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O Dia D anglo-argentino: Há 37 anos, a Operação Sutton permitia que a Inglaterra ocupasse as Malvinas

Em 21 de maio de 1982, a Operação britânica permitiu a entrada nas ilhas argentinas, conduzindo a guerra ao fim no mês seguinte

André Nogueira Publicado em 21/05/2019, às 17h00

Soldados recolhem barcos durante bombardeio argentino
Reprodução

A Guerra das Malvinas foi um conflito bélico que opôs a Argentina à Inglaterra, na disputa pelo governo pleno do arquipélago das Malvinas. Os objetivos dessa guerra eram muitos, desde a busca por petróleo na região, passando pela vontade britânica de manter uma base marinha próxima à América do Sul e da Antártica, e até mesmo a necessidade da ditadura Argentina de criar um foco único para a população se unir em favor do país. As ilhas estavam sob domínio colonial britânico desde 1833, mas a Argentina há tempos via o território como de legitimidade argentina.

Uma das mais importantes batalhas desse conflito ficou conhecida como Dia D, em alusão ao mesmo momento na Segunda Guerra, com o desembarque na Normandia. Trata-se do momento em que as tropas britânicas efetivamente conseguem entrar nas Malvinas e ocupar bases militares, lhes permitindo ter efetivamente lugar para manter a guerra contra a Argentina. O Dia D ocorreu em 21 de maio de 1982, mas o conflito, iniciado em abril, tinha passado por muitos momentos.

Crédito: Reprodução

 

Na noite do dia 20 de maio, a Argentina prontificou 12.000 soldados na frente de guerra, pois os radares já haviam detectado a aproximação dos navios britânicos e o aumento da atividade inimiga. Comandadas pelo capitão Grünert e pelo tenente Calderón, as tropas argentinas se mantiveram em alerta desde as 18h, detectando às 18h30 dois helicópteros em direção à Argentina e a vinda de navios para desembarque em terra. Por isso, os soldados dormiram com o fuzil na mão.

O contingente argentino sofria uma fraqueza significativa, pois a grande maioria dos soldados vinha do recrutamento obrigatório do início da guerra ou eram presos políticos que eram enviados ao fronte como forma de punição política, não sendo profissionais treinados. O moral daquelas tropas era consideravelmente baixo. A comunicação da ilha com o continente tinha sido cortada pelos britânicos e a aproximação inimiga era iminente.

As Malvinas estavam praticamente cercadas, mas o território ainda era argentino. Um dos maiores méritos entre os argentinos acabou sendo a Força Aérea, que mesmo no cenário em que estava a guerra, manteve o fornecimento dos suprimentos na ilha continuamente, até o último dia de guerra.

O mar, por sua vez, era hegemonicamente britânico, dominado pela Royal Navy. Os 120 navios de alta tecnologia com milhares de soldados de elite treinados para situações de desembarque faziam das tropas argentinas quase nada. Os submarinos britânicos cercavam o arquipélago. O combate era desproporcional e a Argentina apostou na defesa.

Tropa argentina em combate / Crédito: Reprodução

 

A Operação teve seu inicio na noite de 20 de maio, comandada pelo almirante Woodward e pelo Comodoro Clapp. No meio da noite fria, 19 navios britânicos tomaram a frente e se espalharam pelo Estreito de San Carlos, que separa as duas principais ilhas do arquipélago. À meia noite, os navios estavam praticamente na costa. À 1h da manhã do dia 21 de maio de 1982, a Operação Sutton efetivamente chega às terras argentinas nas Malvinas, ganhando o traço histórico que possibilita o evento ser chamado de Dia D: as tropas britânicas começam a desembarcar nas Malvinas.

Tomando inicialmente a Baía de San Carlos, na ilha Soledad, os britânicos conseguiram rapidamente plantar três bases nas praias do oeste da ilha. Devido às forças militares deficitárias, a Argentina não foi capaz de oferecer resistência a esse primeiro passo da tomada inglesa das ilhas. No raiar do dia, finalmente, as batalhas entre soldados se iniciou, enquanto os porta-aviões dos britânicos atingiam com bombardeios outras localidades das Ilhas.

Porém, algo que é muito curioso, a região de desembarque dos ingleses era bastante desvantajosa. A encosta de montanhas dificultava o progresso do Reino Unido, possibilitando a resistência argentina. Por mais que os britânicos esperassem represálias do inimigo, ninguém imaginava a magnitude do contra-ataque argentino: uma chuva de bombardeios para derrubar navios levou à destruição de 4 navios e 2 aviões ingleses.

Durante o dia de 21 de maio, a disputa entre aviões e lança-foguetes argentinos e carros de combate e canhões britânicos fez do Dia D quase um impasse. Porém, mesmo com um alto número de baixas e perdas materiais, o desembarque inglês nas Malvinas foi um sucesso. Com base em terra e conflitos entre tropas, a guerra entrava numa nova fase, que se encerraria com a vitória britânica em 14 de junho de 1982.