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Massacre de Nemmersdorf: quando o Exército Vermelho matou e violentou mulheres e crianças

A pequena cidade do Front Oriental foi invadida pelos soviéticos, que criaram uma experiência de terror durante dois dias contra civis alemães

André Nogueira Publicado em 07/02/2020, às 10h54

Crianças mortas durante massacre
Crianças mortas durante massacre - Getty Images

Durante a ocupação do Império Alemão na Segunda Guerra, quando as tropas de Hitler começam a recuar após o fracasso, os Aliados cometeram inúmeros crimes contra civis. Uma das mais simbólicas dessas atrocidades foi o chamado Massacre de Nemmersdorf, cometido pelo Exército Vermelho.

Na manhã do dia 21 de outubro de 1944, os soldados soviéticos adentraram ao povoado de Nemmersdorf, na Prússia Oriental, rumo a Berlim. A cidade havia se tornado ponto de refúgio de alemães que corriam do front oriental, tomado pelas tropas de Stalin, e a população era majoritariamente civil.

A vila estava sendo atacada por centenas de soldados, enquanto era defendida por menos de 30 homens, de maioria membra da Volkssturm, uma milícia paramilitar nazista. Com alguns abrigos importantes, a cidade tornou-se alvo de ocupação dos soviéticos, que fugiram dos ataques realizados pelo reforço da esquadrilha de caças da Alemanha em defesa do local.

Soldados soviéticos na Segunda Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois do ataque aéreo, o comando do Exército Soviético ordenou o abandono dos abrigos e o ataque à bala da população local – sem distinção: mulheres, idosos, crianças e deficientes foram minados também, com toques de sadismo. A única mulher sobrevivente desse massacre testemunhou o trágico episódio.

“De repente ouvi gritos e dois soldados do exército vermelho trouxeram cinco garotas. O comissário ordenou a elas que vestissem roupas listradas. Nós caminhamos através do pátio, para a cozinha de uma antiga fábrica. Lá, alguns russos estavam sentados, que faziam observações aparentemente muito obscenas, pois cada palavra dita era recebida com riso alto. Chegaram então mais duas jovens aos prantos. Os soldados as fizeram se curvar, com golpes que pareciam ter rachado as articulações delas. Eu quase desmaiara ao ver quando um russo puxou a faca e com um corte, arrancar o seio direito diante dos olhos de todos.”

A medida que ia avançando, o Exército Vermelho largou a cidade à própria sorte e, em 23 de outubro, a Wehrmacht conseguiu retomar o local. Erich Dethleffsen, Major-General da Armada, relatou o cenário mórbido.

“Quando em outubro de 1944 formações russas romperam a Front alemão na região de Groß-Waltersdorf e avançaram temporariamente até Nemmersdorf, soldados soviéticos fuzilaram civis em grande parte dos povoados ao sul de Gumbinnen - em parte com torturas como encravar a vítima no portão do silo. Praticamente todas as mulheres foram violentadas.”

Contagem de corpos em Nemmersdorf / Crédito: Wikimedia Commons

 

 

O caso atroz foi denunciado durante os Julgamentos de Nuremberg, mas foi ignorado pelos juízes das forças estadunidenses, britânicas e soviéticas. Já na Guerra Fria, foi constatado que os relatórios e protocolos da investigação do caso de Nemmersdorf foram destruídos.


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