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O caso do brasileiro preso nos EUA por uma falsa ameaça de bomba

Em 2014, o jovem enviou um e-mail para a polícia de Miami alertando sobre uma bomba falsa em um avião para conseguir vencer um desafio entre amigos

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 05/06/2021, às 07h00 - Atualizado às 08h00

Imagem ilustrativa de agente do FBI
Imagem ilustrativa de agente do FBI - Wikimedia Commons

"Flight must not take off. Targeted. It will go down. Retaliation. Cargo is dangerous. Be advised" ('Voo não deve decolar. Marcado. Vai cair. Retaliação. Carga é perigosa. Estejam avisados', em tradução livre). Essa era a mensagem de um e-mail que previa uma tragédia.

No dia 8 de janeiro de 2014, o Departamento de Polícia de Miami (MDPD) e a TAM Linhas Aéreas receberam o aviso e agiram rápido. Rastreando o e-mail, conseguiram saber que ele tinha sido enviado de um computador na Universidade Estadual de Montclair, em Nova Jersey.

Por ser uma ameaça de bomba em um avião que iria decolar, os agentes de segurança conseguiram obter imagens do local de onde a mensagem tinha sido enviada para identificar o autor. Em apenas um dia, ele foi detectado pela polícia no aeroporto de Miami.

Era um jovem, que foi logo cercado por inúmeros agentes e seguranças, em uma equipe enorme que o questionaria sobre a ameaça enviada por e-mail. A verdade, porém, veio de maneira inesperada: tratava-se de um trote.

Francisco Fernando Cruz foi o autor da mensagem que resultou na enorme investigação. Nascido em Sorocaba, no interior de São Paulo, ele havia passado um ano e meio estudando e trabalhando em Nova York. O brasileiro estava quase voltando para o país natal quando foi interceptado pelo FBI.

"Eu estava sentado na minha poltrona quando vi uns dez agentes do FBI, da CIA e da polícia de Miami entrando no avião. Na hora, pensei: 'nossa, deve ter alguém muito perigoso aqui dentro'. E no fim, era eu", disse o jovem ao G1 na época.

Um desafio

Em uma nota lançada naquele dia, a TAM confirmou que a ameaça descrita no e-mail era falsa. "Para garantir a segurança dos clientes e da tripulação, a companhia, como já fez em outras circunstâncias de alarme falso, reforçou a inspeção de todas as cargas despachadas, assim como aos passageiros", lia-se no comunicado.

"Nenhum risco foi detectado à segurança do voo JJ8043. A aeronave decolou normalmente, no horário previsto", concluiu o comunicado. Para Francisco, no entanto, aquele problema estava somente começando.

Como ele contou mais tarde ao G1, o estudante tentou se justificar aos agentes afirmando que aquilo não passava de uma brincadeira fruto de um desafio lançado por alguns amigos. O brasileiro disse ainda que não sabia das regras do país: "Não sabia que era crime. Se soubesse, jamais teria enviado", relatou.

"A gente sempre se desafiava e tinha que provar que realmente tinha cumprido a missão. Eu esperava que o FBI respondesse meu e-mail com algo como: 'precisamos de mais informações sobre isso', porque a intenção era chamar a atenção deles. Mas ninguém respondeu nada, já foram direto para a investigação", explicou o jovem. 

Sobre a investigação, ele completou: "Eles orientam todo mundo a avisar quando achar que tem alguma coisa suspeita. Se eu dissesse que tive um mau pressentimento, não teria acontecido nada comigo, mas, como falei dando certeza do que ia acontecer, acabei sendo preso”. 

Francisco teve que deixar o avião que o levaria de volta para o Brasil e acabou em um lugar muito mais obscuro: atrás das grades. Durante meses, ele foi transferido para cadeias em três estados diferentes, passando quase um ano preso.

O bom comportamento na prisão fez com que a pena diminuísse, mas os trâmites para sua volta ao seu país natal fez com que o retorno fosse adiado de qualquer maneira. Foi apenas no dia 19 de fevereiro de 2015 que o jovem conseguiu reencontrar o Brasil.

"Você aprende a não confiar muito nas pessoas. Eu tinha vários amigos nos Estados Unidos que sumiram quando eu fui preso. Ninguém quis tentar ajudar, todo mundo dizia que não queria se envolver. Nessas horas, a gente aprende quem realmente está do nosso lado", disse o estudante já em terras brasileiras.

Voltar aos Estados Unidos?

Como relatou a matéria do G1 na época, ele não poderia entrar no país por dez anos, mas, mesmo que pudesse, Francisco disse que não iria querer: "Não tenho mais vontade nenhuma. Agora, vou voltar a estudar e concluir minha faculdade aqui".


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