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O drama das 'noivas do Estado Islâmico' que não podem mais retornar aos países

Documentário premiado entrevistou diversas mulheres que, quando jovens, juntaram-se ao grupo jihadista, porém depois arrependeram-se

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/03/2021, às 09h34

Fotografia de Shamima Begum, uma das noivas do Estado Islâmico
Fotografia de Shamima Begum, uma das noivas do Estado Islâmico - Divulgação

O festival anual de cinema, música e tecnologia chamado South by Southwest, que ocorreu na semana passada no estado norte-americano do Texas, trouxe diversas produções interessantes. Entre elas, o documentário premiado "The Return: Life After Isis" (Ou “O retorno: Vida depois do ISIS”, em tradução livre) se destacou. 

A produção se aprofunda na situação das jovens que deixaram seus países para se juntar à organização fundamentalista islâmica, as chamadas “Noivas do Estado Islâmico”. O filme foi dirigido pela espanhola Alba Sotorra, que conseguiu permissão da coalizão das Forças Democráticas Sírias (FDS) para adentrar um dos maiores campos de refugiados da Síria, o Roj. 

Uma das personagens de relevância mostradas no longa é Shamima Begum, uma figura já conhecida que teve a volta ao seu país de origem, o Reino Unido, barrada. As informações foram repercutidas pelo UOL, através da agência AFP.

Quando a garota tinha apenas 15 anos de idade, ela viajou com duas amigas para a Síria, onde se juntou ao Estado Islâmico, que controlava o território na época, casando-se ainda com um jihadista holandês que era oito anos mais velho.

Após alguns anos dentro da organização, todavia, Shamima se arrependeu de sua decisão. Para o governo britânico, todavia, seu erro foi considerado imperdoável. "Eu gostaria de dizer ao povo do Reino Unido: me dê uma segunda chance porque eu ainda era jovem quando parti”, pede a jovem, que hoje tem 19 anos, em um dos trechos do documentário. 

Fotografia de Shamima Begum / Crédito: Divulgação 

 

Passado condenável 

Outra característica da trajetória de Begum é que, em 2019, ela já havia aparecido publicamente ao dar declarações à imprensa inglesa durante outro período de sua estadia no Roj, o campo de refugiados sírio. Nesta época, todavia, a garota exibia opiniões muito diferentes, não apresentando qualquer arrependimento em relação à sua decisão de juntar-se ao grupo jihadista. 

“Eu só quero que deixem de lado tudo que ouviram sobre mim na mídia”, comentou Shamima a respeito disso, de acordo com o que foi repercutido pela agência. Segundo a jovem, dentro do campo havia antes um núcleo de mulheres que eram “radicalizadas”, não apenas mantendo-se fiéis ao ISIS mas também pressionando as outras a terem o mesmo posicionamento. 

"Vivia com medo de que essas mulheres viessem à minha tenda um dia e me matassem e me matassem meu bebê", declarou Begum, que estava grávida na época de seus pronunciamentos controversos. 

Em entrevista à AFP, a diretora do documentário contou: "Nunca vou conseguir entender como uma mulher ocidental pode tomar a decisão de deixar tudo para trás e se unir a uma organização que está cometendo atrocidades como as do EI [Estado Islâmico]. Mas agora eu entendo como se pode cometer um erro”. 

Fotografia de Alba Sotorra, diretora espanhola do documentário / Crédito: Divulgação/ Instagram 

 

"Sabíamos que a Síria era uma zona de guerra e eu fui para lá mesmo assim com meus filhos; quando penso, nem entendo como pude fazer isso", comentou outra mulher no longa, ainda segundo repercutido. 

Uma última alegação de Begum e de outras que, como ela, são noivas do EI, é que nunca participou e sequer sabia dos crimes realizados pela organização jihadista, que incluem estupro, tortura, terrorismo, massacres e muitos outros.


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