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O eterno mistério do trem nazista cheio de ouro

Em 2015, duas pessoas afirmaram ter descoberto um trem nazista repleto de ouro e pedras preciosas. Todavia, o caso se tornou um enigma

Fabio Previdelli Publicado em 25/07/2020, às 09h00

Imagem ilustrativa de barras e ouro (à dir.) exército nazista (à dir.)
Imagem ilustrativa de barras e ouro (à dir.) exército nazista (à dir.) - Pixabay/Wikimedia Commons

Em 2015, uma histeria coletiva tomou conta dos moradores da cidade polonesa de Walbrych quando duas pessoas, um polonês e outro alemão, afirmaram ter descoberto um trem nazista cheio de ouro e outras joias preciosas que estava desaparecido desde o final da Segunda Guerra Mundial. De acordo com a dupla, o comboio estava em um labirinto de tuneis que foi construído, na época, pelo Exército alemão.

“Só daremos a localização exata do trem se recebermos 10% do tesouro como recompensa”, intimou a dupla, que alegou conhecer a localização exata do trem graças a um mapa que havia sido desenhado por uma pessoa em seus últimos momentos de vida. “Essa pessoa disse em uma declaração no leito de morte que o trem estava minado”, declarou Piotr Zuchowski, vice-ministro da Cultura polonês.

Na ocasião, Zuchowski empolgou a todos quando confirmou a existência do trem após uma serie de imagens da área serem feitas por um radar especial que era utilizado para sondagens terrestres. “Pessoalmente estou 99% seguro da existência do trem, mas no momento não podemos verificar seu conteúdo”, disse. “Tem 100 metros de comprimento e é uma excepcional descoberta”.

Apesar da empolgação, a história não era uma grande revelação, na verdade o relato já estava se transformando em lenda urbana, afinal, há anos moradores locais contavam que rumores apontavam que na região existia um trem nazista blindado que estava lotado de armas e, possivelmente, de joias, placas de ouro, obras de arte valiosíssimas e documentos extremamente confidenciais do Terceiro Reich.

Tudo isso teria sido perdido em algum ponto entre o 61º e 65º quilômetro da linha férrea que liga as cidades de Wroclaw e Waldbryzich, localizadas na Baixa Silésia, região que era território alemão, mas que acabou sendo anexada pela Polônia ao final do conflito.

Sabe-se que, nos arredores de Waldbryzich, uma região montanhosa, os nazistas construíram uma rede subterrânea sob o codinome de código Riese, que seria usada pra transporte de material bélico e para proteger seu estoque de possíveis ataques aéreos disparados pelos Aliados. Conforme as próprias autoridades polonesas informaram, apenas um terço de toda a rota havia sido investigada e somente uma pequena parte dela havia sido aberta ao público.

Porém, antes mesmo do trem ser encontrado, uma enorme polêmica já envolvia o possível tesouro — que teria mais de 300 toneladas de ouro — guardado no comboio, tudo por causa da posse daqueles bens.

Se encontrado, ele ficaria sob o domínio do Estado polonês, no entanto, o Congresso Judaico Mundial alertou que qualquer objeto precioso, seja ouro ou outras pedras preciosas, que poderia ser encontrado no trem, foi roubado de judeus poloneses durante a Guerra. “É essencial que sejam adotadas todas as medidas para devolver essas propriedades aos seus legítimos donos ou aos seus herdeiros”, disse Robert Singer, diretor geral da organização, por meio de um comunicado.

Mas o trem foi encontrado? Que fim levou toda essa história?

As buscas começaram em 15 de agosto de 2016, com uma escavação particular financiada por patrocinadores privados, contando com uma equipe de mais de 60 especialistas. O governo polonês também apoiou a busca e até mesmo deslocou soldados para proteger a área.

Porém, como dito anteriormente, a história sobre o possível trem nazista de ouro já havia se tornado uma lenda, e assim como qualquer outra lenda, parece que essa história ficará para sempre no imaginário popular.

Tudo porque, após dois anos de busca, nada fora encontrado e a dupla que jurou ter plena certeza da locomotiva acabou se separando. "Não quero mais fazer nada de estúpido", disse um deles, o alemão Andreas Richter, que alegou ter gasto pessoalmente mais de 80 mil euros com as buscas frustradas.

Porém, ele disse que não abandou a procura por considerar que o trem não existe, muito pelo contrário. “Tenho 95% de certeza de que existe”, informou. A desistência só aconteceu, segundo ele próprio relata, pela maneira frustrante pelas quais as buscas estão sendo realizadas, além das diferenças que passou a ter com seu parceiro, Piotr Koper.

O alemão disse que a primeira escavação não foi tão profunda quanto o planejado e que Koper não concordou com uma segunda investida, que teria feito de tudo para adiar as buscas. "Em determinado momento, isso me deu nos nervos".

Richter também culpa o parceiro por ter lhe apresentado uma projeção menor do valor que teria que ser investido inicialmente para a escavação. Assim, os 20 mil euros de começo quadruplicaram de valor. "Essa foi uma das razões dessa colaboração ter falhado".

Apesar do rompimento, Koper afirmou que continuará com as buscas. Entretanto, os únicos que se deram por satisfeito, por enquanto, foram as autoridades locais, que viram o turismo na região crescer de maneira considerável.


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