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O emblemático caso do garoto da caixa — mais de 60 anos sem solução

Uma criança encontrada na beira de uma estrada da Filadélfia deu vida a inúmeras teorias

Pamela Malva Publicado em 20/03/2020, às 12h00

Reconstrução forense do Garoto da Caixa
Reconstrução forense do Garoto da Caixa - Wikimedia Commons

O dia de um estudante de colegial mudou completamente quando, preocupado com um coelho e com várias armadilhas para animais, entrou em uma área cheia de arbustos ao lado da Estrada de Susquehanna, na Filadélfia. Ao invés de encontrar o animal, ele se deparou com um corpo humano.

Relutante em ligar para a polícia, o jovem apenas avisou os oficiais sobre o cadáver que havia localizado no dia seguinte àquele, em 1957. Deu-se início, então, a um dos casos mais misteriosos dos Estados Unidos, que segue sem solução até hoje.

No meio da mata, em Fox Chase, na Pensilvânia, o corpo encontrado era de um garoto, com a idade entre quatro e cinco anos. Ele estava nu, enrolado em um cobertor, com o cabelo recém-cortado — possivelmente depois da morte, já que tufos ainda estavam presos ao corpo.

O menino ainda apresentava sinais de desnutrição e tinha cicatrizes cirúrgicas no tornozelo e na virilha, além de uma em forma de L sob o queixo. O Garoto na Caixa, como ficou conhecido, estava dentro de uma caixa de papelão de um berço vendido pela JC Penney, uma cadeia de lojas de departamento.

Pôesteres distribuídos na época / Crédito: Wikimedia Commons

Já nas investigações, quase nada foi encontrado sobre o pequeno. Suas digitais foram tiradas, mais de 400 mil pôsteres com seu rosto foram distribuídos, a cena do crime foi revistada por 270 recrutas da academia de polícia, mas nenhuma prova definitiva foi identificada.

Uma fotografia post-mortem do menino foi divulgada, indicando como ele seria se ainda estivesse vivo, como última tentativa de identifica-lo. Apesar de todos os esforços, sua identidade nunca foi determinada — e permanece assim até hoje, 62 anos depois.

Em março de 2016, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas lançou uma reconstrução facial forense da criança. Com ela, é possível imaginar como o garoto era enquanto ainda estava vivo, com seus cabelos intactos. A instituição ainda adicionou o garoto em seu banco de dados.

Duas teorias sobre o caso foram amplamente investigadas. A primeira delas envolvia um lar adotivo localizado a 2,5 km do local onde o corpo foi encontrado. Em 1960, Remington Bristow, um médico que investigava mortes suspeitas, entrou em contato com um médium de Nova Jersey que lhe avisou sobre o lar adotivo.

Em uma de suas visitas ao local, Bristow descobriu um berço semelhante ao vendido na JC Penney, além de cobertores parecidos com o que o garoto estava enrolado. Segundo o médico, a morte do menino teria sido um acidente e ele teria sido deixado na beira da estrada para que a mãe não fosse dada como culpada ou identificada como mãe solteira. No entanto, todas as provas sobre essa teoria eram circunstanciais e a polícia não conseguiu ligar o lar adotivo diretamente ao caso.

A segunda teoria foi a que fez mais sentido, mas também não foi completamente comprovada. Apresentada em 2002, a solução teria chegado através de uma mulher identificada apenas como Marta, ou M. Em seu testemunho aos oficiais, M teria dito que conhecia o garoto, chamado Jonathan.

Marta alegou que sua mãe comprou o menino de seus pais biológicos em 1954 e o adotou. A relação, entretanto, não era saudável e o pequeno passava por abusos físicos e sexuais frequentemente. Ela, então, detalhou os últimos momentos de vida do garoto de forma muito específica, citando coisas que apenas os investigadores sabiam.

Segundo Marta, o menino teria vomitado os feijões de sua última refeição, coisa que irritou muito a mãe. Ela desferiu diversos golpes no menino, que bateu a cabeça e ficou inconsciente. Em seguida, as duas teriam dado um banho em Jonathan, momento no qual ele morreu.

Local onde o garoto foi encontrado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Todos os pontos faziam muito sentido para a polícia e foi fácil acreditar na versão de Marta. Durante as investigações, restos de feijão foram encontrados no estômago de Jonathan e seus dedos estavam enrugados, devido ao tempo submerso em água. Ainda segundo M, a mãe adotiva do menino teria cortado seus cabelos para dificultar a identificação.

Apesar do testemunho coerente de Marta — ela narrou, inclusive, como teriam despejado o corpo na mata —, a polícia não conseguiu determinar se a história era verdadeira. Dois fatores que tornaram essa solução pouco provável eram que M tinha um histórico de doença mental e seus vizinhos da época negaram a probabilidade de um menino morando com as duas mulheres.

Outra teoria, que dizia que o garoto da caixa teria sido criado como garota, também foi considerada, mas rapidamente descartada. Uma família em potencial, que teria perdido a tal menina, foi encontrada em Memphis, no estado do Tennessee, mas os DNAs de um dos membros e da criança não bateram.

O menino, ainda sem identificação, foi enterrado em um cemitério público em 1957. Seu corpo foi exumado para a obtenção do DNA e enterrado novamente em 1998, no Cemitério Ivy Hill, em Cedarbrook, Filadélfia. Tanto o caixão, quanto a lápide e o funeral foram financiados pelo filho do homem que enterrara o menino a primeira vez.


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