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O desaparecimento de Etan Patz, caso que se tornou o símbolo das crianças desaparecidas nos EUA

Naquele dia, o menino de 6 anos recebeu permissão dos pais para caminhar por conta própria até o ponto de ônibus - porém, para o desespero deles, a criança nunca mais foi vista

Ingredi Brunato Publicado em 23/12/2020, às 18h30

Fotografia de Etan Patz
Fotografia de Etan Patz - Wikimedia Commons

Em 1980, um casal que morava na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, resolveu deixar seu filho de seis anos andar sozinho para o ponto de ônibus, de onde a van escolar o levaria para a escola. 

Stanley Patz e Julie não achavam que tinham motivo para se preocupar, e apenas ficaram sabendo que algo errado havia acontecido oito horas depois — no horário em que o pequeno Etan já devia ter voltado do colégio.

Isso porque o filho dos nova-iorquinos não voltou para casa naquele dia. Ao ligarem para a escola, eles descobriram que o menino sequer tinha ido para as aulas. Ou sido pego pelo ônibus escolar. Assim, eles começaram a perceber, com terror, que Etan Patz havia acabado de se tornar uma criança desaparecida

O mais famoso rosto nunca mais visto 

Stanley e Julie criaram uma estratégia que ficou posteriormente muito conhecida: eles colaram um folheto de pessoa desparecida com o rosto do filho na parte de trás de caixas de leite que iriam ser distribuídas por Nova York. 

Assim, garantiram que várias famílias nova-iorquinas conhecessem a aparência do menino, sendo capazes de identificá-lo caso o vissem; e então, informar os pais e as autoridades. Foi assim que toda a cidade norte-americana ficou sabendo do que havia acontecido, sendo envolvida em um esforço coletivo de busca. 

Apesar da criatividade e empenho não só dos pais, mas também dos que simpatizavam com seu caso, todavia, Etan nunca mais foi encontrado, nem vivo, nem morto. 

Seu pai e sua mãe, no entanto, nunca perderam as esperanças. Inclusive, foi por isso que passaram as quatro décadas seguintes ainda morando no mesmo bairro onde viviam quando seu filho desapareceu, esperando por notícias dele. 

A perda do menino de seis anos acabou impulsionando o casal para trabalhar com casos de crianças desaparecidas, ajudando outras pessoas em situações semelhantes na busca por seus pequeninos.

Imagem de Stanley Patz em 2015 / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

Atualização do caso 

Em 2012, trinta e dois anos depois daquela manhã em que Etan desapareceu aparentemente sem deixar vestígios, um novo rastro submergiu em seu caso. 

A imprensa nova-iorquina acompanhou atentamente enquanto policiais quebravam o chão de um porão próximo ao ponto de ônibus onde o famoso rapto dos anos 80 teria ocorrido, na esperança de encontrar ao menos um corpo que sua família pudesse enterrar. 

Era, afinal, uma ponta de esperança para o episódio traumático que ficou marcado na memória da cidade. O rosto sorridente do menino Patz fora o primeiro de muitos rostos de criança que seriam estampados no verso de caixas de leite ao longo dos anos. 

Essa nova busca, infelizmente, também não teve resultados. 

Confissão? 

Contra todas as expectativas, todavia, um homem ligou para o departamento de polícia após essas escavações, confessando ter assassinado a criança nos anos 80. Era Pedro Hernández, de 56 anos.  

Segundo admitiu em sua confissão inicial, o homem atraiu o menino de 6 anos lhe oferecendo um refrigerante. Em seguida, teria estrangulado a criança no porão do bar onde era empregado na época. 

Imagem de Pedro Hernández em 2015, durante julgamento / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

Embora o estadunidense tenha sido considerado culpado em tribunal, recebendo uma sentença de no mínimo 25 anos de prisão, essa conclusão inusitada para o desaparecimento de Etan acabou vindo com algumas controvérsias. 

A defesa de Hernández alegou, por exemplo, que o homem sofria de esquizofrenia, e sua confissão era o resultado de alucinações. Já a promotoria afirmou que a doença mental estaria sendo apenas simulada. O que realmente aconteceu naquela manhã, portanto, pode ser apenas especulado.


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