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O espião que enganou as tropas do Führer: a instigante história de Eddie Chapman

Chapman realizava roubos a cofres antes de tornar um dos maiores agentes duplos da Segunda Guerra

Giovanna Gomes Publicado em 09/03/2021, às 15h13

Eddie Chapman foi um dos maiores agentes duplos durante a Segunda Guerra
Eddie Chapman foi um dos maiores agentes duplos durante a Segunda Guerra - Divulgação

Antes da Segunda Guerra Mundial, Eddie Chapman era um criminoso conhecido por integrar uma gangue que realizava roubos a cofres, segundo o site do MI5. Essa vida de crimes possibilitou que ele desfrutasse dos maiores luxos, sendo que convivia com grandes astros do cinema e da música.

No entanto, a vida boa teve fim em fevereiro 1939, quando o britânico foi preso na ilha de Jersey. Ele havia acabado de assaltar uma boate e estava foragido, de modo que foi condenado a dois anos de reclusão. Entretanto, como tentou fugir em setembro daquele ano, mais tarde as autoridades somaram mais um ano à sua pena.

O criminoso foi solto em outubro de 1941, quando as Ilhas do Canal já haviam sido invadidas pelos alemães. A essa altura, a guerra já encontrava-se perto de seu auge, uma vez que os EUA entrariam no conflito nos próximos meses.

Em meio ao caos, Chapman queria encontrar uma forma de voltar para a Grã-Bretanha. Por esse motivo, ofereceu serviços como espião aos alemães. Aceito, logo entrou para o serviço secreto da Alemanha, o Abwehr. 

Wilhelm Canaris, comandante do Abwehr - Crédito: Divulgação/Domínio Público

 

A profissão 

Devido ao seu envolvimento com o crime, Eddie conhecia muitas pessoas que poderiam ser recrutadas como novos agentes. Além disso, os anos de manuseamento de explosivos lhe foram úteis para a função, já que os alemães anseavam que ele atacasse a fábrica de aeronaves De Havilland, em Hertfordshire, local em que foi desenvolvido o famoso De Havilland DH 98 'Mosquito'.

Mas isso não significava que ele não precisaria de treinamento para desempenhar tal ação. Na verdade, o agora espião teve de passar um ano na França realizando um intensivo treinamento.

Em ação

Assim, no dia 16 de dezembro de 1942, Chapman foi dirigido a um campo em Cambridgeshire. Mas ao contrário do que os alemães imaginavam, o homem acabou por se entregar à polícia, afinal, estava em solo britânico, e era tudo o que importava.

Porém, o que nem ele - e muito menos os alemães imaginavam - é que os britânicos haviam decifrado os códigos secretos dos nazistas e, por isso, já sabiam de todos os seus passos. Através das táticas, aguardavam a chegada de Eddie.

Temido bombardeiro Mosquito - Crédito: Divulgação/Domínio Público

 

Chapman foi levado a um centro de detenção secreto do MI5, o serviço de segurança britânico, localizado em Londres. Lá, ele foi interrogado sobre tudo o que fez e presenciou durante seu período na França e se ofereceu para trabalhar para os britânicos contra os alemães.

Grande reviravolta

Apesar de seu histórico repleto de crimes, Eddie foi aceito pelo tenente-coronel RobinStephens. Foi assim que ele ficou conhecido como Agente ZIGZAG, um dos principais agentes duplos que serviram ao Reino Unido durante a Segunda Guerra.

Chapman entrou em contato com os inimigos por meio de rádio. Disse que estava prestes a atacar a fábrica De Havilland. Entretanto, tudo não passava de um plano do espião e dos oficiais britânicos para enganar os nazistas.

Durante madrugada do dia 29 de janeiro de 1943, os britânicos instalaram um sistema de camuflagem que daria aos aviões de reconhecimento alemães a impressão de que uma bomba tivesse sido lançada contra a fábrica.

De criminoso, Chapman tornou-se espião - Crédito: Divulgação

 

Foram utilizados papel machê e madeira para dar a impressão de que os transformadores haviam sido danificados, além de que lonas e chapas de ferro pintadas foram colocadas nos edifícios para simular material derretido. Também foram espalhados destroços ao redor da usina.

Para finalizar o plano, o MI5 fez com que o Daily Express espalhasse a história falsa entre a população, relatando "uma explosão em uma fábrica nos arredores de Londres". Assim, era muito mais fácil convencer os inimigos. E realmente funcionou.

Mas, mesmo após a falsa sabotagem, o agente continuou fingindo estar do lado dos alemães, sendo que, ironicamente, em março de 1943, foi homenageado com a Cruz de Ferro, a maior honraria da Alemanha devido ao seu grandioso trabalho para a Abwehr.

Quando tornou à Grã-Bretanha em junho de 1944, Eddie Chapman publicou três livros sobre suas façanhas. O primeiro deles 'The Eddie Chapman Story' foi lançado em 1953. O segundo, 'Free Agent: The Further Adventures of Eddie Chapman' foi publicado dois anos depois e, em 1966, veio o último: 'The Real Eddie Chapman Story'.


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