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O dia que o interno de um sanatório quase deu um golpe na França

Em 1812, Claude Malet quase dominou as principais frentes francesas após uma conspiração sobre a morte de Napoleão

Fabio Previdelli Publicado em 23/10/2019, às 12h29

Napoleão
Napoleão - Getty Imagens

Às 4h da manhã de 23 de outubro de 1812, Claude François de Malet escapa de seu cativeiro vestindo um uniforme de general. Imediatamente, ele se aproxima do coronel Gabriel Soulier, que comandava a 10ª coorte da Guarda Nacional Francesa, informando que Napoleão havia morrido enquanto estava na Rússia.

Vários documentos forjados convenceram Soulier sobre a precisão das reivindicações de Malet. Atordoado com a notícia, principalmente após saber que tinha sido promovido a general, Soulier obedeceu a Malet quando lhe foi pedido para montar a coorte.

Soulier não o questionou em nenhum momento, mesmo após Malet anunciar sua intenção de prender vários oficiais superiores. A exemplo do coronel, a coorte também se submeteu às ordens do recém liberado de um sanatório, seguindo-o à prisão de La Force.

No local, Malet ordenou a libertação de dois generais, Victor Lahorie e Maximilian-Joseph Guidal. Os guardas obedeceram e os generais — republicanos como Malet —foram convencidos a se juntar ao golpe.

Malet enviou Lahorie para prender o duque de Rovigo, enquanto Guidal, que recebeu o apoio de guardas nacionais, apreendeu o general Henri Clarke, o ministro da Guerra e o arquichanceler Cambacérès.

Além deles, outros altos funcionários, como o chefe da polícia de Paris, Étienne-Denis Pasquier, também foram encarcerados. Com isso, Lahorie recebeu o cargo de Ministro da Polícia Geral.

Claude François de Malet / Crédito: Getty Imagens

 

Quando isso aconteceu, Malet foi até a casa do general Pierre-Augustin Hulin — comandante da guarnição de Paris — para confrontá-lo. O general ouviu do conspirador esquizofrênico que ele havia sido dispensado de seu comando da guarnição, e deveria entregar as chaves da 1ª Divisão, localizada em Paris. Hulin exigiu ver documentos oficiais que autorizassem tais ações. Como não as tinha, Malet atirou no queixo do general.

O golpe posto em prática

Malet seguiu para o quartel-general militar em frente à casa de Hulin. Lá, ele se encontrou com o oficial sênior de plantão, coronel Pierre Doucet, que suspeitou das cartas apresentadas sobre a morte de Napoleão — elas relatavam que o Imperador havia morrido em 7 de outubro.

Doucet tinha conhecimento sobre as cartas escritas por Napoleão enviadas após essa data. Quase que imediatamente, ele também reconheceu que Malet era um interno do sanatório e, uma vez que estavam sozinhos em seu escritório, o dominou.

Malet foi preso, enquanto Doucet ordenou que a 10ª Coorte da Guarda Nacional retornasse ao seu quartel. Ele então libertou Rovigo e outros oficiais presos pelos conspiradores e informou o Ministro da Guerra, que ainda não havia sido preso, sobre a conspiração.

Clarke, cujo ministério estava tendo relações tensas com Rovigo, enviou um destacamento da Guarda Imperial para proteger o Ministério da Polícia e começou a restaurar a ordem em Paris, fazendo ao mesmo tempo um esforço para retratar Rovigo como incompetente.

Uma das primeiras ações de Clarke foi informar o arquichanceler Cambacérès sobre o golpe, sugerindo ao homem que levasse a imperatriz Maria Luísa e o herdeiro de Napoleão a Saint-Cloud.

 Julgamento

Malet, Lahorie e Guidal foram julgados antes de um conselho de guerra e executados por fuzilamento em 29 de outubro. Outros envolvidos, incluindo o coronel Soulier, que havia sido enganado a favor do golpe, foram fuzilados em 31 de outubro. O coronel Jean François Rabbe, comandante da Guarda de Paris que também foi enganado, acabou sendo poupado da execução.

Execução de Malet / Crédito: Wikimedia Commons

 

A 10ª Coorte foi enviada a Bremen, e o Ministro da Guerra Clarke começou a investigar todos os oficiais gerais presentes em Paris em 23 de outubro, suspendendo de serviço aqueles que, segundo ele, tinham apoiado Malet.

Napoleão, correndo de volta da Rússia para Paris, não puniu Rovigo — para decepção de Clark, que foi questionado por Napoleão sobre o porquê dele não proclamar Napoleão II como o novo imperador.


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