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O crime que chocou o país: o assassinato sem respostas de Marielle Franco

Anos após seu assassinato, o caso Marielle ainda segue sem desfecho

Giovanna Gomes Publicado em 18/11/2020, às 17h33

Marielle Franco
Marielle Franco - Divulgação

"Quem matou Marielle?". Esta é uma pergunta que muitos fazem desde a época em que a vereadora carioca foi assassinada e que até hoje segue sem uma resposta definida. 

No dia 14 de março de 2018, Marielle Franco estava em um carro com o motorista Anderson Gomes na região do Estácio, bairro localizado no centro da cidade, quando ambos foram alvejados por tiros de metralhadora. Eram cerca de 21:30h e a vereadora havia acabado de sair de um evento no qual abordou temas como negritude, feminismo e representatividade.

Ativismo

A vida de Marielle foi marcada pelo ativismo político. Filiada ao PSOL, ela era conhecida por sua luta em defesa das minorias da cidade do Rio de Janeiro, sobretudo as mulheres negras, as pessoas LGBTI, além dos moradores das favelas, que são constantemente vítimas de violência e preconceito.

Viúva de Marielle em desfile da Mangueira - Getty Images

 

Em 2016, em sua primeira disputa eleitoral, foi eleita vereadora no Rio de Janeiro pela coligação Mudar é possível, formada pelo PSOL e pelo PCB. Ela foi a quinta candidata mais votada na cidade, com mais de 46 mil votos. Além disso, foi a segunda mulher mais votada ao cargo de vereadora no Brasil, atrás apenas de Rosa Fernandes. No entanto, enquanto cumpria sua jornada política, Marielle foi cruelmente atingida. 

Morte

O carro em que estavam Marielle e Anderson foi atingido por treze disparos de uma metralhadora 9mm. Enquanto a vereadora levou três tiros na cabeça e um no pescoço, o motorista foi atingido por três disparos nas costas, de modo que os dois morreram na hora. 

Vereadora Marielle - Reprodução

 

Sabe-se que o crime foi planejado com quatro meses de antecedência, conforme as investigações do caso. No entanto, os mandantes nunca foram identificados. Por esse motivo, desde a época da execução da vereadora, muitos políticos aliados a Marielle e também a opinião pública têm pressionado a Justiça a resolver o caso.

A presença dos dizeres "quem matou Marielle?" e "Marielle presente", por exemplo, aparecem frequentemente em inúmeras manifestações no Brasil e também em outros países, tamanha foi a repercussão do caso, de modo que ela se tornou um símbolo da luta pelas minorias e pelas mudanças na política brasileira como um todo.

Manifestação em Los Angeles - Getty Images

 

Exatamente um ano após o atentado, no dia 14 de março de 2019, a Justiça prendeu o sargento aposentado Ronnie Lessa, que teria sido o autor dos disparos. O ex-policial militar Élcio Queiroz foi acusado de ser o motorista do carro em que estava o sargento e também foi preso. Em outubro, Josinaldo Lucas Freitas, acusado de ocultar as armas utilizadas no crime foi a terceira pessoa a ser apreendida. Contudo, o caso continua sem maiores desdobramentos.

No dia de 27 de maio de 2020, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, pela não federalização do caso. A justificativa era que havia uma grande possibilidade de haver interferências políticas no desenvolver das investigações se a decisão tivesse sido contrária.

Legado

Para manter viva a memória da vereadora e realizar a formação política de mulheres, negros e das pessoas que vivem nas favelas, a família de Marielle fundou o Instituto Marielle Franco, após sua morte. Além disso, em julho de 2018, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou a Lei 8054/2018, a qual designou o dia 14 de março como o "Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o genocídio da Mulher Negra."


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