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O fracasso dos Romanov: há 103 anos, Nicolau II era obrigado a abdicar do trono russo

Com o país em miséria, a população foi para as ruas protestar contra a família imperial e pedir pela queda do czarismo

Daniela Bazi Publicado em 15/03/2020, às 08h00

Nicolau II, o último czar da Rússia
Nicolau II, o último czar da Rússia - Divulgação/Klimbim

Há 103 anos, a Rússia se encontrava próxima a um grande colapso. A população estava pobre e com escassez de alimentos desde 1915, período em que o czar Nicolau II estava longe do país devido a Primeira Guerra Mundial. Com a ida de 15 milhões de fazendeiros para a batalha, os preços da comida aumentaram em quatro vezes, comparando com 1914.

Segundo o historiador Daniel Aarão Reis Filho no livro A Revolução Russa: 1917-1921, “começaram a faltar gêneros essenciais e a indústria, concentrada em atender às necessidades do Exército, não produzia bens de consumo corrente”. 

A entrada do país no grande conflito foi uma ideia falha do soberano que tinha como intuito despertar um sentimento de nacionalismo na população, em que eles voltariam a apoiar o czarismo e a defender a pátria. Contudo, sua intenção resultou em algo completamente contrário do que imaginava.

Manifestação em 1917 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O inverno era o pior que a Rússia havia enfrentado em toda sua história, com os termômetros atingindo os 25 graus negativos. As nevascas também passaram a causar grandes problemas nas locomotivas que transportavam os mantimentos que supririam as necessidades de um povo em miséria.

De 20 mil trens, apenas 9 mil continuaram em serviço no ano de 1917. Entre os vagões, o número diminuiu de 500 mil para 170 mil. Os abastecimentos de combustível e farinha na cidade de Petrogrado simplesmente sumiram. Fábricas fecharam e inúmeros trabalhadores perderam seus empregos.

A trágica situação em que os russos se encontravam ocasionou em uma grande revolta no dia 23 de fevereiro de 1917 em Petrogrado, onde as pessoas foram para as ruas protestar contra a família imperial. Durante o ato, muitos passaram a quebrar janelas de lojas para conseguir comida e outros mantimentos básicos.

Para conter os revoltosos, a polícia começou a atirar em todos os que depredavam as propriedades e incitavam os tumultos. Com a situação saindo do controle, o gabinete de czar pediu seu retorno imediato para oferecer sua abdicação ao trono russo.

Reprodução do Domingo Sangrento / Crédito: Getty Images

 

Em 15 de março de 1917, sem outra solução possível, Nicolau II assinou os papeis que oficializavam sua abdicação ao trono russo. Automaticamente, o Governo Provisório foi criado, contendo membros do Parlamento Russo, a Duma, com o príncipe Georgy Lvov assumindo o cargo de primeiro-ministro. Entretanto, ele acabou deixando a posição em 20 de julho do mesmo ano.

O czar e sua família foram colocados em prisão domiciliar pelo próprio governo, sendo vigiados 24 horas por guardas espalhados por toda a casa. Um ano após sua queda, em 17 de julho de 1918, Nicolau e sua família foram fuzilados em Ecatemburgo, por tropas bolcheviques, ordenadas pelo Soviete Regional Ural, e lideradas por Yakov Yurovsky.


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