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O bizarro desaparecimento de Ettore Majorana, o gênio da física

Visto como um prodígio, o sumiço do rapaz comoveu a população francesa e deu início a um mistério que dura quase um século

Wallacy Ferrari Publicado em 24/05/2020, às 11h00 - Atualizado às 16h00

Montagem contendo um retrato de Ettore (à esq.) junto a um anúncio de desaparecido (à dir.)
Montagem contendo um retrato de Ettore (à esq.) junto a um anúncio de desaparecido (à dir.) - Divulgação

Nascido em Catania, uma provícia ao leste da Sicília, na Itália, Ettore Majorana já demonstrava sinais de genialidade durante a infância, devido a sua familiaridade com o lápis e o papel. Provando facilidade na realização de operações matemáticas, o garoto tinha o hábito de estudar os livros de engenharia disponíveis no acervo que o pai acumulava, replicando formulas complexas antes mesmo de concluir o ensino básico.

Socialmente recluso, os estudos possibilitaram uma trajetória mais confortável a partir de 1923, quando ingressou no curso de engenharia na Faculdade de Ciências de Roma, onde se formou e, posteriormente, entrou na Escola de Aplicações para Engenheiros. Diferente de seus tempos de escola, fez diversos amigos por intermédio de Emilio Sagré — mais tarde laureado com o prêmio Nobel — formando um grupo de estudo.

A equipe, também composta por Enrico Fermi, se instalou no Instituto de Física da Universidade de Roma e tratou de realizar análises no campo da física. Os estudos resultaram em uma das descobertas mais importantes no ramo nuclear: o nêutron lento, que permitiu a criação dos reatores nucleares e da bomba atômica.

Ettore (o segundo da direita para a esquerda) em fotografia durante sua juventude / Crédito: Divulgação

 

O maior arrependimento de sua vida

Com o estudo aprofundado sobre os raios alfa, beta e gama, Ettore teve uma mudança de rumo em suas pesquisas com a descoberta de uma partícula desconhecida. Acreditando ser um raio gama distinto, Enrico Fermi orientou o rapaz a publicar um estudo sobre a descoberta, porém, Majorana não fez questão, acreditando que não se tratava de algo importante.

A tal partícula neutra também foi descoberta no mesmo ano por James Chadwick, que a nomeou como nêutron. A publicação rendeu o Prêmio Nobel ainda naquele ano, pouco depois da descoberta do italiano. A indignação de Ettore foi mínima comparada ao remorso de não ter acreditado em sua pesquisa.

O afastamento total

Trabalhando duro no desenvolvimento de funcionalidades mais práticas para os reatores nucleares, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, Ettore decidiu se afastar das atividades com o grupo, alegando problemas familiares e complicações de saúde. Buscando melhorar, aceitou um emprego na Universidade de Nápoles, como professor de física.

Realizando poucas visitas aos amigos, o pesquisador sacou todas as economias que mantinha no banco em março de 1938 e decidiu viajar de barco para Palermo, deixando apenas uma carta ao diretor do instituto que estava empregado, pedindo desculpas por largas as atividades profissionais. Com o passar dos dias, seu sumiço foi completo. Fermi chegou a declarar que o pesquisador havia desaparecido voluntariamente e que “jamais seria encontrado pelo fato de ser inteligente”.

Notícia relacionando seu sumiço com um sequestro em jornal italiano / Crédito: Divulgação

 

As suspeitas na época apontaram um suicídio após encontrar um bilhete direcionado a sua família, em um hotel em Palermo. Os familiares negaram a hipótese, afirmando que Ettore era católico e jamais faria isso, justificando o saque. Outros amigos acreditavam que o arrependimento em relação a publicação dos neutros e notar que seu trabalho seria convertido em armas nucleares o incomodava.

Com base em declarações feitas por anônimos, Ettore esteve vivo e chegou a circular pela Europa em 1955. A afirmação resultou em uma investigação do Ministério Público de Roma no ano de 2011, comparando fotografias encontrando pontos de semelhança entre o tal homem e o italiano. Em 2015, o inquérito pôde concluir que o homem se refugiu na Argentina e depois passou o resto de sua vida na América do Sul, sem maiores constatações.


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