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O bebê que sobreviveu a uma queda de 8 andares

A história impressionante envolve uma triste narrativa envolvendo a mãe da criança

Caio Tortamano Publicado em 14/11/2020, às 10h45

Imagem meramente ilustrativa de prédios
Imagem meramente ilustrativa de prédios - Pixabay

Cynthia Wachenheim se sentia extremamente culpada. De acordo com o The New York Times, ela estava de licença maternidade em 2013, quando escreveu uma longa carta. Ela desabafou ao explicar que a criança sofreu duas quedas por descuido dela, e tinha certeza de que esses episódios foram responsáveis por uma série de convulsões e concussões que poderiam destruir o futuro do menino. 

Ninguém acreditava nisso, nem mesmo o pediatra que ela levava o bebê ou amigos e família, que conviviam com o rapazinho. HalBacharach, seu marido, conversou com a mulher e explicou que ela não era culpada. Ele também disse que a criança não devia ter sofrido nenhum tipo de sequela.

Contudo, não era suficiente para Wachenheim. Ela explicava que o bebê apresentava após mudanças após os 'acidentes'. Chegou a descrever que a criança sentia mais sono e também passou a chorar mais vezes. 

A dor de ter causado esses supostos traumas fez com que cometesse um ato desesperador: se arremessou da janela de seu apartamento, no oitavo andar, com seu filho, deixando para trás somente uma carta de suicídio de 13 páginas.

O suicídio aconteceu enquanto o pai da criança estava no trabalho. Em meio ao desespero, ele não conseguiu acreditar na cena que encontrou após o acidente: seu filho estava vivo.

Wachenheim morreu com a queda. No entanto, a reportagem surpreende ao revelar que seu bebê de dez meses, por incrível que pareça, sobreviveu. Pouco antes de chegar ao chão, o ergobaby se soltou do corpo da mulher, fazendo com que o menino não sofresse o mesmo impacto que a mãe após uma queda de oito andares.

Surpresa

O episódio chocou familiares de diversas maneiras. Para pessoas próximas,  Wachenheim tinha o perfil menos provável para um ato desesperador. Eles explicam que ela era ativa em grupos sociais de sua sinagoga, sendo até coordenadora de um programa de reforço escolar no Harlem, em Nova York, cidade onde morava.

Contudo, a carta também revelou que a mulher estava deprimida e não conseguia socializar após carregar a culpa pelo que aconteceu com a criança. Ao mesmo tempo, também escreveu que as pessoas enxergariam o seu ato como depressão ou psicose pós-parto. 

O vizinho de Cynthia e Hal, Christian Johnson, encontrava o marido da mulher diversas vezes no trem, e também se espantou com os acontecimentos já que nada indicava que isso poderia acontecer. 

No dia em que a mulher se matou, enquanto Johnson caminhava pelo corredor, ele disse à reportagem do The New York Times que escutou uma discussão do casal. Segundo ele, Hal questionava a sua mulher o fato de ela nunca o atender quando ele ligava, enquanto Cynthia sequer o respondia. Entretanto, o vizinho decidiu se afastar após perceber que era uma discussão normal entre casais. 

Horas depois ela deixou o bilhete e se jogou do apartamento na companhia do filho, citado diversas vezes na carta, o chamando sempre de 'lindo' e se culpando por ter supostamente afetado o seu desenvolvimento.