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Relações sexuais com um golfinho: Os bizarros experimentos de John Lilly

“Não era sexual para mim. Talvez sensorial", narrou Margaret Howe Lovatt, a mulher que protagonizou as curiosas pesquisas

Fabio Previdelli Publicado em 19/09/2021, às 09h00

Fotografia de Margareth e Peter
Fotografia de Margareth e Peter - Divulgação/ Lilly Estate

Em meados da década de 1960, o neurocientista John Lilly começou a explorar e analisar as reais capacidades dos inteligentes golfinhos. Com experimentos inusitados, as pesquisas revelaram que esses cetáceos possuem habildiades impressionantes. 

Além de capazes de diferenciar o lado esquerdo do direito, os golfinhos ainda se reconhecem em espelhos e até se orientam por meio de um sistema parecido com um sonar. Ainda mais, eles também vivem em grupos sociais e são capazes de construir laços estreitos e bem organizados entre si.

Porém, apesar de pioneira, as metodologias utilizadas por Lilly geram muitas polêmicas até hoje. Isso porque, mesmo anos mais tarde, foi por causa dos estudos do especialista que Margaret Howe Lovatt protagonizou uma perturbadora saga. 

Como começou?

Durante os anos 60, a NASA e outras agências governamentais dos Estados Unidos passaram a financiar diversos projetos para o estudo da criação de laços entres os humanos e os golfinhos. Uma dessas pesquisas era liderada pelo neurocientista John Lilly, em um laboratório no Caribe.  

O Dr. John Lilly / Crédito: Divulgação/ Lilly Estate

 

O fascínio de John pelos cetáceos começou quando ele se deparou com uma enorme baleia-piloto encalhada na costa perto de onde morava, em Massachusetts, no ano de 1949. No episódio em questão, ficou impressionado com o tamanho do cérebro do animal, pensando o quão inteligente ele deveria ser.  

Desde então, Lilly e sua esposa, Mary, passaram a ter um interesse maior em estudos com cetáceos. Foi então que eles descobriram o Marine Studios, um cativeiro de golfinhos localizado em Miami.

Conforme foram desenvolvendo a pesquisa, notaram que os golfinhos tentavam responder, de certa forma, as pessoas em torno do laboratório emitindo sons que soavam como palavras em inglês. Relatos dessa constatação foram registrados no livro Man and Dolphin, publicado em 1961.  

Com o sucesso do livro, mesclado ao interesse do governo dos EUA, a NASA decidiu financiar seu projeto, oferecendo recursos suficientes para a abertura de um laboratório no Caribe, concluído em 1963. Porém, a cada passo que dava em sua pesquisa, as coisas se tornavam mais bizarras e polêmicas.  

A pesquisa 

Passado um ano de sua nova instalação, Lilly conheceu Margaret Howe Lovatt, uma jovem que vivia em São Tomás, no Caribe, que quis conhecer o laboratório e todo o estudo desenvolvido por John.

Apesar de não ser nenhuma especialista, ou pesquisadora, o interesse da jovem fez com que o neurocientista a convidasse para ser uma colaboradora. Assim, Lovatt passava horas a fio tentando incentivar os golfinhos a se comunicarem com ela.  

Margaret ao lado de Peter / Crédito: Divulgação/ Lilly Estate

 

A partir de determinado momento, Margaret ficou tão vidrada nos cetáceos que propôs morar com um dos golfinhos. Por mais maluca que a ideia parecesse, ela foi bem aceita por Lilly, que viu nisso a oportunidade perfeita para que o animal estivesse cada vez mais  familiarizado à fala humana.  

Com isso, a jovem passou a morar na parte de cima do laboratório, onde uma banheira enorme foi instalada para que Peter, um golfinho macho, pudesse ser acomodado. 

Resultados promissores 

Com a mudança, Peter e Margaret passavam seis dias da semana juntos, onde ela anotava toda e qualquer percepção relevante. Depois, o cetáceo voltava para o tanque principal que dividia com duas fêmeas: PamelaSissy.  

“Ele era muito, muito interessado em minha anatomia. Se eu estava sentada e minhas pernas estavam na água, Peter vinha até mim e olhava atrás do meu joelho por muito tempo. Ele queria saber como as coisas funcionavam e eu ficava encantada por essa curiosidade”, relembra Margaret em entrevista ao The Guardian, em 2014.  

Porém, logo esse interesse passou a fazer com que Peter desenvolvesse desejos sexuais com uma frequência maior. Em um primeiro momento, logo que percebia a excitação do golfinho, Lovatt o levava para o tanque com as fêmeas.  

Contudo, de acordo com os pesquisadores, esse transporte frequente ao outro tanque fazia com que os ensinamentos de Peter passassem a ser ignorados. Com isso, surgiu uma solução inusitada e perturbadora: Margaret passou a suprir as necessidades sexuais do cetáceo de forma manual.  

Não era sexual para mim. Talvez sensorial. Parecia que nós estávamos criando um laço mais forte [...] Eu estava ali para conhecê-lo e essa era uma parte dele”, recorda.  

Triste fim 

Com o passar do tempo, John Lilly passou a fazer outro tipo de estudo com animais: os efeitos que o LSD poderia ter em seus cérebros. Licenciado pelo governo para tal atividade, Lilly era um dos poucos autorizados a fazerem pesquisas com a droga.  

Até então, o governo acreditava que o LSD poderia conter alguma substância ou propriedade medicinal que ajudasse no tratamento de pacientes com doenças mentais. Com isso, os golfinhos passaram a ter a droga injetada em seus cérebros.  

Porém, as respostas deles à substância não foi diferente do que as pessoas tinham. Apesar de achar a prática repugnante, Lovatt conta que não havia nada que ela pudesse fazer para impedir, já que dentro do laboratório era uma simples voluntária e os animais pertenciam a John.  

Com a falta de resultados significativos no estudo, a NASA não financiou mais a pesquisa e o laboratório teve de ser fechado. Com isso, os animais foram realocados para o antigo local de trabalho de Lilly, muito menor e desprovido de liberdade, conforto e luz do sol para os cetáceos.  

O delfinário em São Tómas / Crédito: Divulgação/ Lilly Estate

 

Foi quando recebi uma ligação de Lilly”, conta Lovatt. “Ele mesmo quem me ligou. Ele disse que Peter havia se suicidado”. Por mais estranho que essa explicação pareça, ela é plausível.

Ao contrário de nós, seres humanos, os golfinhos não são respiradores automáticos, ou seja, cada vez que respiram, a ação é uma decisão consciente. Assim, eles podem escolher não fazê-la, prendendo a respiração até a morte.  

De acordo com o veterinário que cuidava de Peter, ele morreu por causa de um coração partido incompreendido. Apesar da tragédia, John Lilly seguiu seus estudos com novos métodos: telepatia e sons musicais.  

Margaret se casou com o fotografo que trabalhava no laboratório registrando os estudos. Os dois se mudaram para o mesmo lugar que foi construído para abrigar Peter. “Era um bom lugar. Havia um bom sentimento naquele espaço”, conclui Howe Lovatt.


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