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O ato de 'vingança' que marcou os EUA: o trágico incêndio do clube Happy Land

Quando Julio Gonzalez foi arrastado para fora do Happy Land gritando que "fecharia o lugar", ninguém pensou que ele de fato cumpriria a ameaça

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/03/2021, às 09h29

Fotografia da fachada do clube na manhã seguinte do incêndio
Fotografia da fachada do clube na manhã seguinte do incêndio - Divulgação / NY Daily News

O incêndio do clube Happy Land foi um dos desastres mais mortais já ocorridos na cidade de Nova York, fazendo 87 vítimas, a maioria delas sendo jovens pertencentes à comunidade de descendentes de Honduras, um país da América Central. O caso foi relembrado por uma reportagem do The New York Times em 2020. 

O triste episódio ocorreu na madrugada de 25 de março de 1990, e começou não como um acidente, mas como um ato de vingança: naquela noite, um jovem chamado JulioGonzalez discutiu com sua ex-namorada, Lydia Feliciano, que era funcionária do clube noturno. A briga foi tão intensa que ele acabou sendo expulso por um segurança. 

Conforme divulgado pelo The Philadelphia Inquirer e o Daily News, o homem, que estava bêbado, foi arrastado para fora enquanto gritava que iria “fechar aquele lugar”. E, infelizmente, cumpriu sua ameaça. 

Possuído pela raiva, Gonzalez tomou uma decisão que não apenas selou o destino da moça com quem tinha um relacionamento fazia oito anos, mas de todas as outras pessoas que estavam naquele estabelecimento. Ele voltou ao Happy Land trazendo consigo gasolina e fósforos, e então ateou fogo à escada que era a única entrada do local.  

Seu ato causou a morte por asfixia de dezenas de jovens, e marcou permanentemente os únicos 6 sobreviventes, que além do trauma precisaram lidar com as queimaduras graves espalhadas pelo corpo. 

Vale dizer ainda que Julio estava desempregado fazia duas semanas, e com o aluguel de seu apartamento atrasado quando cometeu o crime, ainda de acordo com o The Philadelphia Inquirer.  

Fotografia de nova-iorquinhos após saberem do incêndio / Crédito: Divulgação/ Ángel Franco/ The New York Times 

 

Negligência 

Embora Gonzalez tenha sido o culpado por atear as chamas ao clube, ele não é o único responsável pela tragédia. Isso porque, como o número assustador de vítimas sugere, o Happy Land não tinha as medidas de segurança necessárias para lidar com um incêndio. 

Inclusive, estava funcionando de forma ilegal, pois não tinha conseguido uma licença estadual para estar aberto. Seu fechamento havia sido declarado cerca de 16 meses antes, segundo o site Fire Rescue, todavia, os proprietários ignoraram essas ordens.

Entre as irregularidades do Happy Land estavam a ausência de saídas de emergência, de sistemas de sprinklers e de alarmes.

Embora os bombeiros tenham chegado ao local em apenas três minutos, fazendo seu trabalho de forma eficiente e apagando as chamas rapidamente, não puderam impedir a catástrofe. 

Consequências 

Julio Gonzalez foi detido em questão de horas, sendo encontrado em sua casa pela polícia, ainda com cheiro de gasolina, de acordo com o The New York Times. O homem não demorou para confessar seu crime. Ele esteve na prisão até o ano de 2016, quando faleceu devido a um ataque cardíaco. 

Fotografia de Julio Gonzalez / Crédito: Divulgação/ CJ Zumwalt / NY Daily News 

 

Depois do trágico incêndio do Happy Land, também, o Corpo de Bombeiros de Nova York pediu ajuda do Center for Fire Research para entender qual a melhor forma de reduzir os riscos de tragédias semelhantes se repetirem em outros clubes noturnos da cidade.

Já o Departamento de Edifícios da cidade intensificou a investigação de locais não regulamentados, fazendo maiores esforços para garantir que eles fechassem suas portas.