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O episódio que chocou o país: 5 fatos sobre o brutal caso Tim Lopes

Confira a trágica morte de um dos maiores jornalistas investigativos do Brasil

Giovanna de Matteo Publicado em 23/09/2020, às 10h08

Foto do repórter Tim Lopes
Foto do repórter Tim Lopes - Wikimedia Commons

Arcanjo Antonio Lopes de Nascimento, apelidado de Tim Lopes pela semelhança física com o cantor Tim Maia, foi um repórter investigativo que revolucionou o jornalismo brasileiro com matérias inovadoras, sendo considerado pelos companheiros de profissão como um dos mais corajosos e audaciosos repórteres investigativos em atividade.

Na noite de 2 de junho de 2002, o assassinato do então jornalista da TV Globo marcaria a história do crime organizado no Brasil após a descoberta do violento mandato de execução, ordenado pelo líder Elias Maluco. Amplamente divulgado pela imprensa, o crime tornou o chefe de facção um símbolo nacional da violência do tráfico de drogas.

Desde então, o caso é comentado por pessoas do ramo da comunicação e da esfera criminal como um exemplo da insegurança que os profissionais do jornalismo enfrentam, junto ao desamparo jurídico e abuso trabalhista, como ocorreu com o fotojornalista.

O site Aventuras na História separou cinco fatos sobre a triste morte de Tim Lopes. Confira abaixo.

1. Assassinato que chocou o Brasil

Com matérias brilhantes, o maior caso de sua vida foi, na verdade, o que levou à sua morte. Após entrar em uma investigação contra o abuso e prostituição infantil e tráfico de drogas em um baile funk da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, começou a ser perseguido e desapareceu no dia 2 de junho de 2002.

A polícia localizou suas ossadas em uma vala clandestina um mes depois. O assassinato de Tim Lopes foi listado pelo portal Brasil Online (BOL) na matéria que trazia "22 crimes que chocaram o Brasil."

O crime também teve repercussão internacional que motivaram protestos contra a violência no Rio e em defesa da liberdade de imprensa. Esse foi um dos casos que levou o Brasil a ser registrado como o terceiro país mais perigoso para os profissionais da imprensa nas Américas, pela Comissão de Impunidade da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP).

2. Caso reaberto

A morte do jornalista foi confirmada no dia 5 de julho de 2002, após ser feito exames de DNA nos restos mortais encontrados num cemitério clandestino, que continha 41 fragmentos de ossos retirados do local para análise.

Elias Maluco sendo preso / Divulgação

A sentença foi que ele teria sido vítima de um assassinato orquestrado pelo traficante carioca Elias Maluco, que foi preso no dia 19 de setembro de 2002, 109 dias depois do incidente, e foi condenado a 28 anos e seis meses de prisão no dia 25 de maio de 2005, junto com outros sete acusados de participação no crime.

 

3. Execusão brutal

Tim foi sequetrado durante uma investigação num baile funk, onde ficou sabendo que os donos do morro promoveriam prostituição infantil. Após ter sido flagrado tentando filmar a venda de drogas no local com uma microcâmera, foi alvejado por tiros em seus pés e jogado no porta-malas de um carro que o levou para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde passou por uma série de torturas, tendo seus olhos queimados com um cigarro, e esquartejado. Ele foi incinerado com pneus e gasolina numa gruta em ritual macabro conhecido como "micro-ondas". Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo foram encontrados.

4. A investigação atrás de Tim Lopes

O detetive Daniel Gomes foi o responsável pela investigação do desaparecimento do repórter. Ele recebeu pistas de lojistas da Vila Cruzeiro que afirmaram que Tim havia chegado ao complexo na parte da tarde do dia 2 de junho e que, por volta das 20h, foi abordado por traficantes.

Ele também recolheu relatos assustadores dos locais, que falavam sobre um homem que havia sido sequestrado e espancado, levada até o topo do morro e incinerado.

Gomes também descobriu que Lopes havia combinado com um motorista para que ficasse do lado de fora da favela para se encontrarem um horário. O motorista esperou até 00h e então decidiu ligar para a Rede Globo para informar que o repórter não havia aparecido. A emissora esperou 11 horas do desaparecimento até contatar a polícia.

Após alguns dias de investigação, dois suspeitos que faziam parte da gangue de Elias Maluco foram presos e relataram o caminho da morte do assassinato de Tim, afirmando que dono da gangue era o responsável pelo crime. Após uma denúncia anônima, no dia 11 de junho, ele descobriu o túmulo clandestino perto de um campo de futebol.

5. A fracassada tentativa de reabrir o caso

Quase 18 anos depois do crime, um grupo de advogados pediu para que o caso seja reaberto. Eles duvidam da hipótese de que Tim tenha mesmo sido morto por Maluco ou que ele tenha sido o mandante do homicídio.

Contudo, eles aproveitaram uma mudança na lei para pedir o desarquivamento do inquérito, exigindo que as ossadas atribuídas ao repórter sejam examinadas por uma nova perícia. Segundo a defesa, Elias estava fora do Rio no dia do crime.

“O Elias não é o monstro que foi apresentado para a sociedade. Na época, ele foi identificado como um dos nomes da criminalidade daquela região. A sociedade queria uma resposta rápida. Quando foi julgado, o Elias já tinha sido condenado pela opinião pública e pela mídia”, declarou Alexandra. Todavia, o caso não teve novidades. 


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