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O dia em que a Globo pegou fogo, saiu do ar e correu para salvar o Jornal Nacional

Em 1976, um curto-circuito atingiu os estúdios da emissora no Rio de Janeiro, obrigando os apresentadores a correrem para São Paulo

Alana Sousa Publicado em 01/04/2019, às 12h00

Roberto Marinho e Walter Clark na frente do prédio da Globo no Jardim Botânico
Reprodução

Em 4 de junho de 1976, durante a transmissão do Jornal Hoje, a TV Globo saiu misteriosamente do ar. O motivo era um grande incêndio que começou com um curto-circuito no sistema de ar condicionado. O fogo logo se alastrou por dutos e partes das instalações do local, destruindo quase todo o prédio da emissora no Rio de Janeiro.

O sinal da Globo rapidamente voltou, mas dessa vez sendo gerado de São Paulo. O fogo, que durou cerca de quatro horas, causou um prejuízo de Cr$ 170 milhões (cerca de R$ 61 milhões em valores corrigidos). As três novelas que estavam no ar, Vejo a Lua no Céu, O Feijão e o Sonho e um de Anjo Mau, tiveram alguns capítulos antigos perdidos, mas não precisaram ter suas filmagens interrompidas.

Entretanto, o Jornal Nacional, apresentado na época por Cid Moreira e Sérgio Chapelin, foi o programa mais afetado pelo incêncio. O JN, que desde sua estreia, em 1969, sempre foi transmitido da sede jornalística da emissora, localizada no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, teve que ser produzido em outro local: São Paulo.

Sérgio Chapelin na bancada do JN

Os apresentadores viajaram, na mesma tarde da tragédia, em jatos fretados, para a capital paulista, onde apresentaram o jornal mais visto do país durante três meses.

“Duas horas depois do incêndio, Alice-Maria Reineger, então editora-chefe, foi para São Paulo disposta a garantir a exibição do JN. Ela foi munida com um rolo de filme com as imagens do próprio incêndio. Um pouco mais tarde, fomos eu e o Sérgio, juntamente com os editores de imagens, também para Sampa”, conta Cid Moreira no livro Boa Noite, de Fátima Sampaio Moreira, em 2010.

Cid Moreira na bancada do JN

Ainda no livro, Cid conta que ele e Sérgio viveram em uma ponte aérea durante o período. E ressaltou que “além de ter que organizar todos os nossos compromissos particulares com antecedência para chegar a tempo hábil no estúdio, ainda era preciso contar com o aeroporto sem problemas de neblina, que era o motivo que dificultava as chegadas e partidas”.

A reforma das instalações da Globo demorou 90 dias para ser concluída. O prédio foi novamente equipado e não houve vítimas fatais.