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O crânio encontrado em uma árvore que iniciou um mistério eterno

Depois de ter sido encontrado por crianças, a identidade do morto foi alvo da imaginação popular

Caio Tortamano Publicado em 23/08/2020, às 17h09

O crânio encontrado (à esq.) uma das possíveis vítimas (à dir.)
O crânio encontrado (à esq.) uma das possíveis vítimas (à dir.) - Divulgação

Quatro garotos andavam pela floresta de Worcestershire, em 1943, quando se depararam com o tronco de uma árvore sem copa. Curioso, o menor do quarteto subiu no tronco e descobriu que ele era oco. Também se deparou com uma cena bizarra: um crânio humano estava escondido em seu interior.

Segundo o The Independent, em reportagem de 2013, eles ficaram muito assustados. Com medo de terem feito algo errado, prometeram uns aos outros que não revelariam a descoberta macabra para ninguém. Todavia, o trauma no menor foi maior do que qualquer promessa com as crianças.

Assim, ele contou para o seu pai o que tinha visto. De imediato, o responsável pelo menor de idade correu até a polícia, que vasculhou o local e encontrou pedaços de roupa e ossos. Todavia, era apenas o começo de um mistério que dura anos.

Causa da morte

Apesar de não ter sido identificada, profissionais constataram que a vítima era uma mulher por volta de seus 35 anos, que teve seu corpo colocado pouco depois da morte na árvore. Morta depois de asfixiada, a mulher permaneceu no lugar por um ano e meio até ter sido encontrada pelas crianças.

O crânio, ainda preservado, contava com a arcada dentária da mulher. Então, alguns dentistas da região foram chamados para verificar os arquivos dentários de cada moça nessa faixa etária, no entanto, foi em vão. 

O crânio de "Wych Elm Bella", conforme recuperado em 18 de abril de 1943 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de um período intenso de investigações, o caso ressurgiu na mídia local quando um antropologista sugeriu que a decapitada tivesse sido parte de um ritual macabro. Além disso, alguém havia grafitado em um monumento da cidade “Quem colocou Bella no Wych Elm?” — que era o tipo de árvore em que foi encontrada, passando então a ser chamada de Bella.

O grafiti é um marco na cidade até hoje / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de dois anos de busca, o caso ressurgiu na mídia local depois que o antropologista Margaret Murray sugeriu que a decapitada tivesse sido parte de um ritual macabro.

Os ossos espalhados da mulher indicariam a participação em uma cerimônia oculta, que ganhou ainda mais força depois que outro homem foi encontrado morto, fincado no chão por uma forquilha, Apesar do mistério, os casos acabaram não tendo nenhuma relação confirmada.

No entanto, o crime tomou uma proporção inesperada quando uma mulher, que se apresentou como Anna, afirmou que conhecia os assassinos de Bella, e que ela havia sido decapitada por espionagem.

De acordo com o The Independent, Anna afirmou que a mulher misteriosa fora morta por um espião alemão que tinha interesse na região. Isso era justificável, a área de Worcestershire era repleta de fábricas de munição, tornando-se alvo para a inteligência nazista, pensando em avançar sobre o território britânico. Todavia, não passava de mais especulação.

Identidade

A grande questão era descobrir quem, afinal, seria "Bella", já que ninguém tinha dado falta da suposta mulher em todo esse tempo de investigações. Uma das teorias acerca de sua identidade seria de que se tratava de uma estrangeira, por isso ninguém no país inteiro deu por falta da moça. Outros foram além.

Segundo o veículo, em 1968, o autor Donald McCormick afirmou que a vítima era uma espiã alemã, chamada Clarabella, que tinha contato com vários nazistas de alta patente. Donald afirmava ter obtido informações sigilosas do serviço secreto do Reich, indicando que Bella teria caído de paraquedas na região em 1941, mas falhou ao tentar contatar os alemães por rádio.

A história se conecta com a de Josef Jakobs, espião da Alemanha e última pessoa a ser executada na Torre de Londres. Entre seus pertences, foi revela uma fotografia de sua amante, uma cantora de cabaré chamada Clara Bauerle, ao qual ele afirmou que também estava sendo treinada como espiã e seria enviada para a Inglaterra.

A cantora de cabaré Clara Bauerle / Crédito: Divulgação

 

O serviço de inteligência britânico, o MI5, foi atrás da história da mulher, e descobriu que ela nasceu em Stuttgart no ano de 1906. Bauerle, que era de fato uma artista de cabarés, havia, inclusive, trabalhado na região de West Midlands, antes da guerra, e falava inglês fluentemente com o sotaque local. As informações dadas por Anna, anos antes, ligavam Bella a um esquema de espionagem e contatos com gente da música e casas de show.

O sobrenome, difícil para ser pronunciado em inglês, poderia ser facilmente pronunciado como Clarabella, sendo "Bella" um lógico apelido. A cantora, que de fato existiu, não teve mais nenhuma gravação, aparição pública ou álbum lançado depois da fatídica data que converge com a morte da mulher na árvore. Mistério resolvido? Jamais.

A história, que teria uma possível solução com análises modernas de seu cadáver (que se perdeu), caiu nas graças da imaginação popular, que até hoje quer saber quem colocou os restos de Bella no Wych Elm.


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