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O cruel programa de eutanásia infantil criado pelo Terceiro Reich

Durante a Segunda Guerra, o governo do Füher decidiu eliminar todas as crianças que nasciam com deficiências físicas e mentais

Daniela Bazi Publicado em 11/03/2020, às 17h00

Crianças com deficiência na Alemanha nazista
Crianças com deficiência na Alemanha nazista - Wikimedia Commons

Durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha nazista, foi criado um programa de extermínio de pessoas com deficiências físicas e mentais, consideradas fracas para a cultura da supremacia ariana, sendo classificados como pessoas indignas da vida.

Em uma conferência do Partido Nazista, em Nuremberg, no ano de 1929, Hitler disse "que uma remoção média anual de 700 a 800 mil dos mais fracos de um milhão de bebês significa um aumento no poder da nação e não um enfraquecimento".

Entre a primavera e o verão de 1939, deu-se início a uma operação secreta comandada pelo diretor da chancelaria de Hitler, Philipp Bouhler, e pelo médico assistente do Füher, Karl Brandt, em que os nazistas deveriam assassinar todas as crianças que fossem deficientes.

Karl Brandt em seu julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

No dia 18 de agosto do mesmo ano, começou a circular um decreto na Alemanha divulgado pelo Ministério do Interior do Reich, ordenando que todos os profissionais e estabelecimentos de saúde pública denunciassem os casos de pessoas menores de três anos de idade que apresentassem algum tipo de anomalia física ou mental.

Deveriam ser denunciadas crianças com microcefalia, hidrocefalia, malformações no corpo, idiotia, mongolismo ou paralisia, principalmente a cerebral.

Dois meses depois, pais de crianças deficientes passaram a ser influenciados pelas autoridades de saúde pública para que colocassem seus filhos em “clínicas de pediatria” na Alemanha e na Áustria que fossem indicadas pelo governo nazista.

Todavia, esses centros médicos eram, na realidade, os locais em que as crianças seriam mortas devido a suas condições. Elas eram assassinadas por médicos especializados que recrutados unicamente para aquela função, através de doses letais de medicação ou por desnutrição.

O campo de concentração de Auschwitz / Crédito: Getty Images

 

O caso da primeira criança morta por esse programa é chamado de Caso K. Na ocasião, os pais enviaram um pedido em meados de 1939 ao Gabinete do Führer (KDF), mais conhecido como Hitler Chancelaria, alegando que seu filho, Gerhard Kretschmar, era gravemente incapacitado e precisava receber um “assassinato por misericórdia”.

Por muito tempo o nome da vítima não pode ser divulgado, apesar de ser conhecido pelos médicos alemães, devido às leis de privacidade da Alemanha em relação aos registros médicos, como afirma o historiador alemão Udo Benzenhöfer. A identidade da criança e dos pais só foi publicado em 2007, pelo historiador Ulf Schmidt, na biografia em que escreveu de Karl Brandt, contendo também os locais e as datas de nascimento e morte.

De acordo com o depoimento dos pais, o pedido foi feito no dia 23 de maio de 1939, e eles fizeram uma reunião com Werner Catel, diretor responsável pelo Hospital Infantil da Universidade Leipzig, para que fossem levantadas as chances de sobrevivência do garoto.

Catel disse que autorizou a eutanásia da criança pois seria a melhor opção para todos. Entretanto, agilizar o processo de morte ainda era ilegal no Terceiro Reich, e o médico os aconselhou a enviarem um pedido para o próprio Füher, através de sua chancelaria particular.

Esse primeiro assassinato ocasionou no aumento da utilização da eutanásia como forma de “extermínio eugênico”, que serviu de base para a promulgação da Lei de Prevenção de Filhos Hereditários, em 14 de julho de 1933.

Crianças em escola nazista / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com o aumento dos casos, a operação se ampliou para jovens de até 17 anos, que possuíam as mesmas deficiências e também para adultos logo após. Pelo menos 5 mil crianças de origem alemã foram mortas pela eutanásia nazista durante toda a Segunda Guerra Mundial.

Algumas acabaram, antes de morrer, servindo como objetos de pesquisa pelos médicos do governo de Adolf Hitler. O doutor Heinrich Gross, por exemplo, chegou a realizar autópsias não autorizadas em cérebros de crianças, publicando cerca de 34 artigos sobre doenças mentais, entre os anos de 1954 e 1978.


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