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O ex-guarda da SS que será julgado 76 anos após a queda do nazismo

O homem de 100 anos, que não teve identidade revelada, atuou no campo de Sachsenhausen entre os anos de 1942 e 1945

Giovanna Gomes sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 08/08/2021, às 09h00

prisioneiros no campo de Sachsenhausen
prisioneiros no campo de Sachsenhausen - Domínio Público/U.S. National Archives and Records Administration

Um homem de 100 anos de idade, que supostamente teria atuado como guarda do campo de concentração nazista Sachsenhausen, está com julgamento marcado para o final do ano, na Alemanha, em razão de seus crimes cometidos na época.

Portão do campo de concentração de Sachsenhausen

 

De acordo com a BBC, o idoso é acusado de ser cúmplice do assassinato de 3.518 pessoas que passaram pelo campo, localizado próximo a Berlim, entre 1942 e 1945, as quais foram fuziladas e expostas ao gás mortal. A decisão de realizar o julgamento do homem, ainda não identificado, ocorre 76 anos após a queda do nazismo.

O que disseram os promotores

Como o acusado tem idade muito avançada, foi necessário submetê-lo a uma avaliação médica para só então decidir se ele poderia comparecer ao tribunal.

Na última segunda-feira, 2, os promotores confirmaram sua aptidão para o jugamento, que deverá ocorrer no mês de outubro deste ano.

Campo de concentração de Sachsenhausen / Crédito: Getty Images

 

Mas nem sempre pode-se dar prosseguimento a um processo como esse. Em março deste ano, por exemplo, um outro homem acusado de ser ex-guarda nazista não pôde ser julgado, uma vez que, aos 96 anos de idade, foi considerado inapto para responder a um julgamento. 

As vítimas do Sachsenhausen 

A BBC informa que em tono de 200.000 pessoas foram levadas para o campo de concentração de Sachsenhausen entre os anos de 1936 e 1945. Entre elas estavam prisioneiros de guerra, grupos perseguidos como judeus, homossexuais e ciganos, além de opositores políticos.

No local, dezenas de milhares de pessoas foram mortas ao serem submetidas ao trabalho forçado e à fome, além da exposição a doenças. Outras foram fuziladas ou asfixiadas nas câmaras de gás.

Em busca de justiça

Em uma matéria publicada no domingo, 1º, o jornal alemão Welt am Sonntag citou a fala de um advogado, Thomas Walther, o qual afirmou que muitas pessoas que pedem por justiça são "tão velhas quanto os acusados" e que elas "esperam que a justiça seja feita".

Adolf Hitler em 1938 / Crédito: Wikimedia Commons/Bundesarchiv

 

Porém, justamente pelo fato dos acusados terem idade avançada, a fonte acredita que este deverá ser um dos últimos julgamentos de crimes cometidos durante o nazismo a serem realizados. Mesmo assim, os promotores tentam fazer a justiça, ainda que tardia.

Essa decisão em relação aos ex-trabalhadores de campos nazistas tem sido uma política adotada desde que o ex-guarda John Demjanjuk foi condenado em 2011 por ter sido cúmplice da morte de inúmeras pessoas. Antes desse caso, no entanto, os tribunais da Alemanha julgavam apenas aqueles que tivessem envolvimento direto nos crimes.

 


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