crianças da vizinhança. Sylvia e sua irmã, Jenny, foram deixadas pelos pais aos cuidados de Gertrude três meses antes de sua morte.

Nascida em 3 de janeiro de 1949 em Lebanon, Indiana, Sylvia Likens era a terceira filha dos atores circenses Betty e Lester Likens. A garota era a filha do meio entre dois pares de gêmeos — Diana e Daniel eram dois anos mais velhos, e Jenny e Benny, um ano mais novos.

Devido ao trabalho de Betty e Lester, a vida da família era instável, e as crianças frequentemente ficavam com parentes ou conhecidos quando os pais estavam em turnê com o circo. Em seus 16 anos de vida, Sylvia morou em 14 lugares diferentes.

Em 1965, enquanto Betty viajava, Sylvia e Jenny estavam com o pai em Indianápolis. Ele decidiu deixar as garotas, de 16 e 15 anos, com Gertrude Baniszewski e seus sete filhos em troca de 20 dólares por semana. Sylvia e Jenny conheciam os filhos de Gertrude e frequentavam a mesma escola e igreja que eles. Baniszewski também era conhecida na vizinhança por cuidar de outras crianças além dos filhos.

Sylvia e a mãe, Betty / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mais tarde, em depoimento, Lester Likens disse que sabia que a família de Gertrude era pobre, mas que não entrou na casa para verificar as condições em que eles viviam. No entanto, encorajou Gertrude a “endireitar suas filhas assim como fazia com suas próprias crianças”.

Descrita como uma mulher depressiva e anêmica, Gertrude começou a descontar sua raiva e frustração nas garotas Likens. Quando o primeiro pagamento semanal atrasou, bateu nas duas meninas. Em agosto de 1965, Baniszewski começou a ofender, humilhar e agredir Sylvia, além de permitir que seus filhos e outras crianças batessem nela.

Quando descobriu que Sylvia tinha um namorado, Gertrude a acusou de se prostituir e afirmou que a garota estava grávida. Em seguida, a agrediu, chutando-a no estômago.

Quando surgiu um boato de que Sylvia dizia na escola que Paula e Stephanie eram prostitutas, o namorado de Stephanie, Coy Hubbard, foi convidado, junto a outros colegas, a ajudar Gertrude a agredir Sylvia. A partir desse momento, a mulher passou a encorajar as crianças a torturar a garota, queimando sua pele com cigarros, obrigando-a a tirar a roupa e até mesmo forçando-a a introduzir uma garrafa de Coca-Cola em sua vagina.

Gertrude Baniszewski durante o julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Enquanto abusava de Sylvia, Baniszewski ameaçava Jenny, dizendo que o mesmo aconteceria com ela caso ela contasse a alguém o que acontecia com a irmã.

Os abusos se intensificaram, e Sylvia foi retirada da escola e proibida de sair de casa. Depois, foi trancada no porão e obrigada a ingerir as próprias fezes e urina. Nessa época, Gertrude, usando uma agulha aquecida, tatuou na barriga de Sylvia a frase “Sou uma prostituta e tenho orgulho disso”.

Gertrude também obrigou Sylvia a escrever uma carta para os pais, na qual contava que era prostituta e que iria fugir de casa. Sylvia tentou fugir após ouvir que a mulher planejava deixá-la em um bosque para morrer. Mas foi pega, colocada novamente no porão e agredida.

Em 24 de outubro de 1965, Coy Hubbard bateu violentamente na cabeça de Sylvia com um cabo de vassoura. Dois dias depois, após diversas agressões, ela morreu devido a uma hemorragia cerebral, de acordo com os relatórios médicos.

Assim que Stephanie e o garoto Richard Hobbs perceberam que Sylvia não estava respirando, tentaram aplicar respiração boca-a-boca, mas notaram que era tarde demais. A família, então, resolveu chamar a polícia e mostrar a carta que Sylvia havia escrito, obrigada por Gertrude. Jenny Likens abordou um dos policiais e sussurrou: “Me tire daqui e contarei tudo”.

Durante os julgamentos, os advogados dos menores afirmaram que eles foram pressionados por Gertrude a cometer as torturas. A mulher negou ter responsabilidade pela morte da garota e alegou insanidade mental.

Mesmo assim, Gertrude e Paula foram condenadas à prisão perpétua. Richard Hobbs, Coy Hubbard e John Baniszewski foram enviados para um centro juvenil, onde ficaram dois anos detidos. Já as acusações contra Stephanie foram retiradas depois que ela colaborou com a Justiça.

Gertrude um ano após sair da prisão / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1971, Gertrude e Paula foram julgadas novamente. Paula confessou sua culpa e foi liberada dois anos depois. Gertrude foi condenada mais uma vez, mas conseguiu a liberdade condicional em 1985. Ela mudou seu nome para Nadine van Fossan e foi morar no estado de Iowa, onde morreu em 1990, devido a um câncer de pulmão.

O caso de Sylvia Likens foi inspiração de diversas obras, como o livro Quando os Adams Saíram de Férias e o filme Crime Americano.


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